Conferência reconhece avanços e questiona modelo de desenvolvimento pela desigualdade
 
A declaração final da III Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, encerrada em 6 de julho, na cidade de Fortaleza (CE), reconhece avanços sociais ocorridos no Brasil nos últimos anos, mas questiona o modelo de desenvolvimento, “que gera desigualdade, pobreza e fome, além de impactos negativos sobre a saúde e o meio-ambiente”.

A Conferência apontou diretrizes para integrar ações de governos e sociedade. São diretrizes como o acesso universal à alimentação adequada; as bases agroecológicas e sustentáveis de produção e distribuição de alimentos; e a educação em segurança alimentar e nutricional, entre outras proposições.

O evento teve a participação de 1.800 pessoas, sendo 1.333 delegados da sociedade civil e de governos (municipais, estaduais e federal), 360 convidados nacionais e 70 convidados internacionais.

Uma das marcas do encontro foi a diversidade - de gênero, gerações, etnias, raças, culturas e opções sexuais. Os participantes destacaram os avanços ocorridos após a II Conferência, realizada em Olinda (PE) em 2004 – a reativação dos conselhos nacional e estaduais, a inclusão do tema na agenda pública do país, a aprovação de uma lei específica para o setor e a articulação de redes, fóruns e movimentos sociais em torno do assunto.

Algumas das propostas aprovadas pela Conferência foram: crescimento econômico com prioridades sociais; exigibilidade do direito humano à alimentação adequada, como forma de eliminar práticas assistencialistas; reforma agrária imediata e irrestrita; promoção da agricultura familiar como política estratégica; suspensão da produção de transgênicos; política energética que limite a monocultura; ampliação das ações de captação de água das chuvas para consumo humano no semi-árido; e suspensão das obras de transposição do Rio São Francisco.