09 a 16 de Outubro de 2008 Edição nº 162 - ano 04
Estatuto da Igualdade Racial e a II Conferência Nacional são pauta da reunião extraordinária do CNPIR
CSEPPIR defende posição das comunidades quilombolas em evento sobre mineração de pequena escala
 
Dez dias de prática feminista
Entre os dias 10 e 20 de outubro, os grupos Jovens Feministas de São Paulo, Articulação Brasileira de Jovens Feministas e Rede Latino- Americana e Caribenha de jovens pelos direitos sexuais e reprodutivos (REDLAC) irão promover uma série de atividades sobre feminismo, captação de recursos, arte, saúde e sexualidade. A sede do evento será o hotel Panamericano, na Rua  Augusta, centro de São Paulo. São parceiros da iniciativa: SEPPIR, FASE, Fundação Kellog, Fundo Ângela Borba, UNIFEM Cone Sul, FES, Ação Educativa e Mamacash. Programação.
Mulheres Negras
O Grupo de Mulheres Negras Nzinga Mbandi, em parceria com a Coordenadoria  Especial de Igualdade Racial de Sumaré (SP), realiza nos dias 7 e 8 de novembro o VIII Encontro Estadual de Mulheres Negras. Mais informações pelos telefones (19) 3883-6234/ 6292.
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Estatuto da Igualdade Racial e a II Conferência Nacional são pauta da reunião extraordinária do CNPIR para imprimir, clique aqui.
O Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR) promoveu na terça e quarta-feira desta semana (07 e 08/10) reunião extraordinária de seus conselheiros com uma extensa pauta de discussões. Entre os temas principais estavam o Regimento Interno da CNPIR, o Estatuto da Igualdade Racial, o Plano de Promoção da Igualdade Racial (PLANAPIR), a II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CONAPIR) e o calendário nacional de atividades para o Dia Nacional da Consciência Negra.

A mesa que tratou do Estatuto da Igualdade Racial foi composta pela secretária-executiva da CNPIR, Oraida Abreu, pelos assessores parlamentares da SEPPIR, Benedito Cintra e Ernesto Luiz Pereira Filho, e contou ainda com a participação do secretário-adjunto da Secretaria, Eloi Ferreira de Araújo. Seguido de um breve histórico feito pela Assessoria Parlamentar das propostas voltadas para a promoção da igualdade racial e do momento político favorável para sua implantação, o secretário-adjunto destacou a importância do Estatuto na consolidação desses direitos e de ações afirmativas já existentes. Além disso, destacou o esforço da Secretaria em reunir as condições para a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial ainda este ano.

O Conselho decidiu levar as discussões desses temas nas diversas regiões dos estados brasileiros a fim de buscar o apoio das entidades da sociedade civil para sua aprovação no Congresso.

Um dos temas centrais tratado na reunião extraordinária do CNPIR foi a organização da II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (II Conapir) - marcada para maio de 2009 – e as diretrizes do Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Planapir).  Nesta etapa, participaram o subsecretário de planejamento e formulação de políticas da SEPPIR, Martvs das Chagas, o subsecretário de políticas de ações afirmativas, Gioanni Harvey e a chefe de gabinete, Sandra Cabral. A reunião também contou com a presença do ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, que abordou os desafios do Conselho no ambiente da SEPPIR e destacou a importância das atividades em todo Brasil da comemoração do Dia Nacional da Consciência Negra, em 20 de novembro.

Saiba mais sobre o projeto do Estatuto da Igualdade Racial – O projeto reúne um conjunto de ações e medidas que vão assegurar direitos fundamentais à população negra, como o acesso universal e igualitário ao Sistema Único de Saúde (SUS); o respeito à liberdade de consciência, de crença e livre exercício dos cultos e religiões de matrizes africanas praticadas no Brasil; a implantação do sistema de cotas raciais para o ingresso nas universidades públicas, que buscará corrigir as inaceitáveis desigualdades que marcam a educação brasileira; e a garantia aos remanescentes de quilombos, segundo dispositivos de lei, da propriedade definitiva das terras que ocupam. Estarão asseguradas ainda a herança cultural e a participação dos negros brasileiros na história do país através de produção veiculada pelos órgãos de comunicação, além da inclusão da disciplina “História Geral da África e do Negro no Brasil”, no currículo do ensino fundamental e médio, público e privado, entre outras medidas.

O Estatuto é um conjunto de ações afirmativas, reparatórias e compensatórias. Para o ministro Edson Santos, sua aprovação representará um marco na luta contra o racismo. “Ele é um divisor de águas na nossa história. O Estatuto da Igualdade Racial será a consolidação dos direitos da população negra no Brasil e das responsabilidades do Estado, no sentido mais amplo da palavra, para com a promoção da igualdade e a erradicação das desigualdades e discriminações. É importante frisar que essa luta não é apenas dos movimentos negros, mas de todo movimento democrático e anti-racista deste país, de todos os inconformados com o quadro de desigualdade que ainda vige no Brasil”, ressalta o ministro.

Em março deste ano a Câmara dos Deputados instalou uma comissão especial encarregada de analisar o projeto. A metodologia adotada pela Comissão Especial permite que os parlamentares tenham foco no debate; dá condição à Câmara de ouvir segmentos da sociedade civil, lideranças e intelectuais sobre o conteúdo do projeto; e permite, assim, uma mobilização ampla em torno de um tema que é o grande desafio do século XXI no que se refere à temática da igualdade racial.
SEPPIR defende posição das comunidades quilombolas em evento sobre mineração de pequena escala para imprimir, clique aqui.
Há oito anos a entidade Communities and Small Scale Mining – CASM (Comunidade e Mineração em Pequena Escala), com apoio do Banco Mundial, realiza conferências para a troca de experiências entre profissionais dos governos e das agências internacionais com representantes de empresas mineradoras, pequenos produtores minerais, acadêmicos e organizações não governamentais interessadas no assunto, objetivando aprimorar as políticas para o apoio e fomento dessa importante atividade extrativa.

O Brasil é a sede da oitava Conferência da CASM, até 12 de outubro, com o tema “Mineração para o Desenvolvimento”, que reúne mais de 150 participantes de todo o mundo. Nessa edição a CASM conta com o apoio do Ministério de Minas e Energia, através da Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral.

Quilombolas – A partir da constatação de que várias comunidades remanescentes de quilombos  possuem no subsolo de seus territórios históricos pedras preciosas, ouro, diamantes e outros minerais com valor comercial, a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial decidiu incorporar-se a este debate.

As riquezas minerais, em muitos casos, são exploradas de forma predatória, sem os devidos cuidados para a manutenção do meio ambiente e do modo tradicional de vida das comunidades quilombolas. E as comunidades acabam não tendo nem o retorno financeiro nem as contrapartidas sociais que poderiam existir a partir desta atividade.

Práticas comuns aos quilombolas de todo o Brasil, como a pesca, o extrativismo, entre outras atividades nas esferas da cultura, da subsistência e da vida comunitária, ficam comprometidas com a mineração predatória.

Durante o encontro, a SEPPIR debateu alternativas para reduzir os efeitos ambientais e sociais da exploração de pequena escala e, simultaneamente, buscar mecanismos para que as comunidades remanescentes de quilombos tenham retorno com a exploração mineral. O conceito e a vida dos quilombolas são coletivos. O objetivo é determinar um formato que permita um ganho dos benefícios das riquezas do subsolo para as comunidades como um todo.

“Ao Governo brasileiro não interessa criar conflitos artificiais no campo. É evidente que o espaço dos quilombolas tem que ser respeitado. E é evidente também que nós temos a obrigação de assistir a estas comunidades. Sem deixar de respeitar, no entanto, aqueles que com responsabilidade produzem no campo. É possível chegarmos a um termo de entendimento nessa questão. E nesse sentido ressalto a importância do evento para aprofundar o debate e chegar a um consenso progressivo sobre o tema”, afirmou o ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, que é representado na Conferência pelo subsecretário de Políticas para Comunidades Tradicionais, Alexandro Reis.

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