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Férias da ministra
A ministra Matilde Ribeiro estará em férias no período de 7 a 23 de setembro de 2007. Durante sua estada no Canadá e Estados Unidos, Ribeiro aproveitará para participar a experiência e o trabalho desenvolvido pela Seppir. Na segunda-feira (10), a ministra brasileira estará no XXVII Congresso Anual da Associação de Estudos Latino-Americanos realizado na University of Pittsburgh, cuja palestra será comentada pela professora Kia Caldwell, da Universidade de Carolina do Norte. Na quinta-feira (13), Matilde Ribeiro proferirá outra palestra sobre as ações da Seppir e o trabalho do governo federal no âmbito da igualdade racial na University of Massachusetts, patrocinada pelo Center for Latin American, Caribbean and Latino Studies e o Departament for African-American Studies. No período de férias de Ribeiro, assume o cargo de ministro interino o secretário-adjunto, Martvs Antônio Alves das Chagas. |
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Escola indígena As festividades em torno da inauguração da Escola Municipal Indígena de Ensino Fundamental Iró órãpe (Tatu Escola) nesta quinta-feira (6), em Barra dos Garças (MT), contaram com a presença de autoridades como a ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro. Apresentações culturais, mensagens da comunidade de Aldeia Nossa Senhora das Graças, Reserva São Marcos, e discursos das autoridades antecedem o ato de descerramento da placa de inauguração da escola. A escola xavante tem o propósito de preservar a identidade e cultura do seu povo. Segundo os princípios da aldeia, o professor precisa trabalhar com energia e força de um tatu, que é um caçador forte, guerreiro nato. A reserva São Marcos é formada por sete aldeias, onde vivem cerca de 800 índios xavantes. À tarde, das 16h às 18h, a ministra da Igualdade Racial reuniu-se com prefeitos da região para tratar das demandas e políticas de inclusão dos povos indígenas. |
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Serviço Social
A ministra Matilde Ribeiro abriu na última segunda-feira as atividades da 1ª Semana de Serviço Social da Unicastelo, no campus localizado no bairro de Itaquera, zona leste de São Paulo. A aula magna foi acompanhada por cerca de 300 jovens alunos da instituição, além de outros convidados. Em sua palestra, cujo tema o tema foi “Novos Desafios para a Inclusão Social”, ela lembrou os vínculos que tem com a região, onde já exerceu a profissão de assistente social, e destacou a missão das instituições de ensino superior de contribuir na transformação da sociedade. “É importante que as universidades possam abrir diálogo com o governo e que o governo possa estar nas universidades”, disse. “O papel das universidades brasileiras deveria ser atender às demandas das classes populares partindo da localidade – é importante ter universidade na periferia --, mensalidades acessíveis e com políticas capazes de garantir a continuidade dos estudos dos menos favorecidos”, concluiu. |
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Lei 10.639/03
A Prefeitura de Esteio realiza, nos dias 28 de setembro, 19 de outubro e 30 de novembro, o Projeto Seis e Meia - O Projeto da Escola e a Cultura Afro-Brasileira. A atividade, que acontece no Salão Nobre (Rua Engenheiro Hener de Souza Nunes, 150, Centro), a partir das 18h30, tem o objetivo de promover um espaço de estudo e diálogo sobre a cultura afro-brasileira. O evento vai reunir cerca de 180 educadores da Rede Municipal, Estadual e Particular de Ensino. O evento pretende colaborar na formação dos professores para a implantação da Lei Federal 10.639/03, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, que prevê a inclusão no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira. O projeto Seis e Meia, que vem sendo desenvolvido desde 2001, prevê o desenvolvimento e fortalecimento dos espaços do cotidiano escolar na Rede Municipal de Ensino de Esteio. |
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A memória compõe a identidade. É por intermédio da memória que construímos nossa história. Ao construir a memória, construímos a lembrança, que para existir precisa do outro e necessita ser compartilhada. Assim também é a obra de arte.
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Franklin Pedroso, em www.mamrio.com.br |
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Fernando Haddad, ministro da Educação, considera a política de cotas bem-sucedida
Foto: Divulgação Seppir |
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O segundo encontro do ciclo de debates “Ações afirmativas: estratégias para ampliar a democracia”, realizado no último dia 3, em São Paulo, reuniu especialistas em educação que abordaram a importância da ampliação das políticas voltadas especificamente ao acesso e permanência de negros e indígenas em todos os níveis de ensino, de forma simultânea às políticas universais.
De acordo com o ministro da educação, Fernando Haddad, que participou da mesa, neste segundo mandato o governo federal pretende atuar desde a educação básica para promover a igualdade racial por meio de medidas que propiciem ensino de qualidade com eqüidade desde a infância.
Ele informou que o Plano de Desenvolvimento da Educação resgata o conceito de território com o objetivo de promover a eqüidade de oportunidades educacionais em todos os níveis. Segundo Haddad, ao efetuar uma radiografia da educação brasileira, verifica-se que nas escolas e sistemas onde há mais negros as condições são mais precárias, e isso se reflete nos indicadores educacionais. “Se quisermos equalizar as oportunidades para valer, teremos de acompanhar indicadores de qualidade e reforçar do ponto de vista orçamentário a dotação para escolas e sistemas que estão abaixo da média nacional. Ao fazer isso, levaremos recursos para a educação no campo, nas comunidades quilombolas, para regiões onde é obrigação da União fazê-lo”, disse.
O sucesso das cotas
O ministro destacou ainda o mérito do Projeto de Lei 73/99 – que institui reservas de vagas para alunos oriundos de escolas públicas respeitando a proporcionalidade de negros e indígenas em cada unidade da Federação – ao suscitar a discussão dessa proposta. Independentemente da aprovação da Lei, as instituições de ensino passaram a aprovar em seus colegiados a adoção de várias modalidades de políticas de ações afirmativas, que, segundo ele, atualmente são praticadas por cerca de 40 universidades.
Além de viabilizar o ingresso de mais de 100 mil cotistas nas universidades federais, as ações afirmativas possibilitaram o ingresso de 200 mil bolsistas que se declararam afrodescendentes em instituições particulares por meio do Programa Universidade para Todos (ProUni). “Podemos dizer com muita segurança que nenhuma previsão catastrofista em relação a essas políticas se verificou, nem suavemente. As idéias de recrudescimento do ódio racial, perda de qualidade da educação superior, tudo o que foi pregado como resultado imediato não aconteceu. Isso consolidou no âmbito do Ministério da Educação a idéia de que nós devemos avançar nessas políticas e apoiar as universidades já as adotam”, afirmou.
O professor Timothy Mulholland, reitor da Universidade de Brasília (UnB), apresentou dados que reforçam a necessidade de adotar ações afirmativas na área da educação e destacou especialmente a necessidade de desenvolver políticas de permanência para que os jovens cotistas consigam concluir os cursos. “Precisamos fortalecer as redes de parcerias para promover intercâmbio de soluções”, disse.
Na UnB, onde 20% das vagas são destinadas a negros e indígenas desde 2003, há dois mil estudantes cotistas autodeclarados. A Universidade adotou ainda como políticas de permanência um centro de convivência, um núcleo da igualdade racial, um grupo de trabalho e vários outros grupos atuantes.
Resposta aos conservadores
O economista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro Marcelo Paixão, que foi um dos expositores do evento, dedicou-se a contra-argumentar as principais idéias mais recentemente apresentadas pela reação conservadora às ações afirmativas que vêm sendo implantadas no Brasil. Entre elas, a de que o conceito de raça já estaria superado biologicamente. “Se as raças de fato não existem, como os pesquisadores conseguem tirar a composição racial do DNA das pessoas?”, indagou, referindo-se à série de reportagens publicadas sobre o tema recentemente.
Segundo Paixão, as formas físicas e traços das pessoas não são iguais e esses traços diferentes, em determinado momento histórico, foram utilizados para submissão e subordinação de outros povos. “Esse debate não remete ao plano biológico, e sim aos planos social e cultural, os quais, por sua vez, ainda geram diferenças na vida política e econômica dos cidadãos”, afirmou.
Outro argumento rebatido pelo professor é o de que as ações afirmativas supostamente desconheceriam que nem todos os afrodescendentes são exatamente negros. Para ele, a maioria da população negra apresenta dificuldade em assumir sua identidade, mas isso não a torna livre dos mecanismos discriminatórios. “O mais grave é que os conservadores, de forma totalmente autoritária, usam suas teorias para tentar nos roubar o conteúdo das nossas vivências. É como se a discriminação vivida pelos negros no dia a dia não existisse”, afirmou.
Paixão concluiu sua exposição com uma abordagem específica do debate sobre cotas para negros nas universidades. “Trata-se de fato da formação de quadros capacitados para ocupar postos públicos, é deles que a elite conservadora não quer abrir mão”.
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Público conferiu debate sobre ações afirmativas Foto: Ori Wani |
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A doutora em Filosofia da Educação e diretora do Instituto da Mulher Negra Geledés, Sueli Carneiro, afirmou ao comentar a exposição do ministro Haddad que é importante que o conceito de território seja aplicado sem renunciar à dimensão racial.
Ela destacou ainda que os conservadores que se opõem às ações afirmativas baseiam-se no princípio da igualdade formal do liberalismo clássico, do século XIX, historicamente utilizado para permitir à sociedade discriminar determinados grupos. “Eles ignoram todo o aporte teórico produzido pela Ciência Política no século XX e desconsideram toda a diversidade de países que adotaram as ações afirmativas para corrigir distorções sociais. Essas experiências envolvem países em desenvolvimento e desenvolvidos, passando pela Índia, Estados Unidos, Malásia, Inglaterra, Alemanha e África do Sul, entre outros”, concluiu. |
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Cotistas da UnB em frente ao Centro de Convivência Negra
Foto: Roberto Fleury |
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Primeira universidade federal a adotar o sistema de cotas raciais, em 2003, a UnB (Universidade de Brasília) é um exemplo emblemático da construção em torno da inclusão social entre comunidade acadêmica e sociedade civil, no caso o Movimento Negro, nos últimos anos.
A reserva de vagas raciais é resultado do processo preparatório e posterior à 3ª Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerâncias Correlatas, em 2001, período efervescente de discussões públicas das formas de superação do racismo no Brasil. Atualmente, são 1,5 mil estudantes egressos pelo sistema de cotas na UnB, presença que desencadeou uma gama de iniciativas para permanência e ambientação dos estudantes cotistas.
Localizada na capital federal, um dos lugares onde o debate de inclusão racial ganhou força, a UnB se destaca no cenário nacional pelas contradições do sistema e pelas soluções empreendidas para assegurar o direito dos candidatos afrodescendentes, muitas delas construídas a várias mãos.
Em entrevista ao Destaque Seppir, em que se inaugura uma série de entrevistas com os expositores e comentaristas ciclo de debates “Ações afirmativas: estratégias para ampliar a democracia”, o reitor Timothy Mulholand faz considerações acerca do sistema de cotas, aponta as mudanças na vida no campus e traça um panorama para os próximos anos.
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Estudantes coletaram informações para trabalhos em sala de aula
Foto: Divulgação Seppir |
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Personagens reais contando as suas próprias histórias e as de seus ancestrais. Essa foi a essência do ciclo de palestras “Igualdade Racial é assunto de sala de aula”, realizado na terça-feira (4) como uma das ações da Seppir na Semana da Pátria. Orientada pelo tema Educação, adotado pela Presidência da República como norteador das atividades culturais e socioeducativas, a primeira atividade da programação da Seppir “Igualdade racial, educação e cidadania para todos os brasileiros” gerou a aproximação de estudantes e professores do Distrito Federal com a diversidade étnico-racial.
O trabalho da Fundação Cultural Cartola, vice-presidida por Nilcemar Nogueira – neta do sambista – chamou a atenção de crianças e adolescentes, que conferiram diferentes vertentes: samba-de-roda, samba-terreiro e samba-enredo – todas explicadas por sambistas, carnavalescos e estudiosos da cultura negra e popular. No documentário audiovisual, que serviu de instrumento para o processo de reconhecimento do samba como patrimônio cultural do Brasil, o público conheceu um viés da história e da cultura brasileira pouco revelados na sua grandiosidade.
Nilcemar Nogueira exaltou a vivência das crianças, adolescentes e jovens nos espaços de samba, como quadras de escolas de samba, o que garante a transmissão de conhecimento e preservação da cultura afro-brasileira, conclamando: “nós como maioria temos que nos fortalecer”. A vice-presidente da Fundação Cultural Cartola compreende o potencial formador de respeito e valores de atividades como a do ciclo de palestras “Igualdade racial é assunto de sala de aula”. “É muito importante fazer entender que nessa diversidade, a matriz africana contribuiu e construiu vários hábitos. Trazer isso para a juventude é formar um nível de consciência e um olhar que valorize a igualdade e reconheça as diferenças de modo a preservá-las”, complementa Nilcemar Nogueira.
Travessias
Numa verdadeira viagem pelo mundo, conduzida por músicas e mostra de danças ciganas típicas de países ibéricos, europeus, africanos e orientais, Yáskara Guelpa e Azimar Orlow encantaram alunos e professores com relatos sobre as culturas de diferentes países onde os ciganos vivem. De acordo com a exposição, a alegria do povo cigano contrasta com as perseguições e preconceitos que são alvo ao longo dos séculos.
Revelando as conquistas ainda em curso e em construção, Yáskara Guelpa enumerou como fundamentais a criação do Dia Nacional do Cigano, comemorado em 24 de Maio, e do Grupo de Trabalho Cigano pelo governo federal após a realização da 1ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, ocorrida em julho de 2005. “A Seppir deu início a uma série de encaminhamentos. Sempre fizemos parte da história mundial e agora começamos a ter realizações no Brasil. Agora em setembro, temos a segunda etapa do Grupo de Trabalho Cigano”, dividiu com o público.
Mudança para a escola
A professora Brazilene Martins Ferreira, do Centro de Ensino Fundamental II Guará, disse ter sido a primeira vez que a Semana da Pátria não se resumiu ao desfile cívico militar, agregando conhecimento e material a ser trabalho em sala de aula. “É um avanço significativo porque está aprofundando questões do universo escolar. É muito bom para todos nós, professores e alunos. Uma coisa é a gente trabalhar os livros de história, outra é trazer a garotada aqui e ouvir histórias das pessoas que afirmam a sua cultura”, considera a professora.
Parceiro na realização da programação da Seppir, o CDDN (Conselho de Defesa dos Direitos do Negro no Distrito Federal) destaca a importância de trabalhar a temática igualdade racial em diferentes datas. “Temos de levar a igualdade racial para outras datas cívicas, pois esse é um tema central e deve ser universal, de interesse a todos os cidadãos brasileiros. Essa atividade é um marco para o DF”, comentou o presidente do CDDN, João Birola.
Precursores da lei
Antes mesmo da lei 10.639/03 – que torna obrigatório o ensino da história e cultura africana e afro-brasileira nos ensinos fundamental e médio - professores como Amilton Matias já levavam a questão racial para dentro da sala de aula. Ministrando a disciplina de Filosofia no Centro Educacional II Sobradinho, o educador levou três turmas do 3º ano do ensino médio para o ciclo de palestras. “A exposição sobre o samba foi muito interessante, pois é a primeira vez que os alunos estão conhecendo. Eles tem aula sobre música, mas não sobre samba e com tanto conteúdo. Isso facilita muito o nosso trabalho, mas ainda temos pouco material diante desse universo apresentado”, conta o professor, que há 10 anos reúne material pessoal para abordar a temática racial em sala de aula.
Olhar renovado
Porta-voz dos quase 200 colegas presentes no ciclo da manhã, a adolescente Oberssanna Betinna fez um comentário surpreendente: “foi ótimo conhecer a beleza do samba, porque a gente só lembra do Rio de Janeiro pela violência e pelo tráfico de drogas. Vimos que a cultura cigana tem muito a nos apresentar e agora a gente consegue ver que pessoas normais, bem diferente das histórias que a gente ouve por aí”, traduziu a jovem o pensamento dos estudantes.
A ação Semana da Pátria 2007 – Igualdade Racial, Educação e Cidadania para Todos os Brasileiros buscou evidenciar a contribuição dos negros, indígenas e ciganos na independência do país, retratar a diversidade étnico-cultural e destacar que a verdadeira independência se consumará com o acesso de todos à educação.
A programação da Seppir contou com o apoio da Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência da República), Ministério da Educação, Governo do Distrito Federal (Secretaria de Estado da Cultura e de Transportes) e do Conselho de Defesa dos Direitos do Negro do Distrito Federal. |
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Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
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