1º a 8 de junho de 2007 - n° 108 - ano 03
Quilombolas vivem em condições de precariedade no sul da Bahia
Aberta chamada de projetos de assistência técnica e expansão rural setorial
Comissão da Câmara dos Deputados debate questão racial
Ópera africana
Na última quarta-feira (30/5), a ministra Matilde Ribeiro e um grupo de autoridades formado pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho; a secretária de Assistência Social, Benedita da Silva; e a superintendente de Promoção da Igualdade Racial, Maria Ceiça, compareceram à exibição da ópera Alabê de Jerusalém no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. A história versa sobre um africano nascido há mais de 2000 anos, que conheceu Jesus Cristo. Alabê volta hoje para contar sua história desde a saída da tribo em Ifé com 12 anos até o encontro com o maior de todos os avatares: Jesus Cristo. É uma história sobre tolerância, amor e principalmente sobre o respeito entre as diferentes culturas e etnias. Alabê mostra que é possível a convivência pacífica entre as diferenças, e que essas diferenças devem ser mantidas e respeitadas, porque essa é a beleza que existe entre nós, seres humanos. É uma lição necessária para todos. Durante quatro anos, Altay Veloso gravou o CD do Alabê de Jerusalém que conta com participações muito especiais como: Ivan Lins, Bibi Ferreira, Lenine, Leny Andrade, Peri Ribeiro, Jorge Vercilo, Isabel Fillardis, Margareth Menezes, Talama de Freitas, Cláudio Cartier, Cláudio Zoli, Sandra de Sá, Ronnie Marruda, Adriana Lessa, Lucinha Lins e muitos outros. Esse DVD mostra a gravação desse CD e há making of, depoimentos, trailer.
Mulheres negras
Lançado o livro Mulheres Negras do Brasil, em Salvador na última terça-feira (29/5), na Fundação Pedro Calmon localizada no Palácio Rio Branco. Uma das organizadoras da publicação Schuma Schumaher apresentou aos baianos a obra que registra histórias de vida de heroínas, personalidades e anônimas mulheres negras que subvertaram a ordem do regime patriarcal e inscreveram reações de resistência negra em todo o território nacional. A atividade foi conferida pela ministra Matilde Ribeiro.
Religiões afro-brasileiras
A diversidade das religiões de matriz africana e a contribuição para a cultura brasileira foi tema de reunião do diretor da Subsecretaria de Políticas de Ações Afirmativas, Jorge Carneiro em recente visita à Fierj (Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro). Recebido pela diretoria, inclusive pelo integrante do CNPIR (Conselho Nacional de Promoção da Igualdfade Racial) Sérgio Niskier, Carneiro ressaltou o papel fundamental da religiosidade afro para o enfrentamento do racismo e resistência ao regime escravista.
Conselho São Paulo
Serão empossados no próximo 11 de junho, às 14h30, em São Paulo (Palácio dos Bandeirantes – av. Morumbi, 4500 – Auditório Ulysses Guimarães) os 22 integrantes do Conselho Estadual de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra para a gestão 2007-2011.
Tv pública e igualdade racial
No início de maio, ao participar do I Fórum Nacional de TV’s Públicas, realizado em Brasília, o cineasta Joel Zito Araújo, consultor da Fundação Cultural Palmares, destacou que o novo modelo de TV pública deve garantir - de fato e de direito - a presença tanto do índio quanto do negro na grade da programação da tevê brasileira. Na ocasião, Zito apresentou alguns resultados da pesquisa “Onde está o negro na TV pública?”. O estudo mostrou, por exemplo, que apenas 0,9% da programação de três emissoras públicas do país (TV Cultura, de São Paulo; Rede Brasil, do Rio de Janeiro; e TV Nacional/Radiobrás, de Brasília) foi destinado à cultura afro-brasileira. O levantamento indicou também que menos de 10% dos apresentadores são negros e que somente 5,5% dos jornalistas que atuam nas empresas são de origem afro-descendente. Fonte: Rio Mídia.
Jornalistas contra o racismo
Cresce a mobilização nacional de jornalistas negros contra o racismo em Brasília (DF) e Porto Alegre (RS). Profissionais com inserção em rádio, tevê, jornais, universidades e atuantes em assessorias de imprensa, os grupos refletem a representação negra nos meios de comunicação, o noticiário sobre a temática racial e estratégias de produção e difusão de informação sobre as iniciativas de superação do racismo e desigualdade racial.
Infocentro no Curuzu
Está aberto o Infocentro da Senzala do Barro Preto Curuzu, com acesso gratuito à internet. A parceria entre o Ilê Aiyê e governo do Estado da Bahia disponibiliza aos usuários os mais diversos serviços de informática, como digitação e navegação na web para obtenção de documentos e pesquisas. Interessados devem cadastrar-se na sede do Ilê Aiyê. O Inforcentro funcionada de segunda à sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h.
Memória da abolição
Estão disponíveis no site do Memorial do Rio Grande do Sul (www.memorial.rs.gov.br) as duas novas edições da Coleção Cadernos de História do Memorial, abordando o período escravista: "Abolicionismo no Rio Grande do Sul" e "Iluminismo, metodismo e abolicionismo", escritos por Maragaret Bakos e Voltaire Schilling. Os estudos estão em formato PDF e podem ser baixados na seção "Cadernos de História".
História afro-gaúcha
O projeto Seminários Debates, desenvolvido pelo GT Negros Ampuh RS, retorna ao Memorial do Rio Grande do Sul, com encontros mensais sobre assuntos referentes à história asfro-brasileira e afro-gaúcha sempre com um terma diferente e a presença de especialistas. Inscrições gratuitas para as pessoas que não desejarem certificados. Vagas limitadas. Informações: (51) 3286.6190.
Acesse as edições anteriores
              107 106 105
104 103 102 101 100 99 98 97 96 95
94 93 92 91 90 89 88 87 86 85
84 83 82 81 80 79 78 77 76 75
74 73 72 71 70 69 68 67 66 65
64 63 62 61 60 59 58 57 56 55
54 53 52 51 50 49 48 47 46 45
44 43 42 41 40 39 38 37 36 35
34 33 32 31 30 29 28 27 26 25
24 23 22 21 20 19 18 17 16 15
O meu sangue é vermelho
A minha tribo é Brasileira
Ter orgulho e ser espelho
No empunhar dessa Bandeira (...)

Terra do índio, do brando e do negro
Dos bons frutos e minerais
Da multicultura em acervo
Das riquezas gerais

(...) E que o sol nasça
Na terra gentil
E ilumine em massa
A tribo do Brasil
Eldvin Mendes
Quilombolas vivem em condições de precariedade no sul da Bahia para imprimir, clique aqui.
Foto: Grupo se dedicou à situação dos quilombolas do sul da Bahia
Crédito: Divulgação Seppir

A situação das comunidades remanescentes de quilombos do sul da Bahia foi pauta de reunião entre representantes do governo federal (Seppir, ministérios das Cidades, Saúde/Funasa, Desenvolvimento Social e Combate à Fome e Cultura/Fundação Cultural Palmares) e consultores da Associação dos Municípios do Baixo Sul na quarta-feira (29/5), em Brasília. Atuante em nove municípios – Cairu, Camamu, Igrapuina, Ituberá, Marau, Nilo Peçanha, Presidente Tancredo Neves, Taperoá e Valença – o grupo de especialistas verificou a realidade de 42 comunidades quilombolas, onde vivem mais de 24 mil habitantes. Dessas, 19 comunidades detém certificação e 23 estão em processo de autoreconhecimento.

No diagnóstico socioeconômico, a marca da precariedade nas condições de vida da população é evidenciada no reduzido número de unidades sanitárias; moradias constituídas de taipa e outros materiais artesanais (62%); e escolas distantes das comunidades, o que dificulta a freqüência e o aproveitamento dos alunos somando-se ainda a oferta diurna por falta de energia elétrica. Um dos pontos mais graves é a insuficiência do abastecimento de água potável, pois a maioria das comunidades está instalada abaixo de áreas de criação animal bovina e suína, contaminando afluentes de água em poços, açudes e riachos.

Durante a exposição dos dados, a diretora da Subsecretaria de Políticas para Comunidades Tradicionais da Seppir, Maria Palmira da Silva, salientou a importância das parcerias entre os governos e órgãos públicos para acelerar a resolução das necessidades básicas dos quilombolas. “A política avança quando há comprometimento dos gestores públicos. Temos de acessar os dispositivos legais para desembaraçar situações que coloquem a maioria da população em desvantagem”, disse. 

O levantamento também conferiu a dispersão das comunidades como um fator que restringe a inclusão em programas e projetos sociais, os quais priorizam agrupamentos e número expressivo de beneficiados. A preciosidade das manifestações culturais expressas no samba de roda, congadas e no culto às divindades do candomblé e do catolicismo é um elemento de ligação entre as novas gerações com as tradições e a preservação da identidade afro-brasileira, constatado no estudo de campo.

Dentre os desfechos da reunião, a Funasa comunicou o investimento de R$ 36 milhões em obras de saneamento, esgoto e tratamento de água no período 2004-2006 através do Programa Brasil Quilombola. Para os próximos quatros anos, a meta é atender 380 comunidades quilombolas e 45 mil famílias, com verba de R$ 170 milhões previstas no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Novas tecnologias
Embora haja a necessidade de expansão do fornecimento de bens e serviços públicos essenciais como água tratada, educação e saneamento básico, a inclusão digital e a comunicação comunitária integram o conjunto de políticas públicas para a região do Baixo Sul da Bahia. Existem projetos para estruturação de telecentros e autorização de funcionamento de rádios comunitárias nos nove municípios.

Aberta chamada de projetos de assistência técnica e expansão rural setorial para imprimir, clique aqui.
Por Ascom MDA

As organizações não-governamentais (ONGs) e as associações produtivas nacionais que tenham personalidade jurídica e estejam interessadas em receber apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) para desenvolver ações de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) direcionadas às trabalhadoras rurais, comunidades quilombolas e povos indígenas já podem inscrever seus projetos.

A chamada foi lançada no dia 25 de maio pela Secretaria de Agricultura Familiar (SAF/MDA), por meio do Departamento de Assistência Técnica e Extensão Rural (Dater) e do Programa de Promoção da Igualdade de Gênero, Raça e Etnia (Ppigre).

De acordo com a coordenadora do Ppigre, Andrea Butto, a chamada de projetos de ATER setorial foi um mecanismo desenvolvido para que os públicos tradicionalmente não atendidos pelas redes já consolidadas também tenham acesso à assistência técnica.

“Com a ATER setorial, é possível atender indígenas, quilombolas e trabalhadoras rurais. Esse atendimento é necessário para a implementação da Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Pnater) de maneira que haja sintonia de trabalho entre as organizações que vão realizar a ATER e o público que irá recebê-la”, afirma ela.

Até 25 de junho

O prazo para a apresentação dos projetos vai até 25 de junho e a contratação dos convênios aprovados deve ocorrer a partir de 16 de julho deste ano. A seleção dos trabalhos será realizada em duas etapas. A primeira delas, de análise documental, tem caráter eliminatório. Já a segunda, de análise técnica, tem caráter eliminatório e classificatório.

A coordenadora do Ppigre lembra que, diferentemente dos anos anteriores, o resultado da 1ª etapa será divulgado no dia 2 de julho, indicando as organizações habilitadas para a 2ª etapa da seleção. Andrea Butto informa que, se aprovado em todas a etapas (veja abaixo), o projeto deverá ser contratado e sua execução realizada até março de 2008. Ela acrescenta que o valor máximo de apoio, por projeto, será de R$ 120 mil na região Norte e de R$ 100 mil para as demais regiões.

Evolução da ATER
A primeira chamada geral de ATER foi realizada pelo MDA em 2004. Nesse ano, lembra Andrea, foi pequeno o número de projetos de assistência técnica direcionados aos indígenas, quilombolas e trabalhadoras rurais. “A procura foi baixa porque esse público não tinha informação ou capacitação para realizar projetos. Por isso, ele ficou em desvantagem na concorrência por recursos”, observa.

Para corrigir essa distorção, a coordenadora do Ppigre explica que foi lançada, em 2006, uma chamada de projetos de ATER setorial para aumentar a inclusão desses públicos. “Com essa ATER, pudemos preparar e capacitar as comunidades quilombolas, os povos indígenas e as trabalhadoras rurais para elaborar e apresentar projetos. Também foram estimuladas as parcerias com as entidades técnicas que já prestavam serviço de ATER, mas ainda não tinham tradição de projetos voltados para públicos específicos”, explica.

Andrea avalia que os primeiros resultados da implantação de ATER setorial foram positivos. De acordo ela, em 2005 foram apoiados cinco projetos da área indígena, com investimento total de cerca de R$ 624 mil. Já em 2006, ela complementa, esse número aumentou para 13 projetos, que demandaram, juntos, cerca de R$ 1,4 milhão.

Calendário

Recebimento dos projetos 25 de maio a 25 de junho de 2007
Etapa I – Análise documental 25 de junho a 29 de junho de 2007
Divulgação de resultado – Etapa I 2 de julho de 2007
Etapa II – Análise técnica 9 de julho a 13 de julho de 2007
Divulgação de resultado – Etapa II 16 de julho de 2007
Contratação dos projetos A partir de 16 de julho de 2007
Prazo de execução do projeto Até 31 de março de 2008
Valor máximo para apoio do MDA Região Norte – R$ 120 mil
Demais regiões – R$ 100 mil
Comissão da Câmara dos Deputados debate questão racial para imprimir, clique aqui.
Com Marcos Agostinho
Agência Brasil


A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa da Câmara dos Deputados realizou em 17 de maio audiência pública para debater a questão racial no país. Foram convidadas 66 pessoas, entre integrantes do governo federal, procuradores estaduais e dirigentes de entidades ligadas à cultura negra.

Na primeira parte da reunião, a ministra de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, fez um balanço das políticas de combate ao racismo. A segunda parte da audiência dedicou-se à discussão sobre a regularização fundiária de territórios quilombolas do Brasil, com participações do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e procuradores ligados à questão da terra.

Para a ministra Matilde Ribeiro, a regularização dos territórios quilombolas configura-se como registros de nascimentos dessas comunidades. Nesse sentido, reconheceu que a regularização é o reconhecimento da existência dessas comunidades.

Personalidades
A cantora e integrante do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), Leci Brandão esteve na audiência e defendeu a importância da inclusão de temas negros dentro do dia-a-dia brasileiro. “Nas propagandas não vemos negros aparecendo, as crianças negras não se reconhecem na TV e essa situação precisa mudar”, disse.

Leci Brandão também citou o caso de uma revista brasileira que enviou três repórteres, um negro, um branco e outro de origem asiática para fazerem coberturas em restaurantes paulistas. Somente o negro teve problemas para fazer a matéria e sofreu discriminação.

A cantora citou esse caso para defender que no Brasil existe sim discriminação racial e não apenas social, como afirmam alguns teóricos. Ao final de sua fala, Leci cantou o samba-enrendo da Vila Isabel de 1988 acompanhado por algumas pessoas que estavam presentes à audiência.

Outra personalidade presente ao evento foi o ex-senador Abdias Nascimento que, aos 90 anos falou de sua missão ao longo da vida em defesa dos temas e da afirmação da matiz cultural negra no país. “Estou quase ficando sem fala, pois realmente eu não tenho tido pausa e nem descanso, fustigando esses novos senhores de engenho que insistem em continuarem vivos”, afirmou o ex-parlamentar.


Caso você queira esclarecer dúvidas ou dar sugestões, clique aqui
O conteúdo do boletim pode ser reproduzido parcial ou totalmente, desde que seja citada a fonte.
Expediente:
Assessoria de Comunicação Social da Seppir
Jornalistas: Isabel Clavelin e Rose Silva
Editoração: Njobs
Telefone: (55 61) 3411-4977
Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
Esplanada dos Ministérios Bloco A - 9º andar - CEP 70054-906 - Brasília - DF - Brasil
E-mail: seppir@planalto.gov.br