Terreiros do Brasil
Na presença de quatorze pais e mães-de-santo, o ministro Edson Santos, o reitor da PUC-RJ, padre Jesús Hortal Sánchez, e a ialorixá Mãe Beata de Yemonjá assinaram em agosto o convênio para a realização da pesquisa Mapeamento das Casas de Religiões de Matrizes Africanas no Rio de Janeiro. A inovação do projeto é a construção de um banco de dados que permitirá que cada terreiro seja mapeado com a tecnologia Global Positioning System (GPS). A metodologia vai viabilizar o cruzamento de dados sobre relevo, clima e demografia, entre outras. Estes dados qualitativos e georreferenciados estarão disponíveis na internet. Desta forma, de qualquer parte do mundo será possível obter informações sobre os 7 mil terreiros existentes no Estado do Rio de Janeiro.

Os principais objetivos são enfrentar a intolerância religiosa e preservar a tradição das religiões de matrizes africanas. “Hoje, iniciamos o resgate de uma dívida histórica com as casas de Umbanda e Candomblé. Não queremos fazer um simples levantamento. Queremos construir mecanismos de fortalecimento e assistência aos terreiros”, afirmou o ministro Edson Santos na solenidade. Sentada ao lado do ministro e do padre Hortal, Mãe Beata de Yemonjá emocionou, abençoou e emocionou todos os presentes. “Só tenho que agradecer aos nossos ancestrais e a esse Brasil que nos acolheu. Nós estamos representando milhões de negros que não tiveram essa oportunidade”.

Coordenada pelo Núcleo Interdisciplinar de Reflexão e Memória Afro-descendente da PUC-RJ, a pesquisa está em andamento há seis meses, e foi escolhida como projeto-piloto do Programa Terreiros do Brasil, do Governo Federal, que prevê ações de salvaguarda em casas tombadas como patrimônio histórico cultural e em outros terreiros com importância histórica.

Integração de ações técnicas – Atualmente, apenas seis terreiros são tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Todos foram visitados este ano por técnicos da Subsecretaria de Políticas para Comunidades Tradicionais (SubCom) da SEPPIR. A maioria está localizada em Salvador (BA) estão a Casa Branca, Axé Opô Afonjá, Gantóis, Bate Folha e Alaketo – Ilê Maroiá Láji. A exceção é a Casa das Minas, em São Luís (MA). Em todos os seis terreiros foi constatada a desatenção do Poder Público. Além de conviverem com a intolerância religiosa, os terreiros são alvo da perda de território e ação do tráfico de drogas, que limita a atuação das práticas religiosas e circulação dos freqüentadores dos cultos de matriz africana.

O mapeamento georreferenciado, que será levado aos demais estados brasileiros após a conclusão do projeto-piloto no Rio de Janeiro, vai permitir a integração de todas as ações técnicas e comunitárias relativas às questões dos terreiros, assim como ações específicas em cada uma destas comunidades tradicionais.