de 21 de Setembro a 04 de Outubro de 2007 nº 123 - ano 03
Aspectos jurídicos e ações afirmativas serão debatidos em São Paulo nesta segunda-feira, 1/10
Movimento Negro entrega documento com 100 mil assinaturas para aprovação do Estatuto da Igualdade Racial
Gestores de igualdade racial promovem jornada de articulação política em Brasília
Mais de 500 quilombolas reafirmam seus direitos em Brasília
CNPIR faz a última reunião da gestão 2004-2007
Igualdade Racial no RJ
Na quinta-feira (4), acontece o 1º Encontro Intergovernamental de Igualdade Racial da Região dos Lagos, em Cabo Frio (RJ). O ponto alto da ocasião será a adesão do município ao Fipir (Fórum Intergovernamental de Promoção da Igualdade Racial), quando o prefeito Marquinho Mendes fará o anúncio de um conjunto de medidas para promoção da igualdade racial. O evento, que se inicia às 11h no Tamoio Esporte Clube (avenida Nilo Peçanha 153 – Centro), terá a presença da ministra Matilde Ribeiro, da secretária estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Benedita da Silva, e da superintendente de Promoção da Igualdade Racial do Estado do Rio de Janeiro, Maria Ceiça.
Visita ao Rio Grande do Sul
Em visita ao Rio Grande do Sul, nos dias 2 e 3 de outubro, a ministra Matilde Ribeiro participará de audiência pública na Assembléia Legislativa, na capital gaúcha, referente à implementação da lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino da história e cultura africana e afro-brasileira. Ainda no primeiro dia (2/10), a ministra da Igualdade Racial terá audiência com o reitor da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), José Henemann, e integrantes do Grupo de Trabalho pelas Ações Afirmativas. Também no primeiro dia de estada em Porto Alegre, Ribeiro estará em audiência pública na Câmara Municipal referente à revitalização do Largo Zumbi dos Palmares, localizado na região central da cidade. Na quarta-feira (3), a ministra segue para Pelotas, onde terá reunião com representantes dos clubes negros gaúchos. No retorno à capital, ela segue para o Vale dos Sinos, quando conversará em jantar, na cidade de São Leopoldo, com prefeitos da região.
Trabalho e Cone Sul
De 2 a 4 de outubro, acontece em Montevidéu (Uruguai) a oficina “Tripartismo e Igualdade de Oportunidades no Cone Sul", organizada pelos escritórios da OIT no Chile, Argentina e Brasil, Centro Internacional de Formação de Turismo e o Ministério de Trabalho do Uruguai. A Seppir estará representada pelo gerente de Projetos Jorge Carneiro.
Coalizão contra o Racismo
A chefe de Gabinete Sandra Teixeira participou, de 24 a 26 de setembro, do evento Coalizão Latino-americana e Caribenha de Cidades contra o Racismo, a Discriminação e a Xenofobia, em Montevidéu (Uruguai) a convite da Unesco Brasil. A representante da Seppir expôs o trabalho da Secretaria no painel "As Políticas contra a Discriminação em América Latina e o Caribe".
Jornalistas afro-brasileiros
Na segunda-feira, 24 de setembro, coordenadores das Cojiras (Comissões de Jornalistas pela Igualdade Racial) São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Alagoas e do Núcleo de Jornalistas Afro-brasileiros do Rio Grande do Sul estiveram em Brasília para discutir o projeto apresentado em 2006, pelo grupo do Rio Grande do Sul, de realização do 1º Encontro Nacional de Jornalistas Afro-brasileiros. Estiveram presentes à reunião com o secretário-adjunto, Martvs das Chagas, e a Assessoria de Comunicação Social da Seppir, as jornalistas Rosane Borges (São Paulo), Sandra Martins (Rio de Janeiro), Sionei Leão (Distrito Federal), Valdice Gomes (Alagoas) e Jeanice Ramos (Rio Grande do Sul). No encontro, a Seppir reiterou o compromisso de realização do projeto, prevendo a articulação com a Imprensa Negra, comunicadores da Mídia Negra e parceiros como a Fenaj (Federação Nacional de Jornalistas).
Regularização fundiária
O presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo, divulgou na segunda-feira, 24 de setembro, o resultado da sindicância que investigou supostas fraudes no processo de registro do auto-reconhecimento de comunidades remanescentes de quilombos. A investigação interna tinha sido motivada por reportagens na imprensa sobre o processo relativo a uma comunidade quilombola na Bahia. De acordo com Zulu, a comissão de sindicância conversou com autoridades, dirigentes anteriores da própria Palmares e representantes do estado da Bahia que participaram do processo. A comissão também foi a Paraguaçu, conversou com moradores e acompanhou a elaboração do laudo antropológico, junto ao Incra. O registro do auto-reconhecimento dos quilombolas é feito em um cadastro da Palmares, porém a iniciativa para pedir esse registro parte dos próprios quilombolas, conforme a Convenção 169, da Organização Internacional do Trabalho, da qual o Brasil é signatário. Esse documento estabelece o compromisso do país com os direitos de comunidades tradicionais. Afora o registro no cadastro da Palmares, há, em paralelo, um processo para a titulação da terra, o qual é realizado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Há poucas dezenas de comunidades já tituladas, e cerca de 500 processos em andamento. Fonte: Agência Brasil.
Indígenas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou em 21 de setembro em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, a Agenda Social dos Povos Indígenas, também chamado de PAC Social dos Povos Indígenas. Por meio da agenda do povos indígenas, o governo investirá R$ 505,7 milhões até 2010. Desse total, R$ 200 milhões virão da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e o restante, da Fundação Nacional do Índio (Funai). A agenda está estruturada em três programas: Proteção das Terras Indígenas, Promoção dos Povos Indígenas e Qualidade de Vida dos Povos Indígenas. Dentre as ações, estão a demarcação de 127 terras indígenas, indenização e reassentamento de 9 mil famílias de trabalhadores rurais ocupantes de terra indígena, recuperação dez mil hectares de áreas degradadas e criação de territórios da cidadania, começando pelas áreas Alto Rio Negro, Vale do Javari e Raposa Serra do Sol. Também estão previstos documentar e fortalecer línguas indígenas ameaçadas de extinção, implantar pontos de cultura e fomentar projetos econômicos de geração de renda e auto-sustentação. Na mesma cerimônia, foi assinado protocolo de intenção entre o Ministério dos Transportes e o Comando do Exército, no valor de R$ 10 milhões, para obras de conservação na rodovia BR-307, no trecho São Grabriel da Cachoeira e Pupui. Fonte: Agência Brasil.
Mulher e Mídia
A Seppir participou, nos dias 22 e 23 de setembro, do seminário “A Mulher e a Mídia 4”, promovido pela SPM (Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres), Unifem (Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento da Mulher) e Instituto Patrícia Galvão no Rio de Janeiro. Pesquisadores, ativistas sociais e jornalistas debateram a relação da imprensa e as mulheres, com destaque para a produção de conteúdo e seus efeitos no imaginário social, a presença das mulheres nas redações, o poder econômico no mundo das comunicações e a cobertura jornalística dos fatos e acontecimentos nacionais.
Religiões matriz africana
O Núcleo Cultural Nìger Okàn, filiado à Conen (Coordenação Nacional das Entidades Negras), através de convênio com a Seppir está promovendo os “Seminários Regionais de Comunidades das Religiões de Matriz Africana” com foco em políticas públicas, direitos humanos e fortalecimento institucional. No mês de setembro, o seminário ocorreu em Belém, no período de 20 a 23, tendo como participantes da Seppir o subsecretário de Planejamento e Formulação de Políticas, Carlos Eduardo Trindade, e o gerente de Projetos Jorge Carneiro, os quais abordaram os temas “Explanação sobre o Fórum Intergovernamental de Promoção da Igualdade Racial-FIPIR” e “ A SEPPIR e a Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial”. O próximo evento do circuito será de 18 a 21 de outubro no Rio de Janeiro, quando será concluída a programação que já envolveu a cidade de Cuiabá (Região Centro-Oeste) e Natal (Região Nordeste).
Consciência negra na sala de aula O Programa de Reflexões e Debates para a Consciência Negra, uma experiência de aplicação da Lei 10.639/03, realizou no dia 25 de setembro a palestra pública com “As Religiões e o Meio Ambiente” no colégio estadual Profa. Sousa da Silveira na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Entre os palestrantes, frei Athaylton Belo, pastor Fábio Miguel e prof. Jaime Pacheco. OPrograma de Reflexões e Debates para a Consciência Negra é coordenado pela profa. Carla Lopes. Informações: programa.rdcn@gmail.com
 
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Não só falando ou contando histórias, mas ouvindo o outro contar também outras histórias, ouvindo a voz do outro, o homem partilha suas impressões sobre a vida e discute as questões que ocorrem a sua volta
Gregório Filho
Aspectos jurídicos e ações afirmativas serão debatidos em São Paulo nesta segunda-feira, 1/10 para imprimir, clique aqui.
Grupo reúne-se mensalmente e discute temas afins à política de igualdade racial
Foto: Ori Wani/CCMN
Encontro terá a presença do jurista Fábio Konder Comparato e da ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, entre outros especialistas

O terceiro encontro do ciclo de debates “Ações afirmativas: estratégias para ampliar a democracia” será realizado nesta segunda-feira, 1º de outubro, das 9h às 13h, no Hotel Pestana (Rua Tutóia, 77, Jardim Paulistano), em São Paulo.  “Aspectos jurídicos e igualdade racial” é o tema que deve reunir especialistas em direito para analisar os aspectos legais das ações afirmativas voltadas à inclusão de negros e outros grupos raciais discriminados e também a promoção da igualdade racial na área da segurança pública.

Participam da mesa como expositores o jurista Fábio Konder Comparato, o procurador-geral do Estado da Bahia, Lidvaldo Reaiche Raimundo Britto, o diretor-geral da Polícia Federal , Luiz Fernando Corrêa, e, como comentarista, o mestrando em Direito João Jorge Rodrigues, integrante do grupo cultural Olodum. A representante da Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong) Sônia Maria Pereira Nascimento coordenará o trabalho.

Governo e sociedade civil
O ciclo de debates foi iniciado em agosto, sob a coordenação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir) e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC-SP), com o apoio de várias entidades governamentais e não governamentais. O propósito do evento é aprofundar debates e reflexões sobre a realidade socioeconômica brasileira, assim como sobre o desenvolvimento das políticas de inclusão social e promoção da igualdade racial.

A iniciativa, portanto, busca promover a interlocução do governo federal com representantes de diversas instituições públicas e privadas. A partir das discussões, a idéia é que os participantes elaborem textos que serão publicados posteriormente com o intuito de fortalecer as políticas de ações afirmativas e debatê-las com a sociedade. Também serão realizados audiovisuais para exibição pública.

Apóiam o projeto Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea); Ministério da Cultura(MinC)/Fundação Cultural Palmares (FCP); Ministério das Relações Exteriores (MRE); Ministério de Educação (MEC)/Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad); Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom); Ministério da Justiça (MJ); Agência de Notícias dos Direitos dos Direitos da Infância (Andi);  Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong); Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN); Fundação Friedrich Ebert; Fundação João Mangabeira; Fundação Perseu Abramo (FPA); e o Instituto Maurício Grabois.

Ciclo de Debates "Ações afirmativas: estratégias para a ampliar a democracia"
Terceiro Encontro - Aspectos jurídicos como base para as políticas de igualdade racial
Data: 1º de outubro de 2007, segunda-feira
Horário: das 9h às 13h
Local: Hotel Pestana (rua Tutóia nº 77 - Jardim Paulistano) - São Paulo/SP

Movimento Negro entrega documento com 100 mil assinaturas para aprovação do Estatuto da Igualdade Racial para imprimir, clique aqui.
Ministra Matilde Ribeiro recebe, na Seppir, comitiva do Fórum de São Paulo pela Igualdade Racial
Foto: Divulgação Seppir
Comitiva com cerca de 50 pessoas reunidas no Fórum São Paulo pela Igualdade Racial estiveram em Brasília, na última quinta-feira (27), para manifestar apoio ao Estatuto da Igualdade Racial e entregar um abaixo-assinado com 100 mil assinaturas favoráveis a sua apreciação e aprovação no Congresso Nacional.
Pela manhã, em audiência com a ministra Matilde Ribeiro, o grupo anunciou a conquista de 100 mil assinaturas durante três meses de mobilização e o objetivo de obtenção de 1 milhão de apoiadores ao projeto. A ministra da Igualdade considerou como estratégica e oportuna a mobilização do Fórum São Paulo pela Igualdade Racial e conclamou o envolvimento de outros setores da sociedade civil na mobilização em torno da aprovação do Estatuto da Igualdade Racial. “É fundamental essa articulação com outros grupos negros e não-negros, engajados na luta anti-racista. Entre os desafios estão o crescimento dessa articulação conjunta e a busca de diálogos e mais apoiadores”, disse Ribeiro.

Ao lado da ministra, o secretário-adjunto, Martvs das Chagas, o subsecretário de Políticas de Ações Afirmativas, Alexandro Reis, o assessor de Projetos Especiais, Antônio da Silva Pinto, e a coordenadora de Agenda, Ivonete Carvalho, assumiram o compromisso de interlocução e articulação junto ao Poder Executivo. “Cada gesto fortalece a política de igualdade racial. Quando a sociedade civil se mobiliza, muda a configuração e a política ganha força”, apontou Martvs das Chagas.

Jornalista responsável da agência de notícias Afropress, Dojival Vieira, salientou a importância da atuação da Seppir para que o Estatuto da Igualdade Racial seja levado à pauta de votação, bem como a sua aprovação na Câmara dos Deputados. “A Seppir precisa encampar esse movimento e liderá-lo nacionalmente. Consideramos esse momento decisivo e a Seppir é a nossa bandeira na Esplanada dos Ministérios”, disse o jornalista. Para o vice-prefeito de Sarandi (PR), José Aparecido da Silva,  a mobilização para aprovação do Estatuto da Igualdade Racial deve ser expandida, pois representa um marco da luta contra o racismo no Brasil.
Conforme apontado pela ministra Matilde Ribeiro na segunda-feira, 1º de outubro,  o secretário-adjunto, Martvs das Chagas, se reunirá na capital paulista com a comitiva do Fórum São Paulo pela Igualdade Racial, para tratar de ações comuns.

Articulações
Recém-chegado de audiência com a presidenta do STF (Supremo Tribunal Federal), ministra Ellen Gracie Northfleet, Frei Leandro do Educafro (Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes) partilhou sua satisfação pelo apoio demonstrado pela magistrada. “A presidenta Ellen Gracie mostrou-se sensível e nos disse que os cursos de magistratura serão incrementados com a discussão racial; e a lei 10.639/03 será base para esse conteúdo nos cursos”, informou o frei.

Membro efetivo da Comissão do Negro e de Assuntos Anti-discriminatórios da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil Seccional São Paulo), Regina Célia da Silveira destacou na audiência com a ministra Matilde Ribeiro o valor representativo das mulheres nas instâncias de poder. “Nas duas primeiras audiências, dialogamos com mulheres que ocupam postos de decisão. Esse é um momento marcante para nós, mulheres, de vermos Ellen Gracie como presidenta do STF e termos uma mulher negra, como a ministra Matilde Ribeiro, no Poder Executivo”, refletiu a advogada.

À tarde, o grupo composto pela Educafro, Centro Acadêmico Unipalmares (Universidade Zumbi dos Palmares), APN (Agentes da Pastoral Negra), Rede de Mulheres, Sindicato dos Comerciários de São Paulo, Comissão Pastoral da Terra do Alto Tietê, Movimento Brasil Afirmativo, Instituto Negro Padre Batista e Associação Afro-brasileira Santa Isabel teve audiências com o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia.
Gestores de igualdade racial promovem jornada de articulação política em Brasília para imprimir, clique aqui.
Assessores de igualdade racial fazem visitas políticas
Foto: Divulgação Seppir
Fortalecer a política de igualdade racial em estados e municípios. Esse foi o objetivo de gestores públicos estaduais e municipais, representantes das regionais do Fipir (Fórum Intergovernamental de Promoção da Igualdade Racial), durante jornada nos dias 26 e 27 de setembro em Brasília.

No primeiro dia (26/9), o grupo de gestores conferiu as metas da Seppir para o Plano Trabalho Doméstico Cidadão, a serem anunciadas no próximo 20 de novembro, e teve audiência com o deputado federal Luiz Couto (PT-PB), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, e com o diretor de Políticas para Juventude do Ministério do Trabalho e Emprego, Renato Ludwig.

Orçamento
Um café da manhã com deputados federais da Frente Parlamentar em Defesa da Igualdade Racial, integrantes da direção da Seppir e a ministra Matilde Ribeiro deu início às ações do segundo dia (27/9). Os gestores do Fipir fizeram um debate com as autoridades acerca das propostas orçamentárias para as políticas de igualdade racial. Ainda pela manhã, os assessores estaduais e municipais de políticas de igualdade racial percorreram os gabinetes das lideranças partidárias da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, a fim de obter mais recursos para as políticas públicas para inclusão racial.
Em seguida, o grupo foi recebido pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, para expressar o interesse na aceleração da apreciação de projetos relacionados à temática racial, como o Estatuto da Igualdade Racial e o PL 73/99, que estabelece a reserva de vagas para negros e estudantes da rede pública nas universidades.

Visão do gestor
Para o assessor de Promoção da Igualdade Racial de Ribeirão Preto (SP), Ricardo Wesley Martins esse tipo de articulação empreendida pelo Fipir junto aos parlamentares é determinante para a política de igualdade racial. “Avançamos na troca de experiências e, pela primeira vez, nos articulamos para conseguir recursos para os programas de combate ao racismo e para valorização das culturas de matriz africana”, comentou. Segundo Martins, esse tipo de atuação demonstra a base e a força política da agenda igualdade racial para os legisladores.

Integrado ao gabinete da prefeitura de Ribeiro Preto, o gestor representou os interesses de 40% da população negra do município na sua estada em Brasília. “Agora tenho mais conhecimento do programa do governo federal para a igualdade racial e já vamos encaminhar um projeto para o Ministério da Saúde, cujo prazo de seleção expira em 31 de outubro. Também vamos nos dedicar à agenda do trabalho doméstico, que vem sendo destacada pela Seppir”, apontou Martins.

Constituída em agosto de 2006, a Assessoria de Promoção da Igualdade Racial de Ribeirão Preto distribuiu neste ano, com financiamento do FNDE (Fundo Nacional para Desenvolvimento da Educação, kits pedagógicos com materiais didáticos elaborados pela Secretaria Municipal de Educação para toda a rede de ensino do município, a fim de levar para a sala de aula o ensino da história e cultura africana e afro-brasileira, como determina a lei 10.639/03. No mês passado, foi instalado o Comitê Técnico de Saúde da População Negra que está elaborando um manual para distribuição junto aos profissionais de saúde para acolhimento aos portadores de anemia falciforme em Ribeirão Preto.

Mais de 500 quilombolas reafirmam seus direitos em Brasília para imprimir, clique aqui.
Quilombolas defendem iniciativas como o Programa Brasil Quilombola
Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr
Com Agência Brasil

A defesa do decreto 4.887/03 mobilizou quilombolas de todo o país para audiências públicas nos dias 24 e 25 de setembro em Brasília. No Ato em Defesa dos Direitos Quilombolas, promovido na terça-feira (25) pela Frente de Promoção da Igualdade Racial e pela Frente Quilombola da Câmara dos Deputados, com apoio da Conaq (Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas), os quilombolas explicitaram seus interesses para a regularização fundiária das terras quilombolas e o desenvolvimento de políticas públicas, em curso desde 2003 quando criado o Programa Brasil Quilombola, junto à ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, ao presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, e a parlamentares.

Na ato, Chinaglia afirmou ter assinado equivocadamente parecer do Conselho de Defesa Nacional, que recomendava a suspensão do decreto 4.887/03. Disse ainda ter recolhido o parecer e formalizado a desautorização do documento. O presidente da Câmara dos Deputados manifestou sua solidariedade à causa quilombola. "Essa é [uma] luta não só dos negros, e sim do povo brasileiro. Se fosse possível definir em uma única palavra, seria luta por justiça", falou ele. Em relação ao questionamento de parlamentares ao decreto 4.887/03, Chinaglia comentou que a análise compete ao poder Judiciário.

Para uma das coordenadoras da Conaq, Jô Brandão a política para quilombos está mudando realidades. “Estão sendo devolvidas as terras em que sempre estivemos”, avaliou. Na sua exposição, Brandão defendeu que a Agenda Social Quilombola, que está sendo elaborada pelo governo federal, tenha controle social dos quilombolas na gestão dos recursos e no monitoramento das obras e ações previstas.

Faces quilombolas
Aos 74 anos, Rubens Manoel dos Santos vivencia os conflitos da comunidade quilombola de Conceição da Barra (ES) para a regularização fundiária. Até hoje ele luta para reaver a propriedade da família. Santos relata a opressão da comunidade por interesses econômicos e enxerga com desconfiança as aproximações de estranhos pelo fato de “ter muita gente sabida” interessada na área onde vivia. “A vida não é fácil, mas a gente vai lutando”, conta.

Mãe de 16 filhos e avó de 10 netos, Paula Oliveira é quilombola de Lagoa da Barra (MG).  Ela trabalha como serviços gerais e divide seu tempo na roça, onde planta feijão, milho, hortaliças e leguminosas para a subsistência. É atendida pelo programa Bolsa Família com R$ 50,00 mensais que, segundo ela, ajuda no orçamento, mas ainda é necessária a escolha mensal: “se pago luz, não pago água. E assim faço todo o mês”, revela.

A quilombola conta que a maioria das mulheres trabalha na lavoura. “As mulheres vivem do braço, da enxada. Muitas não têm trabalho e contam com o Bolsa Família para não morrer de fome”, diz. Os filhos de Paula em idade escolar freqüentam a escola assim como crianças e adolescentes das 60 famílias moradoras de Lagoa da Barra.

Solidariedade
Religiosos de matriz africana e ciganos estiveram no Ato em Defesa dos Direitos Quilombolas. Conforme Carlos Calon, o apoio aos quilombolas é uma retribuição à solidariedade manifesta aos ciganos em momentos decisivos de articulação política. “Não deixaria de agradecer em público o que fizeram por nós”.

CNPIR faz a última reunião da gestão 2004-2007 para imprimir, clique aqui.
Conselheiros conferem exposição das ações Seppir
Legenda: Divulgação Seppir
Titulares e suplentes do CNPIR (Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial) participaram, na segunda-feira 24 de setembro, da 16ª Reunião Ordinária do CNPIR. Presidindo o CNPIR, a ministra Matilde Ribeiro fez um panorama das agendas políticas da Seppir até o final do ano e para o primeiro semestre de 2008. Até o final de outubro deverá ser anunciada a Agenda Social Quimbola, com um conjunto de ações e projetos do governo federal a serem realizados até 2010. Para novembro, a Secretaria prevê o lançamento da 2ª Conapir (Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial), com previsão de realização em maio de 2008.

Ribeiro considerou que os 120 anos da Abolição da Escravatura, em maio de 2008, vão deflagrar uma avaliação dos avanços do Brasil para a igualdade racial e o que precisa ser feito para garantir a cidadania e a melhoria de vida dos afro-brasileiros. A ministra disse também que está em ampla negociação com os demais ministros para assegurar o recorte étnico-racial nas ações do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), exemplificando a gestão da Seppir junto ao Ministério da Justiça a fim de prever o atendimento às demandas da população negra no Pronasci (Programa Nacional de Segurança e Cidadania).

A ministra Matilde Ribeiro anunciou aos conselheiros o reinício do programa de visitas do presidente Lula ao continente africano no mês de outubro, quando percorrerá cinco países. No plano internacional, a Secretaria mantém-se nas negociações para que o Brasil sedie a Conferência Regional das Américas, convocada pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 2008, e a IV Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Formas Correlatas de Intolerância, em 2009. A Seppir está articulando, juntamente com o Ministério da Cultura, a participação do Brasil no Festival Internacional de Artes Negras, em 2009, na cidade de Dakar (Senegal).

Planejamento
O subsecretário de Planejamento e Formulação de Políticas da Seppir, Carlos Eduardo Trindade, apresentou o planejamento da Secretaria para o período 2008-2011, com base no PPA (Plano Plunianual) expondo os eixos: Promoção de Políticas Afirmativas para a Igualdade Racial, em que são previstos apoio a iniciativas para a promoção da igualdade racial, qualificação de afrodescendentes em cidadania, gestão pública e para o trabalho, apoio a conselhos e organismos governamentais de promoção da igualdade racial; e Programa  Brasil Quilombola, com vistas ao fomento do desenvolvimento local para as comunidades quilombolas.

De acordo com o subsecretário, estão previstas, no planejamento da Seppir, ações de capacitação dos conselheiros na área de execução orçamentária, monitoramento das políticas públicas de igualdade racial e controle social. Trindade afirmou que o intuito é estabelecer uma relação aproximada do CNPIR e do Fipir junto à Subsecretaria de Planejamento e Formulação de Políticas.

Convidados
Presente no encontro, a coordenadora de projetos do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Rosa Maria Nader convidou o CNPIR para somar-se à rede de conselhos nacionais do Observatório da Eqüidade, cuja reunião acontecerá em 23 de novembro, em Brasília, para um grupo de 100 pessoas. Cada conselho poderá participar com quatro pessoas, sendo três conselheiros mais a Secretaria-Executiva.

Convidados para assistir aos anúncios da Secretaria para o final de 2007 e o primeiro semestre de 2008, representantes das Cojiras (Comissões de Jornalistas pela Igualdade Racial), Rosane Borges (São Paulo), Sandra Martins (Rio de Janeiro), Sionei Leão (Distrito Federal), Valdice Gomes (Alagoas) e Jeanice Ramos, do Núcleo de Jornalistas Afro-brasileiros do Rio Grande do Sul solicitaram assento no CNPIR e apoio do plenário para moção a ser encaminhada à 1ª Conferência Nacional de Comunicação Social, a fim de garantir as etapas municipais e estaduais da conferência.

Segunda gestão do CNPIR

A 16ª Reunião Ordinária do CNPIR marcou o término da primeira gestão, empossada em março de 2004. Conforme informado pela presidenta Matilde Ribeiro, a posse da segunda gestão está sendo organizada para novembro próximo, inclusive com o ingresso de novas organizações e entidades da sociedade civil.

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Expediente:
Assessoria de Comunicação Social da Seppir
Jornalistas: Isabel Clavelin e Rose Silva
Editoração: Njobs
Telefone: (55 61) 3411-4977
Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
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