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25/02/2006 - Jornal O Tempo
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A contribuiÇÃo social e cidadà do carnaval

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“Publicado no jornal O Tempo, em 25 de fevereiro de 2006”
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Maior festa popular brasileira, o carnaval é um símbolo da cultural nacional e principal divulgador das manifestações regionais, reveladoras da criatividade norteada pelo espírito da folia. De Norte a Sul, o reinado de Momo aflora a interação social baseada na brincadeira e na vontade de ser feliz em meio a um ambiente de fantasia. De origem européia, essa festa encontrou no Brasil um espaço fértil para a inventividade e a aglutinação de elementos culturais, os quais a tornaram mais democrática.

A influência da cultura afro-brasileira foi decisiva para que se transformasse no “maior espetáculo da Terra”, somando com o samba, composições eternizadas por renomados sambistas – amantes da vida cotidiana, instrumentos musicais e uma aura fascinante. Além da música e da dança, a religiosidade afro-brasileira está presente nas cores das escolas de samba e no ritmo das baterias, reverenciando os orixás.

Dos singelos blocos carnavalescos do início do século XX, surgidos como alternativa de diversão para os menos abonados, dissociados das festas em clubes e sociedades, até a megaprodução das escolas de samba, o carnaval não se distancia da realidade cotidiana. Pelo contrário, procura nela elementos, personalidades e fatos históricos para compor temas arrebatadores de multidões.

Essa metodologia possibilita que os dias de folia também sejam aproveitados para reflexões e produção de conhecimento, desde sua etapa preparatória até o apoteótico contato com o povo nas ruas. Neste ano, percebemos um destaque para a consciência política nas temáticas de gênero e promoção da igualdade racial, a qual será apresentada por escolas de samba e blocos afro. Cada vez mais próximo da contribuição histórica, política e cultural, o carnaval evidencia agendas trabalhadas pelo movimento social, muitas vezes com o apoio de governos, canalizando, de forma lúdica e didática, os preceitos de cidadania e interesse pelos assuntos nacionais.

Cabe citar, ainda, o trabalho social e a geração de trabalho e renda em escolas de samba e blocos carnavalescos. Essas iniciativas garantem a inclusão direta das comunidades e beneficiam, fundamentalmente, homens, mulheres e crianças negras moradores das periferias dos grandes centros urbanos. A partir dessa atuação, agremiações e entidades se fortalecem, mantêm as suas tradições e a sintonia com o compromisso social.

Desde 2004, desenvolvemos na Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) o projeto “Dia Nacional do Samba – Patrimônio da Humanidade”. Essa ação desencadeou uma de pesquisa junto às velhas guardas das escolas de samba para tombamento do samba como patrimônio cultural do Brasil. O trabalho registra histórias orais, realiza levantamento fotográfico e de materiais das velhas guardas da Mangueira, Portela, Salgueiro, Vila Isabel, Estácio de Sá e Império Serrano.

Pretendemos promover uma exposição itinerante com o acervo da pesquisa, nas principais cidades brasileiras, e elaborar um banco de dados para estudantes, pesquisadores e comunidade como subsídio didático, atendendo as exigências da lei 10.639/03, que determina o ensino da cultura e história africana e afro-brasileira.

Assim, no carnaval de 2006, estaremos com a nossa consciência política, missão institucional e vitalidade participando dessa festa de lazer e entretenimento para muitos cidadãos e cidadãs brasileiras.

Matilde Ribeiro, 45 anos, mestre em serviço social pela PUC-SP, é secretária especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República.
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