Programa de ação afirmativa no Instituto Rio Branco completa quatro anos

 

O programa Bolsa Prêmio de Vocação para a Diplomacia, do Instituto Rio Branco, está na sua quarta edição. A iniciativa é absolutamente inovadora ao destinar recursos para a preparação de candidatos negros para o concurso de admissão à carreira diplomática. Nesse período, mais de 3,8 mil candidatos participaram do processo de seleção para a bolsa prêmio, sendo 123 pessoas contempladas. Desses quatro se tornaram diplomatas e três, aprovados nas duas primeiras fases do concurso que está em andamento, estão bem cotados para a fase  final.

Através dessa política de ação afirmativa, os aspirantes negros à carreira diplomática tiveram condições de se dedicarem ao estudo para um dos mais  difíceis concursos nacionais,  seja pelo nível de competição, seja pelas exigências das disciplinas testadas (cultura geral, domínio do português culto, línguas estrangeiras, história, geografia, direito, economia, política internacional ). Segundo um dos ex-bolsistas, Wagner Oliveira, é necessário um período para que os conhecimentos adquiridos sejam absorvidos e permitam uma aprovação. "Devido à complexidade de preparação para o concurso do IRBr, o candidato, bolsista ou não, dificilmente tem êxito na primeira tentativa", analisa Oliveira.

O  embaixador Fernando Reis,  diretor do Instituto Rio Branco, mostra-se  confiante nos efeitos a médio prazo do programa . "A iniciativa é recente e não deve ser avaliada apenas por seus resultados imediatos em termos de sucesso no exame de admissão ao Rio Branco. A propósito, ressalta que, além da preparação para ingresso na carreira diplomática, os bolsistas negros obtiveram aprovações em outros concursos federais. "Essas conquistas geram estabilidade profissional e também impulsionam o investimento pessoal para tentativas futuras de ingresso na diplomacia brasileira", informa.

Reis considera que o mais importante é o fato de que a bolsa oferece mais igualdade de oportunidades  para os afrodescendentes e dessa forma contribui para que a diplomacia brasileira se torne mais fiel ao verdadeiro rosto da sociedade brasileira . Salienta também que o concurso para ingresso à carreira diplomática  está mais concorrido -  na seleção que está sendo feita este ano, inscreveram-se inicialmente mais de 7.000 candidatos.

Para estar apto a fazer o concurso, é necessária intensa preparação. Essa realidade  indica a conveniência de se estudar fórmulas que permitam um melhor aproveitamento da bolsa, de modo que o aspirante negro à carreira diplomática tenha condições de  amadurecer os conhecimentos  adquiridos graças ao Programa. "São anos de diferenças de estudo e acesso ao conhecimento que acabam sendo trabalhados num ano. Enquanto isso, há candidatos que têm vivência no exterior e domínio de línguas estrangeiras, que se adquire com cinco ou seis anos de estudos consecutivos", explica a assessora internacional da Seppir, Magali Naves.