Jovens se mobilizam através de redes de articulação

 

Enfatizar a importância da luta contra o genocídio das juventudes afrodescendentes e indígenas é uma das metas da Renajun (Rede da Juventude Negra). Na Conferência Regional das Américas, ocorrida no final de julho, os jovens emocionaram os participantes ao apresentar suas impressões em relação ao tema.

“O século XXI é o século da reparação, por isso não devemos e nem podemos continuar somente produzindo documentos, participando de conferências, seminários e congressos, e sim enfatizar os acordos adotados entre as sociedades civis, os estados das Américas e os organismos de cooperação internacional, para promover a verdadeira igualdade racial”, salientou Thatiane Silva, delegada da sociedade civil do Brasil.

Apontamentos referentes à violência racial e a implementação de ações afirmativas foram alguns dos pontos mais evidenciados na apresentação dos jovens, que fizeram intervenções e manifestações sobre o assunto, como observou a coordenadora da Renajun em Salvador (BA), Maíra Azevedo.

“É preciso desenvolver práticas de relacionamento entre os processos organizacionais e diferentes dinâmicas que possibilitem realizar uma frente comum de trabalho para as violações aos diretos humanos, possibilitando uma melhor participação de todas as pessoas incluídas negativamente na sociedade, como os afrodescendentes, indígenas, migrantes, ciganos, pessoas com deficiência, portadores de HIV/AIDS, lésbicas, gays e pessoas transexuais nos mais variados espaços de decisão”, explica Martin Negrete, delegado jovem do Paraguai.

Contando com o apoio da SubAA (Subsecretaria de Políticas de Ações Afirmativas), a Renajun contabiliza 400 jovens negros mobilizados que atuam como formadores de multiplicadores de informações para garantir o acesso ao conhecimento dos direitos já assegurados por lei. O grupo, acompanhado pela consultora da SubAA Eloa Kátia Coelho, pretende estimular ações que possam gerar mudanças  comportamentais  da  sociedade para a redução dos índices de mortalidade juvenil na população  negra  e indígenas.

Novos passos
Representando uma das lideranças desse movimento jovem, Maíra Azevedo ressalta a importância do apoio da Seppir para a identidade e credibilidade desse trabalho que  está  sendo organizado em  cada  estado. A Campanha do Laço Laranja, que objetiva potencializar o debate sobre o genocídio destas juventudes e as ações afirmativas, principalmente no que diz respeito às cotas raciais nas universidades brasileiras foi entregue ao Relator da ONU, Doudou Diène, que prometeu incluir  esse  tema em  seu relatório final.
 
Diversidade
O movimento GBLTT (gays, bissexuais, lésbicas, travestis e transgêneros) também tem representantes na Renajun. Na Conferência Regional das Américas, o grupo expôs suas argumentações em plenária, reivindicou a visibilidade dos transexuais e transgêneros, além da implementação de medidas legais que combatam a homofobia. Segundo Maíra Azevedo, os estados da Bahia, São Paulo e Rio Grande do Sul, já possuem grupos organizados e colaboram em trabalhos de capacitação para transformar cada membro em potencial multiplicador da defesa dos direitos humanos e a garantia dos direitos sexuais e reprodutivos destas pessoas.