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Presidência
da República |
MEDIDA PROVISÓRIA Nº 227, DE 6 DE DEZEMBRO DE 2004.
| Convertida na Lei nº 11.116, de 2005 | Dispõe sobre o Registro Especial, na Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, de produtor ou importador de biodiesel e sobre a incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre as receitas decorrentes da venda desse produto, altera a Lei no 10.451, de 10 de maio de 2002, e dá outras providências. |
CAPÍTULO I
DO REGISTRO ESPECIAL DE PRODUTOR OU IMPORTADOR DE BIODIESEL
Art. 1º As
atividades de importação ou produção de biodiesel deverão ser exercidas,
exclusivamente, por pessoas jurídicas constituídas na forma de sociedade sob as leis
brasileiras, com sede e administração no País, beneficiárias de concessão ou
autorização da Agencia Nacional de Petróleo - ANP, em conformidade com o inciso XVI do art. 8º da Lei nº
9.478, de 6 de agosto de 1997, e que mantenham Registro Especial junto à Secretaria
da Receita Federal do Ministério da Fazenda.
§ 2o
A Secretaria da Receita Federal expedirá normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas, podendo, ainda, estabelecer: I - obrigatoriedade de instalação de medidor de vazão do volume de biodiesel produzido; II - valor mínimo de capital integralizado; eIII - condições quanto à idoneidade fiscal e financeira das mesmas empresas e de seus sócios ou diretores.
Art. 2º
II - cancelamento
da concessão ou autorização instituída pelo inciso
XVI do art. 8º da Lei nº 9.478, de 1997, expedida
pela ANP;
III - não-cumprimento de obrigação tributária principal ou acessória, relativa a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal;
IV - utilização
indevida do coeficiente de redução diferenciado de que trata o § 1o
do art. 5º; ou
V - prática de conluio ou fraude, como definidos na Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, ou de crime contra a ordem tributária, previsto na Lei no 8.137, de 27 de dezembro de 1990, ou de qualquer outra infração cuja tipificação decorra do descumprimento de normas reguladoras da produção, importação e comercialização de biodiesel, após decisão transitada em julgado.
§ 1o Para os fins do disposto no inciso III deste artigo, a Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação do pagamento dos tributos e contribuições devidos, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da produção ou importação, da circulação dos produtos e da apuração da base de cálculo.§ 2o
Cancelado o Registro Especial, o estoque de matérias-primas, produtos em elaboração e produtos acabados, existente no estabelecimento da pessoa jurídica, será apreendido, podendo ser liberado se, no prazo de noventa dias, contado da data do cancelamento, for sanada a irregularidade que deu causa à medida.§ 3o
Do ato que cancelar o Registro Especial caberá recurso ao Ministro de Estado da Fazenda.CAPÍTULO II
DAS ALÍQUOTAS DAS CONTRIBUIÇÕES
Art. 3o A Contribuição para o PIS/PASEP e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS incidirão, uma única vez, sobre a receita bruta auferida, pelo produtor ou importador, com a venda de biodiesel, às alíquotas de seis inteiros e quinze centésimos por cento e vinte e oito inteiros e trinta e dois centésimos por cento, respectivamente. (Vigência)
Art. 4º O
importador ou fabricante de biodiesel poderá optar por regime especial de apuração e
pagamento da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, no qual os valores das
contribuições são fixados, respectivamente, em R$ 120,14 (cento e vinte reais e
quatorze centavos) e R$ 553,19 (quinhentos e cinqüenta e três reais e dezenove centavos)
por metro cúbico.
§ 1º A
opção prevista neste artigo será exercida, segundo termos e condições estabelecidos
pela Secretaria da Receita Federal, até o último dia útil do mês de novembro de cada
ano-calendário, produzindo efeitos, de forma irretratável, durante todo o
ano-calendário subseqüente ao da opção.
§ 2º Excepcionalmente,
a opção poderá ser exercida até o último dia útil do terceiro mês subseqüente ao
de publicação desta Medida Provisória, produzindo efeitos, de forma irretratável, para
o ano de 2005, a partir do primeiro dia do quarto mês subseqüente ao de publicação
desta Medida Provisória.
§ 3º Sem
prejuízo do disposto no § 2º, o importador ou o fabricante de
biodiesel poderá adotar antecipadamente o regime especial de que trata este artigo, a
partir do primeiro mês subseqüente ao de publicação desta Medida Provisória, não se
lhes aplicando as disposições do art. 15.
§ 4º A
pessoa jurídica que iniciar suas atividades no transcorrer do ano poderá efetuar a
opção de que trata o caput no mês em que começar a fabricar ou importar biodiesel,
produzindo efeitos, de forma irretratável, a partir do primeiro dia desse mês.
§ 5º A
opção a que se refere este artigo será automaticamente prorrogada para o
ano-calendário seguinte, salvo se a pessoa jurídica dela desistir, nos termos e
condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, até o último dia útil do
mês de novembro do ano-calendário, hipótese em que a produção de efeitos se dará a
partir do dia 1º de janeiro do ano-calendário subseqüente.
Art. 5º Fica
o Poder Executivo autorizado a fixar coeficiente para redução das alíquotas previstas
no art. 4º desta Medida Provisória, o qual poderá ser alterado, a
qualquer tempo, para mais ou para menos.
§ 1º As
alíquotas poderão ter coeficientes de redução diferenciados, em função da
matéria-prima utilizada na produção do biodiesel, segundo a espécie, o
produtor-vendedor e a região de produção daquela, ou da combinação desses fatores. (Vigência)
§ 2º
A utilização dos coeficientes de redução diferenciados de que trata o § 1º
deste artigo deve observar as normas regulamentares, os termos e as condições expedidos
pelo Poder Executivo.
§ 3º O
produtor-vendedor, para os fins de determinação do coeficiente de redução de
alíquota, será o agricultor familiar, assim definido no âmbito do Programa Nacional de
Fortalecimento da Agricultura Familiar - PRONAF.
§ 4º Na
hipótese de uso de matérias-primas que impliquem alíquotas diferenciadas para receitas
decorrentes de venda de biodiesel, de acordo com o disposto no § 1º
deste artigo, as alíquotas devem ser aplicadas proporcionalmente ao custo de aquisição
das matérias-primas utilizadas no período.
§ 5º Para
os efeitos do § 4º deste artigo, no caso de produção própria de
matéria-prima, esta deve ser valorada ao preço médio de aquisição de matéria-prima
de terceiros no período de apuração.
§ 6º O
disposto no § 1º deste artigo:
I - vigorará até 31 de dezembro de 2009; e
II - não se aplica às receitas decorrentes da venda de biodiesel importado.
§ 7º A
fixação e a alteração, pelo Poder Executivo, dos coeficientes de que trata este artigo
não pode resultar em alíquotas efetivas superiores àquelas previstas no caput do art. 4º.
Art. 6º Aplicam-se
à produção e comercialização de biodiesel as disposições relativas ao § 1º do art. 2º
das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de
2003.
Art. 7º A
Contribuição para o PIS/PASEP-Importação e a COFINS-Importação, instituídas pelo art. 1º da Lei nº
10.865, de 30 de abril de 2004, incidirão às alíquotas previstas no caput do art. 4º
desta Medida Provisória, independentemente de o importador haver optado pelo regime
especial de apuração ali referido, observado o disposto no caput do art. 5º.
Art. 8º As
pessoas jurídicas sujeitas à apuração da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS,
nos termos dos arts. 2º
e 3º das Leis nºs
10.637, de 2002, e 10.833, de 2003,
poderão, para fins de determinação dessas contribuições, descontar crédito em
relação aos pagamentos efetuados nas importações de biodiesel.
Parágrafo único. O crédito será calculado mediante:
I - a aplicação
dos percentuais de um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento para a
Contribuição para o PIS/PASEP e de sete inteiros e seis décimos por cento para a COFINS
sobre a base de cálculo de que trata o art. 7º
da Lei nº 10.865, de 2004, no caso de importação de biodiesel para ser utilizado
como insumo; ou
II - a
multiplicação do volume importado pelas alíquotas referidas no art. 4º,
com a redução prevista no art. 5º desta Medida Provisória, no caso de
biodiesel destinado à revenda.
CAPÍTULO III
DAS PENALIDADES
Art. 10. Será aplicada, ainda, multa correspondente ao valor comercial da mercadoria na hipótese de pessoa jurídica que:
I - fabricar ou importar biodiesel sem o registro de que trata o art. 1CAPÍTULO IV
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
II - o percentual
de adição do biodiesel ao óleo diesel derivado de petróleo, observadas as diretrizes
estabelecidas pelo Conselho Nacional de Política Energética - CNPE, criado pela Lei nº 9.478, de 1997.
§ 1º
§ 2º
II - no valor de
R$ 5.000,00 (cinco mil reais), sem prejuízo do disposto no inciso I, no caso de falta da
comunicação da inoperância do medidor na forma do § 1º deste artigo.
Art. 14. Os arts. 8o, 10, inciso II, 12 e 13 da Lei no 10.451, de 10 de maio de 2002, passam a vigorar com a seguinte redação:
"Art. 8o É concedida isenção do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados incidentes na importação de equipamentos e materiais destinados, exclusivamente, ao treinamento de atletas e às competições desportivas relacionados com a preparação das equipes brasileiras para jogos olímpicos, paraolímpicos, pan-americanos, parapanamericanos e mundiais.
§ 1o A isenção aplica-se a equipamento ou material esportivo, sem similar nacional, homologado pela entidade desportiva internacional da respectiva modalidade esportiva, para as competições a que se refere o caput.
§ 2o A isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados estende-se aos equipamentos e materiais fabricados no Brasil." (NR)
"Art. 10. ............................................................
..........................................................................
II - à manifestação do Ministério do Esporte sobre:
..........................................................................." (NR)
"Art. 12. Os benefícios fiscais previstos nos arts. 8o a 11 aplicam-se a importações e aquisições no mercado interno cujos fatos geradores ocorram até 31 de dezembro de 2007." (NR)
"Art. 13. A Secretaria da Receita Federal e o Ministério do Esporte expedirão, em suas respectivas áreas de competência, as normas necessárias ao cumprimento do disposto nos arts. 8o a 12." (NR)
Art. 15. O disposto no art. 3º
produz efeitos a partir do primeiro dia do quarto mês subseqüente ao de publicação
desta Medida Provisória.
Art. 16. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 6 de dezembro de
2004; 183º da Independência e 116º da
República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Antonio Palocci Filho
Dilma Vana Rousseff
Agnelo Santos Queiroz Filho
Miguel Soldatelli Rosseto
Este texto não substitui o publicado no D.O.U. de 7.12.2004.