Consciência Negra no Palácio do Planalto

 

Em uma  solenidade festiva  e  emocionante, o Presidente Lula,  junto com  a Ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial  de Políticas  de Promoção  da Igualdade  Racial, o  ministro do Desenvolvimento Agrário  e o Presidente  da Fundação  Palmares,  Ubiratam Castro comemoraram o Dia  Nacional da Consciência  Negra,  entregando  títulos  de propriação  de  terra a 9 comunidades quilombolas dos  estados  do Piauí  e Maranhão com  a presença  de  mais  de  300  quilombolas que  em  reconhecimento  ao  trabalho  do Governo Federal para a inclusão social  dessas  comunidades,  entregaram ao Presidente,  uma  cesta contendo produtos dos programas sociais implementados nessas comunidades.

Os convidados  ao  evento, foram  recepcionados pela Quilombola Lía de Tamaracá/PE com  cantigas de Ciranda, e em  nome  de  todos os  quilombolas,  Ivo Fonseca agradeceu  ao presidente e à Ministra, pediu um  minuto  de  silêncio em  homenagem  a Zumbi  dos Palmares emocionou  a platéia, com um  relato da  trajetória  de lutas da população  negra do Brasil.
O Presidente  da Fundação Palmares também  emocionou e se  emocionou,lembrando os primeiros  atos do Presidente Lula para a inclusão social  dessas  comunidades,  há  4  anos na Serra  da Barriga,  quando exigiu prioridades para  essas  ações.Ubiratan prestou  contas ao presidente, comparando os números registros de  quilombos,  que  na época  eram  apenas  18, e hoje  chega  a 1002-(mil  e  duas) comunidades  que  já  são beneficiadas com  políticas públicas de  saneamento  básico,educação, luz para  todos, e cestas  básicas.

Ao  falar  dos  18 anos da Fundação Palmares e  da criação  da SEPPIR, Castro se manifestou gratificado  em pertencer  a  equipe do Presidente Lula,  e  poder constatar  tantos  resultados alcançados.Esses  resultados,  segundo  ele,  estão presentes em projetos  de  desenvolvimento  de  saberes, em áreas  de  defesas jurídicas  em  em  ações dos  diversos  organismos governamentais que agora operam em  defesa da igualdade  racial.
O Ministro  do Desenvolvimento   Agrária Guilherme  Cassel, disse  que vê o  governo  hoje,  como um  acolhedor de  direitos e  que um  exemplo  disso,  é  a  titulação das  terras  quilombolas que  deixou de  ser simbólica,  com  a  prática  da  real  desapropriação, e o principal, segundo  ele,  é  que  o Governo Federal  criou uma  estrutura  para  tratar de  quilombos.
Para a Ministra  Matilde Ribeiro, sensivelmente  emocionada, hoje, a inclusão social  dessas  comuniades está  nas  mãos  dos  gestores públicos  e privados e  que  a  emoção exposta,  faz parte de  todo o processo,  do  empenho  e  do compromisso social assumido e  cumprido pelo  presidente de incluir  na república, esse significativo  segmento  da sociedade  brasileira,que tanto  ajudou  a  construir sem  nunca usufruir das  riquezas do país.
Também prestando  conta do  trabalho  desenvolvido pela SEPPIR nesses  4  anos, reconhecendo  as limitações impostas  pela novidade do  órgão e pela  diversificação de  ações a  serem  realizadas,  Ribeiro disse  que o  grande  ganho, foi  o aprendizado da  construção conjunta,  na área  federal,  estadual  e municipal e principalmente  com  as lideranças  quilombolas que  sempre  lutaram pela inclusão. Lembrando  sua origem  humilde e  seu  caminhar em  uma sociedade excludente, a ministra afirmou que” não  tem  como  medir na história os  resultados alcançado, que  embora  não  sejam  os  desejáveis, consolidam  ações que  garantem a igualdade  de oportunidades que  com  certeza levarão à igualdade.

Presidente Reconhece Racismo
Depois de entregar o título de terra para os nove representantes de comunidades quilombolas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil precisa enfrentar o racismo "com unhas e dentes". Apesar de o país raramente admitir oficialmente a existência do racismo, o presidente defendeu a política de cotas e as políticas públicas de compensação da população negra.
"É preciso que a gente pare com essa bobagem de ter medo de enfrentar o racismo. Temos que enfrentá-lo com unhas e dentes, porque racismo e preconceito, na minha opinião, são duas doenças que não são apenas recicláveis, elas têm que ser abolidas", discursou o presidente e para  isso, "somente com enfrentamento e somente com o Estado tendo coragem de enfrentar a diversidade, não tendo nenhuma preocupação de dizer que vai garantir que mais meninas e meninos negros têm que entrar na universidade, de que é preciso as pessoas terem oportunidade de ter a mesma qualidade de salário que tem um branco que trabalha na mesma função, e oportunidade de garantir que as crianças possam, na escola, ter o mesmo nível de ensino que as outras", disse o presidente.

Convênios
Na oportunidade, houve também a assinatura dos convênios firmados entre, a Secretaria Especial de Políticas de Promoção para a Igualdade Racial (Seppir), o MDA a Fundação Cultural Palmares (FCP),Ministério de Meio Ambiente, Organizações Não Governamentais (ONGs) e Associações Quilombolas, visando o desenvolvimento de ações junto às comunidades quilombolas, além da assinatura do Termo de Cooperação Técnica entre o Incra, a Seppir, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), a Secretaria de Patrimônio da União (SPU) e a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) para desenvolvimento de ações de preservação ambiental e regularização fundiária

Lançamento de Publicação
Às  14 horas no  hotel Blue Tree Alvorada, a Ministra  fêz o lançamento da Revista “ Dia  da Consciência Negra- 35 anos”,  uma publicação comemorativa da Secretária  de Promoção da Igualdade Racial com  depoimentos de diversas personalidades que  ajudaram  a  construir esses  35  anos  de luta pela  igualdade  racial no Brasil.
Nesse  ato,  estiveram presentes, os  cantores,  Netinho de Paula, Leci  Brandão e Zézé Mota que  são  atuantes militantes  do  movimento  negro,  Leci  Brandão, inclusive  é membro  do Conselho Nacional de Promoção  da Igualdade Racial.