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DISCURSO DA SECRETÁRIA ESPECIAL DE POLÍTICAS DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL, MINISTRA MATILDE RIBEIRO, NA SOLENIDADE DE LANÇAMENTO DO PROJETO A COR DA CULTURA (BRASÍLIA - DF)
 
Distrito Federal – Brasília, agosto de 2004

Boa tarde a todas as pessoas presentes neste evento;

Forte abraço aos nossos parceiros;

Zezé Mota;

José Roberto Marinho;

Agradeço aos meus colegas de trabalho, ministros e ministras, gestores e servidores, pela presença e apoio;

Saúdo em especial os representantes do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial, que estão nos prestigiando e seguirão para a 3ª Reunião Ordinária deste Conselho;

Um grande axé a todas as pessoas que acreditam em um futuro onde o sexo, raça, cor ou etnia não sejam motivos de desigualdades ou divisores de águas entre os seres humanos;

Quanto mais conheço o Brasil, mais me convenço de que, nós brasileiros, precisamos nos dar conta de nossas heranças. Este país é fantástico. Nem imaginamos o acúmulo histórico escondido por trás de falsas crenças, preconceitos e racismos. A diversidade étnica, racial e cultural e a pluralidade de idéias, costumes e fé, formam o nosso grande patrimônio e devem se constituir, cada vez mais, como nossa grande riqueza.

Por isso me orgulho de Daiane dos Santos, nossa menina que vale ouro ... Me orgulho também dos prêmios conquistados pela equipe do filme “Filhas do Vento”, um retrato da história lírica negra desse imenso Brasil. É preciso que tenhamos consciência do esforço e da dedicação empenhados nestas brilhantes representações de nosso povo negro, exibidas para o mundo, neste mês de agosto.

Hoje, lançamos o projeto A Cor da Cultura. As fontes de inspiração são infindas: nossos orixás; negros e negras artistas; as lembranças de André Rebouças, João Cândido, Pixinguinha, Clementina de Jesus e Carolina de Jesus. Saudamos a capacidade de trabalho e coragem de muitos, que com seus sonhos tornaram possível um projeto tão arrojado.

O responsável número um por este projeto foi o Excelentíssimo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que sancionou a lei nº 10.639, em janeiro de 2003, estabelecendo novas diretrizes e bases para a educação, a partir da obrigatoriedade da inserção da história e da cultura afro-brasileira nos currículos dos ensinos médio e fundamental.

O Presidente tem sido vigoroso na aproximação do Brasil com o continente africano. Até o momento, esteve presente em nove países: Angola, Moçambique, África do Sul, Namíbia, São Tomé e Príncipe, Egito, Líbia, Gabão e Cabo Verde. Nas visitas oficiais foram firmados acordos e projetos visando desenvolvimento das várias áreas da política pública, mas acima de tudo, estão sendo fortalecidos os laços de amizade e de solidariedade entre Brasil e África.

Em março de 2003, foi criada a Seppir, um órgão de assessoramento da Presidência da República, que tem a missão de acompanhar e coordenar políticas junto aos diferentes ministérios, outros órgãos do governo, iniciativa privada e sociedade civil visando a promoção da igualdade racial.

O projeto A Cor da Cultura traduz uma histórica aliança com o Canal Futura/Fundação Roberto Marinho, o CIDAN – Centro Brasileiro de Informação e Documentação do Artista Negro, as Organização Globo e a Petrobrás.

Todos sabemos da importância dos africanos e de seus descendentes no processo de formação da identidade brasileira. Porém, mesmo tendo passado 116 anos da abolição, uma parte da população traz viva em sua memória o valor dessa história.

Não nos cabe mais a pergunta se o racismo existe ou não. Basta constatar os fatos, os indicadores sociais e a realidade de vida dos negros e índios para perceber que são os mais excluídos entre aqueles que não têm acesso a bens e serviços de qualidade.

Por tudo isso, a maneira mais eficaz no combate à desigualdade é a reconstrução da história da população negra brasileira a partir do rompimento de barreiras e da quebra de estigmas e estereótipos. Também é fundamental, favorecer o fortalecimento de práticas pedagógicas inclusivas, fornecendo a educadores e agentes sociais novas referências.

Nossa arma é a valorização da imagem da população negra, veiculada pelos diversos meios de comunicação, na figura de artistas, nas vozes dos músicos, nas danças dos bailarinos, nas explicações dos médicos, nos esforços dos esportistas ... todos mostrando que o sucesso, a qualidade de vida e as vitórias estão em qualquer pessoa, mesmo que não esteja escrito nos livros.

O “Projeto: A cor da Cultura” tem esse objetivo: através da criação de materiais audiovisuais sobre história e cultura afro-brasileiras, vai valorizar as iniciativas de inclusão desta população a partir das ações afirmativas já promovidas pela sociedade e pelo governo.

Este projeto prevê uma série de ações culturais e educativas, produzidas e veiculadas por meio do Canal Futura, da TV Educativa e parte deles por meio da TV Globo, de modo que possam servir de material didático a ser aplicado em escolas públicas, contribuindo para ampliar o conhecimento  sobre o Brasil e a África, e seja assistido por toda a população brasileira.

Contribuirá, ainda, para, a afirmação da auto-estima brasileira, abordando a história e cultura de maneira diferenciada do enfoque tradicional, trazendo à luz a vida deste segmento formador da nossa cultura a partir de um ponto de vista afirmativo.

É sem dúvida um privilégio, poder desenvolver um projeto dessa natureza, poder potencializar a resistência, a magnitude e a beleza dessa população, tão invisibilizada historicamente!

Que esse projeto seja o primeiro de uma série de outras ações que, espalhados por todo o país, contribuirão para a mudança da história.

Obrigada.

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