13 a 20 de abril de 2007 - n° 102 - ano 03
Rio de Janeiro formaliza adesão ao Fórum Intergovernamental de Igualdade Racial e elaboração de Plano Estadual
Foro Brasileiro Afrodescendente avalia políticas de igualdade racial no Brasil e nas Américas
Empresas multinacionais aderem à campanha Diversidade Racial no Mercado de Trabalho
Estudantes negros e cotistas refletem sobre o futuro das universidades brasileiras
Violência e juventude em pauta no Senado Federal
Audiência pública discute reivindicações de quilombolas capixabas
Biblioteca Luiz Gama
A Soweto Organização Negra promove neste sábado (14), às 14h, a cerimônia de encerramento do curso de formação em Biblioteca Comunitária, que envolveu, durante cinco meses, 20 jovens moradores da periferia de São Paulo no aprendizado de biblioteconomia, inclusão digital e cidadania. Também incluído no projeto de implantação do Centro Soweto de Documentação Estudo e Pesquisa em Relações Raciais, será apresentada a Biblioteca Luiz Gama, composta por publicações temáticas do universo das relações raciais, e o conjunto de pré-projetos dos jovens do curso de formação para implantação de bibliotecas comunitárias e espaços socioeducativos para a juventude nos bairros Campo Limpo, Cidade Tiradentes, Ipiranga, Itaquera, Jaguaré, Jabaquara,  Jardim Brasil, Pirituba, Sapopemba, Vila Buarque e Quilombo da Caçandoca/Ubatuba. A mostra dos produtos acontece no Sindicato dos Bancários de São Paulo (rua São Bento, 413 – salão Amarelo).
Jornalista afro-americano
O Núcleo de Jornalistas Afro-brasileiros do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul realiza no dia 20 de abril, às 18h, um encontro com o jornalista afro-americano Bob Butler, fundador da National Association Black Journalists e presidente da Bay Area Black Journalists Association, de São Francisco, Califórnia. O evento marca a abertura do ciclo de palestras da programação cultural 'Sugestão de Pauta: Mídia Étnica' desenvolvida pelo Núcleo com o intuito de estimular junto aos jornalistas, comunicadores, universitários dos cursos de Comunicação e público o conhecimento, reflexão, debate e conscientização sobre diversidade racial, a invisibilidade da população negra na mídia brasileira e as políticas de ação afirmativa nos meios de Comunicação. Bob Butler falará sobre 'As relações entre jornalistas afro-americanos e as empresas de mídia: a importância dos jornalistas negros ocuparem cargos de chefia'. O norte-americano abordará, ainda, o papel da mídia em relação à comunidade afro-americana antes de 1960 e após a aprovação da Lei dos Direitos Civis de 1964, bem como a influência da mídia afro-americana sobre os movimentos de direitos civis nos Estados Unidos. A participação é gratuita, com entrega de certificado. A palestra acontecerá no auditório da Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da Ufrgs, rua Ramiro Barcellos, 2705, em Porto Alegre). Informações: (51) 9117.3390 com Jeanice Ramo e (51) 9135.6435 com Vera Daisy Barcellos.
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O que me preocupa não é o grito dos violentos. É o silêncio dos bons.
Martin Luther King
Rio de Janeiro formaliza adesão ao Fórum Intergovernamental de Igualdade Racial e elaboração de Plano Estadual para imprimir, clique aqui.

Após a criação da Superintendência de Promoção da Igualdade Racial, o estado do Rio de Janeiro dará mais um passo para a superação do racismo e das desigualdades raciais. Na terça-feira (17), a ministra Matilde Ribeiro e o governador Sérgio Cabral Filho assinam os termos de adesão ao Fórum Integovernamental de Promoção da Igualdade Racial e de cooperação técnica para a elaboração do Plano Estadual de Promoção da Igualdade Racial, baseada nas propostas apontadas na 1ª Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial do Rio de Janeiro, ocorrida em 2005.

Participam da solenidade, marcada para as 15h30 no Palácio Guanabara, a secretária estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Benedita da Silva; a superintendente de Promoção da Igualdade Racial, Maria Ceiça; cerca de 20 gestores municipais de igualdade racial do Rio de Janeiro; lideranças do movimento negro; quilombolas e religiosos de matriz africana.

Foro Brasileiro Afrodescendente avalia políticas de igualdade racial no Brasil e nas Américas para imprimir, clique aqui.

O Geledés - Instituto da Mulher Negra e Global Rights realizam, nos dias 19 e 20 de abril em São Paulo, o Foro Brasileiro Afrodescendente para discutir a participação e a incidência no processo da IV Cúpula das Américas, em que foram acordados compromissos de combate à pobreza, à desigualdade, à fome e à exclusão social para a consolidação da democracia e liberdade nas Américas.

Autoridades governamentais, entre as quais a ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, e especialistas da sociedade civil organizada vão avaliar os avanços e apontar os desafios do Brasil no campo das políticas públicas para eliminação das desigualdades raciais a partir da promoção da igualdade e inclusão social.

O Foro Brasileiro Afrodescendente deverá constituir uma proposta dos afrodescendentes, contemplando encontros realizados em março na Nicarágua e Colômbia, para a 37ª Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos que acontece de 3 a 5 de junho no Panamá.
Empresas multinacionais aderem à campanha Diversidade Racial no Mercado de Trabalho para imprimir, clique aqui.

A diversidade racial no mercado de trabalho foi tema de reunião da ministra Matilde Ribeiro, na quinta-feira (12) em São Paulo, com representantes das empresas multinacionais Faber Castell, Basf, Volkswagen e IBM. No encontro, foram apresentados os programas desenvolvidos pelas empresas que seguem uma filosofia de valorização de talentos levando em consideração a origem étnica-racial e de gênero de seus funcionários.

Essa prática de responsabilidade social, mundialmente adotada, vence as barreiras da discriminação ao oportunizar acesso ao mercado de trabalho e reconhece na diversidade uma potencialidade de agregar valor aos seus produtos a partir da proximidade com a realidade de diferentes públicos consumidores.

A reunião sinalizou a realização de um Diálogo sobre Diversidade nas Empresas no mês de maio, quando serão apresentadas as experiências dos programas da Faber Castell, Basf, Volkswagen, IBM e Camisaria Colombo para difusão do conceito e sensibilização das empresas brasileiras para a promoção da igualdade racial no momento de seleção e nas oportunidades de ascensão profissional.  A iniciativa é uma das ações para cumprimento da Convenção n. 111 da Organização Internacional do Trabalho para eliminação da discriminação nas relações de trabalho e emprego.
Estudantes negros e cotistas refletem sobre o futuro das universidades brasileiras para imprimir, clique aqui.

Começa nesta sexta-feira (13), às 14h, o 1º Enune - Encontro Nacional de Estudantes Negros e Cotistas “Por uma Universidade Democrática e Popular”, na Câmara Municipal de Salvador (BA). A mesa de abertura abordará o tema “Ações Afirmativas: cotas e Estatuto da Igualdade Racial”, tendo representações da UNE (União Nacional de Estudantes), União Estadual de Estudantes da Bahia, Movimento Negro Unificado, Unegro, CUT (Central Única dos Trabalhadores), Secretaria Municipal de Reparação de Salvador, Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade da Bahia, Secretaria Nacional da Juventude e Seppir.

Na tarde desta sexta-feira (13), a partir das 17h, estão programadas oficinas de religiosidade africana, feminismo negro, Hip Hop, representação negra na mídia e sensibilização no ensino médio para a política de cotas.  Essas atividades acontecem na Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (Rua Caetano Moura, 121).

No sábado (14), a programação reinicia às 9h levando como discussão o tema “Por uma Universidade Democrática e Popular” a ser desenvolvido pelo reitor da Universidade Federal da Bahia, Naomar de Almeida e representantes da Rede Nacional de Juventude Negra, Núcleo de Estudantes Negros da Universidade Católica e Comissão Nacional de Acompanhamento do Prouni (Programa Universidade para Todos). As atividades da tarde vão gerar debate em torno do “Desafio da Permanência”, conduzido pela Coordenação do Programa Afroatitude, pelo Departamento de Assistência Estudantil da Unifacs e pela Assessoria de Diversidade e Apoio aos Cotistas da Universidade de Brasília.

O 1º Encontro Nacional de Estudantes Negros e Cotistas se encerra no sábado (14), às 16h, com a plenária final “Construindo uma Plataforma de Ação para a Luta Anti-Racista nas Universidades Brasileiras”, coordenada pela União Nacional dos Estudantes, Associação Brasileira de Pesquisadores Negros, Programa Afroatitude, Secretaria Nacional de Juventude e Seppir. O encontro tem apoio do Ministério da Educação, Ministério da Saúde, Secretaria Nacional da Juventude e Seppir.

Violência e juventude em pauta no Senado Federal para imprimir, clique aqui.

Com Agência Senado

Parlamentares, integrantes de organismos internacionais e representantes da sociedade civil debateram nesta terça-feira (10) questões relacionadas à juventude e violência, entre elas a redução da maioridade penal e a implementação de políticas públicas para o adolescente infrator. O debate, promovido pela Frente Parlamentar em Defesa da Criança e do Adolescente, ocorreu na data escolhida por entidades de defesa da criança e do adolescente para ser o Dia Nacional de Mobilização contra a Redução da Maioridade Penal.

A discussão girou em torno de medidas que possam proporcionar a reinserção do jovem em conflito com a lei na sociedade. Carmem Oliveira, presidente do Conselho Nacional da Criança e do Adolescente (Conanda) apresentou o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase), projeto que prevê - entre várias medidas - a qualificação do profissional carcerário, a priorização das penas em meio aberto (como a liberdade assistida ou a prestação de serviços à comunidade), a criação de um plano individual de atendimento a cada infrator e a reforma das unidades de detenção, que passariam a abrigar no máximo 90 adolescentes. Carmem ainda apontou para a decadência dos centros de detenção juvenis conhecidos como Febem e afirmou que existe uma "cultura da prisionalização" no Brasil, privilegiando o encarceramento em detrimento da semiliberdade.

Após divulgação da pesquisa realizada pela CNT/Sensus, que estima em 81,5% a quantidade de brasileiros que apóiam a redução da maioridade penal dos 18 anos para os 16 anos, o coordenador de projetos do Unicef, Mário Volpi, afirmou que é necessário "desconstruir os mitos que rondam o tema". Segundo números citados por Volpi, a parcela de crimes cometidos por adolescentes é muito pequena, não justificando medidas de endurecimento para os menores. “Não existe nenhum estudo que comprove que o aumento de penas reduza a prática de atos infracionais”, afirmou Volpi.

Jovens negros
Convidados pela Seppir, Paulo Petri, da Cufa (RS), e Fernanda Matheus, da Força Ativa (SP), relataram a realidade das periferias e o urgente cumprimento de medidas socioeducativas para reverter o quadro de violência juvenil. “Se aprovada, a redução da maioridade penal será mais uma forma de dizimar pobres e negros. É preciso aprofundar o debate para que as pessoas percebam que essa não é a solução. Temos de fazer vale o Estatuto da Criança e Adolescente: inserir socialmente a juventude e não trancá-la em centros de reabilitação”, diz Fernanda Matheus que emocionou o público com a leitura da Carta aos Participantes do debate “Violência e Juventude”.

“Violência é saber que milhares morrem todos os dias nas periferias, seja de doenças que tem cura, seja por mortalidade infantil, por displicência médica, por homicídio, por violência policial, de fome, de frio.
(...) Violência é cometer menos de 10% dos crimes e ser culpado por todos os crimes que ocorre no Brasil.

(...) Violência é passar por cima do ECA ignorando os direitos da criança e do adolescente, reduzindo a idade penal”.   Fernanda Matheus, 26 anos, é mediadora de leitura de biblioteca comunitária da Cidade Tirandentes, zona leste de São Paulo (SP). 
Audiência pública discute reivindicações de quilombolas capixabas para imprimir, clique aqui.

Comunidades quilombolas do município de São Mateus participaram de uma audiência pública realizada na Delegacia Regional do Trabalho de Vitória (ES) na última terça-feira (10/4) para reivindicar da Aracruz Celulose o recolhimento de resíduos do corte de madeira. As comunidades sobreviviam da venda de carvão produzido a partir de pontas e galhos de eucalipto descartados pela empresa até que foram proibidas de fazê-lo após a ocorrência de um incêndio.

A audiência foi marcada depois que um grupo de moradores de quilombos da região  visitou a Comissão de Direitos Humanos do Senado, no início de abril, e foi recebido pelo senador Paulo Paim (PT-RS). O objetivo foi promover uma conciliação em favor das necessidades dos quilombolas e discutir uma alternativa de desenvolvimento sustentável para a comunidade.

Participaram da audiência 40 pessoas, entre elas o delegado regional do Trabalho, Darciso Vieira; a gerente da Subsecretaria de Comunidades Tradicionais da Seppir, Ivonete Carvalho; representantes da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, dos ministérios das Minas e Energia, do Trabalho e Emprego e do Desenvolvimento Agrário, da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), da Fundação Cultural Palmares e do governo do Espírito Santo.

Segundo Ivonete Carvalho, os líderes quilombolas relataram a repressão policial após a decisão da empresa de proibir sua entrada na área, que também é objeto de processos de regularização fundiária instaurados pelo Incra. Além disso, afirmaram que perderam a única fonte de sustento, o que lhes causa grande dificuldade de sobrevivência.

Os representantes do governo federal solicitaram da empresa o atendimento da reivindicação dos quilombolas para retirada dos resíduos, cabendo a Aracruz Celulose pronunciamento nos próximos dias. O governo brasileiro constituiu um grupo de trabalho responsável pela construção de um programa de desenvolvimento sustentável para as comunidades quilombolas de São Mateus que envolva como parceiros os governos municipal e estadual.

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Assessoria de Comunicação Social da Seppir
Jornalistas: Isabel Clavelin e Rose Silva
Editoração: Njobs
Telefone: (55 61) 3411-4977
Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
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