Comissão da Câmara dos Deputados debate questão racial
 
Com Marcos Agostinho
Agência Brasil


A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa da Câmara dos Deputados realizou em 17 de maio audiência pública para debater a questão racial no país. Foram convidadas 66 pessoas, entre integrantes do governo federal, procuradores estaduais e dirigentes de entidades ligadas à cultura negra.

Na primeira parte da reunião, a ministra de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, fez um balanço das políticas de combate ao racismo. A segunda parte da audiência dedicou-se à discussão sobre a regularização fundiária de territórios quilombolas do Brasil, com participações do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e procuradores ligados à questão da terra.

Para a ministra Matilde Ribeiro, a regularização dos territórios quilombolas configura-se como registros de nascimentos dessas comunidades. Nesse sentido, reconheceu que a regularização é o reconhecimento da existência dessas comunidades.

Personalidades
A cantora e integrante do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), Leci Brandão esteve na audiência e defendeu a importância da inclusão de temas negros dentro do dia-a-dia brasileiro. "Nas propagandas não vemos negros aparecendo, as crianças negras não se reconhecem na TV e essa situação precisa mudar", disse.

Leci Brandão também citou o caso de uma revista brasileira que enviou três repórteres, um negro, um branco e outro de origem asiática para fazerem coberturas em restaurantes paulistas. Somente o negro teve problemas para fazer a matéria e sofreu discriminação.

A cantora citou esse caso para defender que no Brasil existe sim discriminação racial e não apenas social, como afirmam alguns teóricos. Ao final de sua fala, Leci cantou o samba-enrendo da Vila Isabel de 1988 acompanhado por algumas pessoas que estavam presentes à audiência.

Outra personalidade presente ao evento foi o ex-senador Abdias Nascimento que, aos 90 anos falou de sua missão ao longo da vida em defesa dos temas e da afirmação da matiz cultural negra no país. "Estou quase ficando sem fala, pois realmente eu não tenho tido pausa e nem descanso, fustigando esses novos senhores de engenho que insistem em continuarem vivos", afirmou o ex-parlamentar.