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Maior festa popular brasileira, o carnaval é um símbolo da cultural nacional e divulgador das manifestações regionais, reveladoras da criatividade norteada pelo espírito da folia. De Norte a Sul, o reinado de Momo aflora a interação social baseada na brincadeira e na vontade de ser feliz em meio a um ambiente de fantasia. Em solo brasileiro, encontrou espaço fértil para a inventividade e a aglutinação de elementos culturais, os quais a tornaram mais democrática.
A influência afro-brasileira foi decisiva para que se transformasse no “maior espetáculo da Terra”, somando com o samba, composições eternizadas por renomados sambistas – amantes da vida cotidiana, instrumentos musicais e uma aura fascinante. Além da música e da dança, a religiosidade afro-brasileira está presente nas cores das escolas de samba e no ritmo das baterias, reverenciando os orixás.
Dos singelos blocos carnavalescos do início do século XX, surgidos como alternativa de diversão para os menos abonados, até a megaprodução das escolas de samba, o carnaval não se distancia da realidade cotidiana. Essa metodologia possibilita que os dias de folia sejam aproveitados para reflexões e produção de conhecimento, desde sua etapa preparatória até o apoteótico contato com o povo nas ruas.
Neste ano, há um destaque para as questões de gênero e promoção da igualdade racial. Mais uma vez, o carnaval evidencia agendas trabalhadas pelo movimento social, muitas vezes com o apoio de governos, enfocando os preceitos de cidadania.
Desde 2004, desenvolvemos, na Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), o projeto “Dia Nacional do Samba – Patrimônio da Humanidade”. Essa ação desencadeou uma pesquisa junto às velhas guardas das escolas de samba para tombamento do samba como patrimônio cultural. O trabalho registra histórias orais e materiais da Mangueira, Portela, Salgueiro, Vila Isabel, Estácio de Sá e Império Serrano.
Pretendemos, ainda, promover uma exposição com o acervo da pesquisa, nas principais cidades brasileiras, e elaborar um banco de dados para estudantes e pesquisadores, atendendo as exigências da lei 10.639/03, que determina o ensino da cultura e história africana e afro-brasileira.
Assim, no carnaval de 2006, estaremos com a nossa consciência política, missão institucional e vitalidade participando dessa festa de lazer e entretenimento para muitos cidadãos brasileiros.
Matilde Ribeiro, 45 anos, mestre em serviço social pela PUC-SP, é secretária especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República. |