13 a 19 de julho de 2007 - n 113 - ano 03
Quebradeiras de coco reivindicam direitos e melhores condições de vida
Quilombo recebe tocha pan-americana e ganha visibilidade nacional
Coordenadores regionais do Fipir reúnem-se em Brasília na segunda-feira (16)
UFSC define cotas para negros e estudantes da rede pública de ensino no vestibular
Projeto que restringiria direitos de quilombolas é arquivado pela Câmara dos Deputados
Livro registra a presença feminina no samba carioca
Jogos Pan-americanos
A ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, é uma das autoridades brasileiras presentes à cerimônia de abertura dos XV Jogos Pan-americanos no estádio Maracanã, no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (13), às 17h30.
Negros no esporte
De sábado (14) até terça-feira (17), o seminário O Negro no Esporte Brasileiro pretende fomentar a discussão sobre a participação negra nas modalidades e competições esportivas. A programação se inicia, às 17h do sábado, com o lançamento do livro Redenção – Tributo à Adélia Prado de autoria do prof. Taikendó Geraldo Silva, seguido de mesa de abertura composta pela Seppir, Ministério dos Esportes, Fundação Cultural Palmares, Superintendência de Desporto do Rio de Janeiro, Superintendência de Promoção da Igualdade Racial do Rio de Janeiro, Secretaria de Ação Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro e conselhos estadual e Municipal de Direito e Defesa do Negro (Cedine e Comdedine), com conferência de Joel Rufino dos Santos. Nos demais dias, demonstrações esportivas com a Liga Urbana de Basquete, danças, conferências e homenagens aos atletas negros Aida dos Santos e Chicão, professor de remo do Flamengo. Local: Estação Barão de Mauá (Av. Francisco Bicalha s/nº - Santo Cristo), Rio de Janeiro.
Ginga Brasil
A prática da capoeira no meio urbano e em comunidades quilombolas é o elemento condutor de encontro, neste sábado (14), entre dirigentes da Seppir, F4 (Cufa, Observatório Favela, Nós do Morro, Afro Reggae) e Confederação Brasileira de Capoeira para formatação do projeto Ginga Brasil, que se propõe a envolver comunidades socialmente desfavorecidas e promover o reencontro com as raízes africana e suporte às políticas públicas.
Quilombolas de Marambaia
Com depoimentos, fatos históricos, notícias e contos, a revista EXISTIMOS registra a história da comunidade quilombola resistente na Ilha de Marambaia. É uma iniciativa da organização não-governamental Fase realizada com plena participação dos quilombolas, com concepção e textos de Fernanda Carneiro. EXISTIMOS revela a saga dos quilombolas pela titulação coletiva da terra e pretende ser um instrumento de reconhecimento público dos seus direitos ao dispor de informações baseadas em estudos científicos e análises técnicas. Lançamento da revista EXISTIMOS na quinta-feira (19), às 18h30, na Kitabu Livraria Negra (Rua Joaquim Silva, 17 – Lapa), no Rio de Janeiro.
Cultura GLTB
A Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura prorrogou para 20 de julho o prazo para as inscrições no Concurso Cultura GLTB/2007. O Edital de Prorrogação foi publicado nesta segunda-feira, dia 2 de julho, no Diário Oficial da União (Seção 3).  Por meio do concurso, serão apoiados projetos culturais e artísticos nos segmentos de Teatro, Dança, Audiovisual, Música, Cultura Popular, Literatura, Internet, Paradas/Marchas e Patrimônio Material e Imaterial, incluindo shows, debates, encontros, seminários, mostras, festivais, espetáculos, exibições, exposições, publicações e outras atividades, com visibilidade nas comunidades beneficiadas.  O edital é aberto à organizações e instituições de direito público e privado, sem fins lucrativos, que desenvolvem ações de natureza cultural voltadas para a afirmação da identidade de gays, lésbicas, transgêneros e bissexuais (GLTB). Os projetos e toda a documentação necessária só poderão ser encaminhados pelos Correios, conforme instruções que constam no edital do concurso. A ação insere-se no Programa Brasil Plural – Identidade e Diversidade Cultural, que direciona recursos do Fundo Nacional de Cultura para o desenvolvimento de grupos responsáveis pela produção das manifestações culturais da diversidade humana.
Secretaria-geral da OEA
Em visita ao Brasil, o Secretário-Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, esteve no gabinete da ministra Matilde Ribeiro, na quinta-feira (13), tratando da elaboração da Convenção Interamericana contra o Racismo e Toda Forma de Discriminação e Intolerância. Insulza convidou a ministra da Igualdade Racial para participar da conferência Cátedra das Américas, promovida pela Universidade Rennes 2, que visa consolidar e dinamizar as parcerias institucionais, favorecendo os intercâmbios dos estabelecimentos de ensino superior de Rennes com instituições americanas.
Brasil Quilombola
As prioridades de cada órgão parceiro do PBQ (Programa Brasil Quilombola) e a geração de informações das realizações dos projetos executados nas comunidades quilombolas foram temas abordados no encontro mensal do Comitê Gestor do Programa Brasil Quilombola em reunião na Seppir, em Brasília, na quinta-feira (12).
Congresso de Negros e Negras
A executiva do Congresso de Negros e Negras, composta por 13 pessoas, esteve na Seppir na quinta-feira (12) para tratar dos detalhes do encontro, previsto para o primeiro semestre de 2008, e do apoio institucional para a sua realização.
Relações institucionais
Os ministros Walfrido dos Mares Guia e Matilde Ribeiro reuniram-se na terça-feira (11) com representantes da Frente Parlamentar pela Igualdade Racial, deputados federais Carlos Santana (PT-RJ) e Evandro Milhomen (PcdoB-AP) para tratar dos projetos de interesse no campo da igualdade racial em tramitação na Câmara dos Deputados.
Clubes e sociedades negras
Neste sábado (14), a Sociedade Cultural Recreativa José do Patrocínio completa 94 anos de atividades e promove o I Baile de Integração das Sociedades e Clubes Negros do Rio Grande do Sul em Júlio de Castilhos. Durante a festividade haverá uma mini-conferência com os representantes de sociedades e clubes negros do estado. Informações na sede social: (55) 3271-1336.
Baile do Carmo
Acontece neste sábado (14), mais uma edição do tradicional Baile do Carmo no Clube Araraquarense (av. Dom Pedro II, 1192 – Carmo) como ponto alto da programação Semana Cultural Baile do Carmo, realizada no período de 7 a 16 de julho, como ação da campanha Prefeitura de Araraquara promovendo  Igualdade Racial. Entre as atividades, atos ecumênicos, batizado de escola de samba, exposições artísticas e fotográficas, temática afro na rodada do Orçamento Participativo.
Dia da Mulher Negra
Em comemoração ao dia da Mulher Afro-latino-caribenha, a ACMUN (Associação Cultural de Mulheres Negras do RS) realiza o Seminário "Mulher Negra Senhora de Todos os Espaços", no próximo dia 25 às 18h no Sindisprev (Trav. Leonardo Truda, 40 – 12º andar), em Porto Alegre. A abertura estará por conta dos artistas Jorge Foques e Marietti Fialho , com debate sobre a situação da mulher negra brasileira conduzido pelas conselheiras do CNPIR (Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial) Leci Brandãoe Elaine Oliveira Soares.O evento tem o apoio do Sindisprev/RS, da Articulação Nacionais de Mulheres Negras Brasileiras e da Prefeitura de Porto Alegre. A data em homenagem às mulheres negras surgiu em 1992 durante o IEncontro de Mulheres Negras Latino-Africanas e Afro-Caribenhas, emSan Domingos – República Dominicana, tornando-se marco na luta das mulheres negras para fim da opressão de gênero e raça.
Documentário Milton Santos
Com estréia nacional marcada para 17 de agosto, o filme Encontro com Milton Santos ou O Mundo Global Visto do Lado de Cá, de Sílvio Tendler, aborda a globalização sob a perspectiva do mundo subdesenvolvido partindo de entrevista com o geógrafo Mílton Santos, feita em janeiro de 2001. Mílton Santos é um dos principais expoentes do pensamento crítico brasileiro do século XX. Suas análises são, sobretudo, aulas de cidadania.
Jornalistas e Desenvolvimento Humano
A série de cursos sobre cobertura de Desenvolvimento Humano, promovida pelo Instituto Ayrton Senna e pela Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), com apoio do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), tem versões presenciais e on-line (ministrado à distância, através da internet). Aborda conceitos fundamentais de Desenvolvimento Humano e os índices e indicadores usados para medi-lo e é destinado a jornalistas profissionais, tendo apoio do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas (ligado à Universidade do Texas, EUA), que disponibiliza a plataforma tecnológica no qual ele se baseia. O curso on-line é dividido em 4 módulos semanais (Índice, indicadores e conceitos; Atlas do Desenvolvimento Humano; Objetivos de Desenvolvimento do Milênio; e Educação e Desenvolvimento Humano). Os alunos selecionados ganham uma senha de acesso ao website do curso, onde têm acesso a apresentações, vídeos, textos, exercícios e material de apoio. Dúvidas são respondidas e discussões são travadas em fóruns eletrônicos com a participação de um ou mais instrutores. Ao final de cada semana, os alunos são avaliados por exercícios práticos que abordam os temas tratados no módulo. Aqueles que tiverem freqüência e demonstrarem ter aprendido os conceitos e técnicas propostas recebem um certificado de conclusão, assinado pelo IAS e pela Abraji. Cursos on-line programados para 3 a 30 de setembro e 15 de outubro a 11 de novembro. Informações: www.desenvolvimentohumano.org.br
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24 23 22 21 20 19 18 17 16 15
Teus olhos vivos como jaboticabas pretas e doces
Cobram um novo amanhã num hoje onde procuras
Teu quilombo de Dumbá
A vocês quilombolas mirins
Que fui
Que sou
E continuarei sendo
de vez em quando.
Alzira Rufino, trecho de África Brasil
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Nice (D) e Raimunda (E), mulheres com anos de luta por melhores condições de vida
Foto: Divulgação Seppir

Falta de água potável, energia elétrica, escola, saúde. Uma situação de exclusão que se acentua com as perseguições no trabalho com o babaçu, a crescente saída dos jovens da área rural para as periferias das grandes cidades e as precárias condições para o ganho do sustento. Esse foi o quadro apresentado por uma comissão de mulheres negras em audiência com a ministra Matilde Ribeiro na última quarta-feira (11), em Brasília.

Após a participação em audiência pública na Câmara dos Deputados, na terça-feira (10), as representantes do Movimento Interestadual de Quebradeiras de Coco Babaçu  encontraram-se com ministros para sensibilizá-los para a votação do projeto de lei Babaçu Livre (231/2007), que pretende amenizar os conflitos entre fazendeiros e as trabalhadoras, oprimidas na execução do trabalho. “Queremos o babaçu livre, a titulação dos quilombos e a aprovação da lei do extrativismo. Queremos viver da nossa economia sem degradar o ambiente”, anunciou Nice Silva.

Relação com bens naturais
Contando décadas de ativismo, dona Raimunda lembrou a tomada de terras dos quilombolas no pós-abolição e a interrelação de preservação e subsistência dos recursos naturais na vida das quebradeiras de coco. “Nossa luta sempre foi e será por reforma agrária e ter o babaçu livre. Nem todo mundo tem a coragem para lutar pela terra e para que nossas famílias não sejam obrigadas a se deslocar para as periferias das grandes cidades”, disse.

Remanescente de quilombo em Santarém, próximo ao município de São Luiz Gonzaga (MA), Geralcina Santos, comentou que muitas terras quilombolas foram expropriadas ou vendidas em negociações obscuras. “Vivemos em conflito, os herdeiros vendem as terras e não conseguimos a desapropriação necessária para o processo de regularização fundiária. Sofremos muito com isso porque somos despejados pelos fazendeiros”. Já Nilza de Souza, de Santa Rita (PA), acrescenta um outro componente: a degradação ambiental. “Há devastação de palmeiras em áreas quilombolas”. O secretário de Meio Ambiente da Aconeruq Edinaldo Costa revela os ataques à natureza por ação humana: “nossos lagos estão secando por causa das barragens. Búfalos são largados em nossas terras, destruindo a vegetação. Já recebemos ameaças de morte e fomos presos por defendermos nosso território”, diz.

Luz para todos
Na contramão, a chegada das políticas públicas descortina uma nova possibilidade vida. “Graças ao Luz para Todos [programa do Ministério das Minas e Energia] a luz chegou no município de Esperantina. Agora temos esperança de que outros programa chegarão”, fala a maranhense Eunice Dias.

“Cada uma de vocês traz relatos da não consideração e reconhecimento das necessidades do povo. Meu compromisso é com trabalho para fazer as coisas acontecerem”, apontou a ministra Matilde Ribeiro ao propor a constituição de um grupo de interlocução com a executiva do Movimento Interestadual de Quebradeiras de Côco Babaçu  e o Programa Brasil Quilombola, com previsão de encontro para 90 dias.
Quilombo recebe tocha pan-americana e ganha visibilidade nacional para imprimir, clique aqui.

Por Rose Silva, com Agência Brasil  

Quilombola Ronaldo dos Santos com a tocha pan-americana
Foto: Delfim Vieira

O quilombo Campinho da Independência, localizado em Paraty (RJ), recebeu a Tocha Pan-americana no último dia 9, durante o ritual de revezamento que precede os jogos a serem realizados de 13 a 29 de julho, na capital fluminense. Moradores de comunidades quilombolas de diversos estados assistiram à cerimônia, que teve a participação de autoridades locais e nacionais e foi acompanhada por jornalistas.

A passagem da pira pelo Campinho da Independência foi uma iniciativa da Seppir, em parceria com Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos do Estado do Rio de Janeiro, do Ministério dos Esportes, da Prefeitura de Paraty, do  Comitê Olímpico Brasileiro e da Associação de Comunidades Quilombolas do Estado do Rio de Janeiro (Acquilerj).

A Tocha chegou ao quilombo de manhã, conduzida  pelo embaixador dos Jogos Pan-americanos no Rio de Janeiro, Robson Caetano. Passou ainda pelas mãos do líder local Valentim Conceição e por diversos representantes do movimento negro nacional.

O ministro dos Esportes, Orlando Silva, afirmou que não por acaso a cada dia novas comunidades tradicionais se juntam ao universo de mais de 3.400 quilombos reconhecidos no país. “Esse movimento reflete um esforço dos governos para reconhecer, valorizar e desenvolver políticas para os brasileiros negros remanescentes de quilombos. A Tocha é uma forma de homenagear parte desse povo que gerou um dos maiores patrimônios culturais da humanidade”, disse.

A ministra Matilde Ribeiro destacou a importância da solenidade para dar visibilidade a esse grupo que não foi reconhecido pela história. “É um momento de valorização de nossa cultura, de nossa política para os quilombos, que faz parte do Programa Brasil Quilombola”, afirmou. Segundo ela, essas políticas devem ser intensificadas pela gestão federal, com o apoio dos governos locais, com o objetivo de promover a inclusão social. “Mas para isso precisamos ter a sociedade convencida de que quilombola é cidadão e de que as ações afirmativas são necessárias para o reconhecimento dos direitos de mais de 50% da população brasileira, os afrodescendentes”, concluiu.

Alegria na comunidade
Os moradores contam que, com o fim da escravidão, os fazendeiros da região abandonaram as terras, que foram divididas entre os escravos. O Quilombo de Campinho teria sido fundado por três ex-escravas, das quais descendem os 450 habitantes do local. Valentim Conceição, de 82 anos, foi o primeiro a receber a lanterna com a chama e destacou: "Nossos bisavós nunca sonharam em ter uma alegria como essa. Aquela raiz, que foi raiz da dor, do espancamento, hoje é fruto de alegria".

O representante da Acquilerj, Ronaldo dos Santos,  emocionou-se ao falar do momento histórico. “A trajetória de luta das comunidades quilombolas é um caminho difícil, com avanços e impasses. Hoje marcamos presença na história do Brasil”, afirmou. A secretária de Assistência Social e Direitos Humanos, Benedita da Silva, assumiu o compromisso de realizar uma reunião com as lideranças locais para definir medidas emergenciais do governo do Estado em relação à comunidade.

Depois de passar pelas mãos de 17 pessoas, a pira pan-americana de Paraty foi acesa no início da tarde. A festa havia começado no dia anterior, com apresentações de música e dança. O show de Toni Garrido encerrou as apresentações culturais no meio da tarde do dia 9.

A passagem da tocha coincidiu com o lançamento da candidatura de Paraty a Patrimônio Cultural da Humanidade, definida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Coordenadores regionais do Fipir reúnem-se em Brasília na segunda-feira (16) para imprimir, clique aqui.

A primeira reunião do segundo semestre do Fipir (Fórum Intergovernamental de Promoção da Igualdade Racial) acontece nesta segunda-feira, 16, em Brasília das 9h às 18h. Na ocasião, o grupo de gestores estaduais e municipais de promoção da igualdade racial terá o primeiro contato presencial com a nova coordenadora geral do Fórum, Maria do Carmo Ferreira da Silva, e com os dirigentes recém-empossados da Seppir: secretário-adjunto, Martvs das Chagas; subsecretária de Políticas para Comunidades Tradicionais, Givânia Silva; e subsecretário de Políticas de Ações Afirmativas, Alexandro Reis.

Nos trabalhos da manhã ainda serão analisados os relatórios do 5º e 6º Fipir, cujos pontos servirão como subsídios para o planejamento das atividades regionais e estaduais, e apresentada a proposta de restruturação do CNPIR para a sua segunda gestão por conselheiros. À tarde também será definido o planejamento do Fipir para o período 2007-2008. A participação da ministra Matilde Ribeiro está prevista para o início da manhã e final da tarde.

 

Encontro de Coordenadores Regionais do Fipir
Data: 16 de julho de 2007
Horário: das 9h às 18h

Local: Auditório Cecad (Centro de Capacitação e Desenvolvimento) – Av. N2
UFSC define cotas para negros e estudantes da rede pública de ensino no vestibular para imprimir, clique aqui.

Por Paulo Clóvis, Agecom

Estudantes reivindicando cotas raciais em audiência na Câmara dos Deputados, em 2006
Foto: Bernardo Hélio/Agência Câmara

O Conselho Universitário da UFSC decidiu, em reunião realizada na manhã de terça-feira (10), reservar 20% das vagas, já a partir do próximo vestibular, para estudantes oriundos de escolas públicas e 10% para negros, também formados em colégios públicos.

O Conselho garantiu cinco vagas para indígenas, com o aumento de uma nova vaga a cada ano letivo. A decisão vigora pelos próximos quatro anos, após o que poderá sofrer os ajustes que a administração da instituição e os demais membros do Conselho considerarem necessários.

"Destaco a maneira madura e serena com que a questão foi conduzida por todos os envolvidos", disse o reitor da UFSC, Lúcio José Botelho, ao final do encontro, que teve a participação de representantes do movimento negro, de comunidades indígenas, de estudantes e da comunidade. Ele afirmou que houve discordâncias em alguns pontos, mas ressaltou a unanimidade em relação aos itens principais, que são as cotas para negros e estudantes desfavorecidos economicamente. Ao sair da sala do encontro, o reitor e os membros do Conselho foram aplaudidos pelos estudantes que aguardavam a decisão no andar térreo da reitoria da UFSC.

O professor Marcelo Henrique Tragtenberg, membro do Conselho de Ações Afirmativas e do Conselho Universitário, que também participou do encontro, disse que no vestibular os candidatos beneficiados pelas cotas vão se submeter aos mesmos critérios de avaliação dos demais postulantes.

Projeto que restringiria direitos de quilombolas é arquivado pela Câmara dos Deputados para imprimir, clique aqui.

O Projeto de Decreto Legislativo (PDC) 44/2007, de autoria de Valdir Colatto (PMDB-SC), que “propõe a suspensão do decreto que regulamenta a identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas por quilombolas de que trata o artigo 68 na Constituição Federal, além de anular todos os atos administrativos expedidos com base no referido decreto”, foi arquivado na Câmara dos Deputados nesta semana. A decisão ocorreu por entendimento do presidente da Casa, Arlindo Chinaglia e a relatora do PDC na Comissão de Direitos Humanos e Minorias, deputada federal Iriny Lopes (PT-ES).
Segundo a deputada, a proposta é equivocada do ponto de vista jurídico porque ignora tratados internacionais, dos quais o Brasil é signatário, como respeito às normas relativas ao direito de propriedade e aos direitos humanos de grupos étnico-raciais e mesmo de indivíduos que pertençam a eles.

“Mesmo com a vigência do Decreto nº 4.887, de 20 de novembro de 2003, [que regulamenta o procedimento para identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos de que trata o art. 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias], vemos que o reconhecimento de direitos dessas comunidades ainda é muito lento. Atualmente, existem mais de três mil comunidades quilombolas catalogadas no Brasil. Se existe algo que o Poder Legislativo deve fazer urgentemente é cobrar a celeridade nos processos de titulação de terra de quilombolas junto ao Incra e não aprovar leis que restrinjam ainda mais os direitos sociais e econômicos dessa população”, disse Iriny Lopes.
Livro registra a presença feminina no samba carioca para imprimir, clique aqui.

A história do samba é um livro aberto com alguns episódios não contados. Não fosse por isso, como explicar a documentação falsa que levou aos primeiros desfiles da Praça XI uma menor de 18 anos no carnaval de 1935? Não fosse por esse detalhe, a Portela não seria campeã do carnaval naquele mesmo ano. Se seguisse o bê-a-bá do proibido, essa história não conheceria Dodô, uma das maiores porta-bandeiras da Portela.
Fatos inusitados como esse, protagonizados por ilustres, e anônimas, mulheres que ajudaram a escrever a saga de um dos ritmos mais populares do país estão reunidos no livro A Força Feminina do Samba, cujo lançamento será neste sábado (15), às 14h, no Centro Cultural Cartola no Rio de Janeiro. Idealizado por Nilcemar Nogueira, neta de Cartola e Dona Zica, a obra faz um apanhado inédito de mais de 60 perfis de tias, baianas, passistas, porta-bandeiras, carnavalescas, intérpretes, compositoras, cozinheiras, aderecistas e damas que fizeram do samba sua arte e ofício.
De Ciata à Dona Zica, passando por Selminha Sorriso, o livro faz, ainda, um passeio pela história do samba, mostrando desde os baticuns nos quintais no final de século XIX, passando pelos carnavais memoráveis, as mudanças do ritmo e da forma de evoluir na avenida, até à profissionalização da maior festa popular fluminense.
Realizado pelo Centro Cultural Cartola e com edição da Monte Castelo Idéias, o livro  A Força Feminina do Samba, patrocinado pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres,resgata a trajetória de personagens que contribuíram para o desenvolvimento da identidade cultural brasileira, reverenciando a trajetória de mulheres cuja sabedoria foi passada de geração a geração, e perpetuou-se no tempo.

 

Lançamento do livro A força feminina do samba
Data: 15 de julho de 2007
Horário: 14h

Local: Centro Cultural Cartola (Rua Visconde de Niterói, 1296 – Mangueira)

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Expediente:
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Jornalistas: Isabel Clavelin e Rose Silva
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