Identificação e gestão do patrimônio das comunidades tradicionais brasileiras são temas da IV Jornada Iberoamericana de Antropologia

 
A convite do Instituto Politécnico de Tomar (IPT), em Portugal, o ministro Edson Santos esteve naquele país, entre os últimos dias 4 e 7, participando da IV Jornada Iberoamericana de Arqueologia. A atividade reuniu arqueólogos, pesquisadores e estudantes de diversas partes do mundo para falar de suas investigações e da aplicação práticas de seus conhecimentos. Estudantes e pesquisadores brasileiros estavam entre os presentes à Jornada, que aconteceu na cidade de Mação, sede dos cursos de mestrado e especialização na área de Arqueologia. Foram apresentados trabalhos sobre comunidades tradicionais brasileiras, sobre as comunidades de Alcântara (MA) e sobre arte rupestre, que tem um de seus sítios mais significativos mundialmente na Serra da Capivara, no Piauí.

Da teoria à prática – Um dos pontos em comum nos estudos brasileiros apresentados foi a aplicação dos conhecimentos de forma prática. A estudante maranhense Milena Reis, que cursa pós-graduação no IPT, falou sobre “Gestão de uma cultura quilombola em Alcântara: comunidades de Cajual e Itamatatiua”. O pesquisador João Nogueira, do Núcleo de Estudos Negros (NEN, de Santa Catarina), também aluno de mestrado em Portugal, dissertou sobre “As comunidades negras rurais e quilombolas no Brasil contemporâneo”.  O professor Rossano Lopes, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e da Universidade de São Paulo (USP), falou sobre “Arqueologia dos quilombos no Brasil: em busca da  diversidade”. Outra estudante maranhense, Geysa Santos, formada em Turismo no Brasil, apresentou seu estudo sobre “Contribuição aos estudos pré-históricos e ambientais do estado do Maranhão”.

“Ficou muito clara a importância destes estudos para que, ao identificar e dar materialidade à história destes grupos populacionais tradicionais, possamos contribuir para seu futuro. Na área do turismo, por exemplo, isto nos dá condições de pensar num turismo étnico, cujas atividades sejam desenvolvidas pela própria comunidade, contribuindo não só para sua preservação como para sua sustentabilidade. Sem dúvida, fazer com que as comunidades se reconheçam e façam de sua história algo respeitado poderá mudar em muito a relação, especialmente dos jovens, com suas raízes”, comentou o ministro Edson Santos.

Governos garantem participação de estudantes brasileiros – A concepção destes cursos oferecidos pelo IPT prevê a intensa participação de estudantes de diversas partes do mundo. “Esta integração e troca de experiências é fascinante. Além disto, olhares diferentes sobre temas parecidos promovem descobertas surpreendentes”, afirma o Professor Luiz Oostebeek, diretor do Instituto Terra e Memória, do IPT, que abriga as cadeiras de Arqueologia.

O governo da cidade de Mação oferece bolsas de estudos aos jovens não-portugueses para garantir sua permanência na cidade durante os cursos. O governo do estado do Maranhão garante a permanência dos estudantes de seu estado e esta sendo estudada a ampliação destas parcerias de forma a intensificar a participação de brasileiros. Hoje há 25 brasileiros cursando pós-graduação ou mestrado no IPT.

Por conta do apoio aos estudantes maranhenses e do investimento do governo estadual do Maranhão em preservação, os secretários de estado de Agricultura, Domingos Paz, e de Promoção da Igualdade Racial, João Francisco, também foram convidados a participar da IV Jornada. Além de acompanhar os debates, ambos foram homenageados e assinaram protocolos que prevêem ampliação da parceria. O governador do estado do Piauí, Wellington Dias, teve intensa participação na IV Jornada. O estado será sede, em junho deste ano, de uma grande encontro mundial sobre arte rupestre, na Serra da Capivara, evento para o qual o governador convidou os presentes apresentando um vídeo sobre o estado que dirige e falando sobre os investimentos em preservação.

O Museu Homem Americano é uma referência para os estudiosos de arqueologia e sua representante, a arqueóloga Niéde Guidon, falou sobre “As mais antigas ocupações humanas na América: Piauí”.

Homenagem – Edson Santos recebeu homenagens do Instituto Terra e Memória e a chave da Câmara Municipal de Mação. O ministro recebeu ainda a minuta de termo de cooperação que o IPT pretende firmar com a SEPPIR para apoiar iniciativas de pesquisa, ampliar a participação de brasileiros e a realização de um encontro mundial em 2011, no Brasil. O ministro, assim como o governador  do Piauí, foram signatários da constituição da Rede Iberoamericana de Arqueologia, formada exclusivamente por arqueólogos para disseminação de informação e investigação.

O IPT é uma instituição de ensino superior que chega aos 25 anos de existência com cerca de quatro mil alunos. O Instituto oferece 23 cursos de licenciatura, 12 mestrados e diversas pós-graduações. A sede está localizada em Tomar, mas suas instalações são descentralizadas de forma a contribuir com o desenvolvimento da região central de Portugal. Na cidade de Mação funcionam os cursos de mestrado em Arqueologia e suas especializações.