20 a 27 de novembro de 2004 - nº 015 – Ano I

 

 

Boletim informativo semanal da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial

 

 

20 de novembro

Dia Nacional da Consciência Negra

 

 

 

Sonhei... que Zumbi dos Palmares voltou

A tristeza do negro acabou

Foi uma nova redenção!

 

Hoje, dentro da realidade

Onde está a liberdade?

Onde está que ninguém viu?

 

Moço, não se esqueça que o Negro também construiu

As riquezas do nosso Brasil

 

Samba-Enredo da Estação Primeira de Mangueira - 1988

100 anos de liberdade, realidade ou ilusão? (Hélio Turco, Jurandir, Alvinho)

Nesta edição:

 

 

Show de 20 de Novembro, no RJ, abre Campanha pela Diversidade (Leia mais)

 

 

Missa dos Quilombos apresenta em Brasília a moderna escravidão (Leia mais)

 

Jogos Indígenas em Porto Seguro

(Leia mais)

 

Cinema e colóquio sobre Abdias

(Leia mais)

 

Ministério da Saúde explica campanha contra a dengue no dia 20 (Leia mais)

 

 


 

Show de 20 de Novembro - Dia Nacional da Consciência Negra, no RJ, abre Campanha pela Diversidade

 

 

Festa num dos mais tradicionais cartões-postais cariocas para o lançamento da Campanha da Diversidade.  Cidade Negra, Leci Brandão e Gabriel Moura se apresentam no sábado (20) – Dia Nacional da Consciência Negra, a partir das 20h, nos Arcos da Lapa, marcando o início da campanha promovida pelo Movimento pela Diversidade, formado por entidades da sociedade civil em parceria com o Governo Federal, por meio da Seppir (Secretaria Especial de Promoção de Políticas da Igualdade Racial). A Campanha da Diversidade inclui um conjunto de ações com o objetivo de sensibilizar dirigentes das instituições públicas e privadas e a opinião pública em geral para a adoção de políticas de diversidade e de inclusão social.

 

O foco da campanha será o combate à exclusão social, étnica e racial, com propostas que melhorem as condições e as oportunidades de ingresso, em todas as instâncias sociais, de  grupos socialmente desfavorecidos, especialmente negros e indígenas. A idéia é mobilizar artistas, intelectuais, empresários e outros segmentos da sociedade formadores de opinião para a adesão voluntária à Campanha da Diversidade.

 

A exclusão dos negros no mercado de trabalho é patente. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indicam que a taxa de desemprego entre negros é maior que entre brancos. Dentre os trabalhadores que estão empregados, os brancos chegam a receber em média o dobro do que recebem os negros. Na região metropolitana de São Paulo, por exemplo, a maior do País em número absoluto de negros entre a população economicamente ativa (cerca de 2,9 milhões), a taxa de desemprego entre brancos é de 13,1%. Entre os negros, de 18,4%. Enquanto os brancos empregados recebem em média aproximadamente R$ 1.176,00, a média salarial dos negros é de R$ 560,00.

 

Celebração - Num dia de muitas festas no Rio de Janeiro, uma homenagem especial a Zumbi: ativismo, comemoração e reflexão no Ponto Chic de Padre Miguel (rua Figueiredo Camargo - Padre Miguel - Rio de Janeiro/RJ). Às 12h30 será inaugurado o busto de Zumbi, com a participação no evento da Secretária Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, ministra Matilde Ribeiro. Em seguida, as baianas da Mocidade Independente de Padre Miguel preparam uma feijoada para cerca de 5000 pessoas. Haverá muita música - samba de raiz, hip hop, pagode, rap e funk - e a presença da comunidade. Mais Informações pelo site www.acordazumbi.com.

 

 

 

Lançamento da Campanha da Diversidade – Show da Diversidade, com Cidade Negra, Leci Brandão e Gabriel Moura

Data: 20 de novembro

Horário: a partir das 20h

Local: Arcos da Lapa (Bairro da Lapa – Rio de Janeiro / RJ)

Entrada franca

 

 

 

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Missa dos Quilombos, com nova montagem, apresenta em Brasília a moderna escravidão

 

A escravidão no palco, entre uma turbina de avião e dezenas de máquinas industriais. É a Missa dos Quilombos, que volta repaginada, com direção de Luiz Fernando Lobo, mais de duas décadas depois da sua primeira celebração. O espetáculo estará em cartaz no Teatro Nacional Plínio Marcos, em Brasília, entre os dias 26 e 28 de novembro, trazendo consigo a denúncia do trabalho desumano, pelos textos de Pedro Tierra e D. Pedro Casaldáliga e música de Milton Nascimento.

 

A primeira montagem da Missa dos Quilombos estreou em 1981, com encenação em frente à Igreja do Carmo, no Recife, mesmo local onde, em 1965, a cabeça de Zumbi foi exposta, cravada numa estaca, após o líder negro ser assassinado no cerco ao quilombo dos Palmares, promovido pelo bandeirante Domingos Jorge Velho.

 

Missa dos Quilombos – divulgação (www.ensaioaberto.com)

 

A nova montagem, que desembarca em Brasília com o apoio da Seppir (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial) foi idealizada pela Cia. Ensaio Aberto, do Rio de Janeiro, e faz da menção ao passado escravista do País uma referência para tratar de um tema que, passam-se os anos, insiste em se manter universal, reforçando uma noção que já se encontrava na montagem original: a de que a exploração de populações marginalizadas toca aos mais diversos grupos sociais. O elenco, que inclui de negros a descendentes de índios, faz par com a frase do dramaturgo alemão Heiner Muller, que a Cia. Ensaio Aberto faz questão de realçar durante o espetáculo: “meus cúmplices são os negros de todas as raças”.

 

Do projeto original, integram a nova montagem o diretor musical Túlio Mourão, compositor e arranjador mineiro, e o diretor de percussão Robertinho Silva, carioca dedicado à pesquisa musical. A cenografia e os figurinos, de Cláudio Moura e Beth Dilipecki, respectivamente, foram baseados em fotos de João Carlos Ripper e Sebastião Salgado.

 

 

 

 

Missa dos Quilombos

Data: de 26 a 28 de novembro

Horário: sexta-feira e sábado, às 21h. Domingo, às 18h.

Local: Teatro Nacional Plínio Marcos

(Complexo Cultural da Funarte em Brasília - Setor de Divulgação Cultural, Lote 2. Eixo Monumental – Brasília/DF. Telefones: (61) 223-2441/5513)

Preço: R$15, com 50% de desconto para estudante.

 

 

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Jogos dos Povos Indígenas mesclam cultura e participação política em Porto Seguro

 

 

Cerca de 1000 índios, de 60 etnias de todo o Brasil, se reúnem para a realização da 7a edição dos Jogos dos Povos Indígenas, entre os dias 20 e 27 de novembro. Futebol, arco-e-flecha, arremesso de lança, cabo de força, corrida (100 e 5000 metros) e corrida de tora estão entre as modalidades.  Uma grande aldeia, com mais de trinta ocas e uma arena, foi erguida para abrigar o encontro, nas proximidades da Reserva da Jaqueira, a 12 quilômetros de Porto Seguro (BA). Índios das Guianas Francesa e Inglesa, do Peru, do Canadá e dos Estados Unidos acompanham os Jogos.

 

A novidade desta 7a edição é o Fórum Social Indígena, que vai debater, paralelamente aos Jogos, os problemas enfrentados por esses povos. O encontro será entre os dias 22 e 24, em Porto Seguro, e será uma prévia do Fórum Social Mundial de 2005, em Porto Alegre.

A Seppir (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial) participa, na quarta-feira (24), da mesa geral composta também por representantes do Minc (Ministérios da Cultura), do MEC (Ministério da Educação) e ME (Ministério do Esporte), que debaterá com os índios as ações do Governo Federal direcionadas a eles.

 

Para a Secretária Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, ministra Matilde Ribeiro, além da importância cultural dos Jogos, o que também está em evidência durante o evento é a participação política dos índios. “Se a questão crucial para os Jogos dos Povos Indígenas começou sendo a demarcação e homologação das terras, hoje ela é acompanhada de outros elementos, como o desenvolvimento sustentável e, fundamentalmente, a auto-estima e a identidade cultural indígenas”, afirma a ministra.

 

Durante os Jogos, os índios farão homenagens póstumas ao diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, morto em atentando terrorista no Iraque, onde trabalhava como enviado da ONU (Organização das Nações Unidas), em 2003, e ao sertanista Apoena Meirelles, ex-presidente da Funai, assassinado em outubro deste ano. Os índios também homenagearão o cantor e compositor Caetano Veloso, os antropólogos Pedro Agostinho e Maria do Rosário e Lairton Gomes Goulart, prefeito de Bertioga, cidade que promove a Festa Nacional do Índio. No dia 25, às 18h, na Arena da Reserva de Jaqueira, todos se unem às vigorosas batidas dos tambores do Ilê Ayiê para a Celebração à Mãe Terra, em ação conjunta entre os dos povos indígenas e afrodescendentes.

 

Os Jogos Indígenas são realizados pelo Ministério do Esporte desde 1996 e contam com o apoio dos governos estaduais, da Funai (Fundação Nacional do Índio), Funasa (Fundação Nacional de Saúde) e Seppir. A organização do evento é do Comitê Intertribal.

 

 

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Cinema e colóquio evidenciam o negro na arte e na obra de Abdias Nascimento

 

 

Esta semana, a exposição Abdias Nascimento 90 Anos - Memória Viva, convida a todos para uma observação do negro, nas diversas formas como já foi representado nas telas de cinema pela produção nacional. Isso será possível graças à mostra A Imagem do Negro no Cinema Brasileiro, que apresenta, entre os dias 22 e 24, quatro filmes, e promove debates com os diretores.

 

A primeira exibição, na segunda-feira (22), às 18h30, é de Rio 40 Graus (1955), de Nelson Pereira dos Santos. Logo após a exibição do filme, haverá debate com personalidades reconhecidas tanto no mundo da sétima arte quanto na questão racial: estarão presentes, além do diretor Nelson Pereira dos Santos, o professor Miguel Pereira (PUC/Pontifícia Universidade Católica-RJ) e o cineasta Joel Zito Araújo. Elisa Larkin Nascimento (Ipeafro - Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros) será a mediadora.

 

Na terça-feira, também às 18h30, será exibido Castro Alves (1999), de Sílvio Tendler. O debate será entre o diretor Sílvio Tendler, Felipe Muanis (PUC-Rio) e Júlio César Tavares (UFF – Universidade Fedral Fluminense). Uelinton Alves (Ipeafro) será o mediador.

 

Na quarta-feira (24) a exibição de 6 Histórias Brasileiras: Família Braz (2001), de Arthur Fontes e Dorrit Harazim, inicia a programação, às 15h. Em seguida, às 18h30, será exibido Chico-Rei (1985), de Walter Lima Jr. O diretor se junta a Angelúcia Habert (PUC-Rio) e Carlos Alberto Medeiros (Ipeafro) para o debate. O mediador será Miguel Pereira.

 

Abdias - Nos dias 25 e 26, vida e obra de Abdias Nascimento serão evidenciadas no Colóquio Ancestralidade Africana e Cidadania: O Legado Vivo de Abdias Nascimento.

 

A Secretária Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, ministra Matilde Ribeiro, compõe a mesa de abertura do evento, no dia 25, às 9h, juntamente com o professor Anani Dzidzienyo (Universidade Brown, EUA) e representantes do Arquivo Nacional, da PUC-Rio e do Ipeafro.

 

A mostra multimídia Abdias Nascimento 90 Anos – Memória Viva permanece aberta até 30 de Janeiro de 2005, no Arquivo Nacional (praça da República, 173 – Centro – Rio de Janeiro/RJ). O horário de visitação é de segunda a sexta-feira, das 10 às 18h. Visitas monitoradas acontecem das 10 às 12h e 14h às 16h. Mais informações e a programação completa podem ser obtidas pelo telefone (21) 3806-6173, ou pelo site www.abdias.com.br.

 

 

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Ministério da Saúde explica adoção da campanha contra a dengue em 20 de novembro

 

Após a polêmica criada em torno da escolha do 20 de novembro como Dia Nacional de Mobilização de Combate à Dengue, o Ministério da Saúde, em conseqüência do diálogo estabelecido com a Seppir (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), divulgou nota na última sexta-feira (19) explicando os motivos da decisão. A coincidência entre a campanha do ministério e a celebração do Dia Nacional da Consciência Negra causou reações do movimento negro da sociedade civil, que considerou que a campanha contra a dengue ofuscaria a data dedicada à memória de Zumbi dos Palmares. Na nota, o diretor-técnico de gestão do Ministério da Saúde, Fábio Geraldo Pimenta Júnior, afirma que o dia da campanha foi antecipado para o terceiro sábado de novembro (20), ao invés do último (27), como seria a prática definida em portaria no ano de 2003, pois haveria uma proximidade muito grande com o Dia Mundial da Luta Contra a AIDS (1o /12). O diretor garante que, na edição de 2005, o Dia Nacional de Mobilização de Combate à Dengue não coincidirá novamente com o Dia Nacional da Consciência Negra. Leia, a seguir, a íntegra da nota.

 

 

 

MINISTÉRIO DA SAÚDE

SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE

DIRETORIA DE GESTÃO

Esplanada dos Ministérios, Edifício Sede, 1º andar, Ala Norte

70.058-900 Brasília-DF

Tel. 315 3706/3777

 

 

NOTA TÉCNICA N.º 191/04/DIGES/SVS/MS

 

Assunto: Dia Nacional de Mobilização Contra a Dengue

 

A dengue é um dos principais problemas de saúde pública no mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 80 milhões de pessoas se infectem anualmente, em 100 países, de todos os continentes, exceto a Europa. Cerca de 550 mil doentes necessitam de hospitalização e 20 mil morrem em conseqüência da dengue.

 

O mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti, encontrou no mundo moderno condições muito favoráveis para uma rápida expansão, pela urbanização acelerada que criou cidades com deficiências de abastecimento de água e de limpeza urbana; pela intensa utilização de materiais não-biodegradáveis, como recipientes descartáveis de plástico e vidro; e pelas mudanças climáticas.

 

O Brasil conta atualmente com mais de 3.700 municípios infestados pelo Aedes aegypti, com a circulação simultânea de três sorotipos do vírus (DEN-1, DEN-2 e DEN-3) em 23 estados da federação, o que representa um potencial para a ocorrência de epidemias se as medidas de prevenção e controle não forem continuadas.

 

O Governo Federal implantou, em julho de 2002, o Programa Nacional de Controle da Dengue, estabelecendo uma nova estratégia de controle, com a incorporação de  novos elementos como a mobilização social e a participação comunitária, indispensáveis para responder de forma adequada a um vetor altamente domiciliado.

 

Nesse sentido, por intermédio da Portaria nº 1.934/2003, foi instituído o Dia Nacional de Mobilização Contra a Dengue, a ser realizado em um sábado do mês de novembro, preferencialmente o último sábado desse mês.

 

No ano de 2004, foi estabelecido o terceiro sábado, dia 20 de novembro, pelo fato do último sábado desse mês ser o dia 27, muito próximo ao Dia Mundial de Luta contra a AIDS (Dia 1º de dezembro), outro grave problema de saúde pública e que também exige a mobilização de toda a população, assim como das  Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde.

 

Reafirmamos que a Secretaria de Vigilância em Saúde não pretende sobrepor ou esvaziar o Dia da Consciência Negra, informando que esse dia será considerado quando do estabelecimento do Dia Nacional de Mobilização Contra a Dengue para o ano de 2005.

 

 

Brasília, 18 de novembro de 2004.

 

Fabiano Geraldo Pimenta Júnior

Diretor Técnico de Gestão

 

 

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Assessoria de Comunicação Social da Seppir

Jornalista Responsável: Cláudio Eugênio

Editoração Eletrônica: Osmar Camelo

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