Destaque Seppir - Semana de 11 a 17 de Agosto de 2006 -
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11 a 17 de agosto de 2006 nº 82 ano 2  
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Boletim informativo semanal da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
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Rápidas
Educação e Direitos Humanos - Já estão abertas no site www.presidencia.gov.br/sedh as inscrições para o Congresso Interamericano de Educação  em Direitos  Humanos que  será  realizado  em Brasília,  no período  de  30 de agosto a 2 de setembro. O evento é promovido pela SEDH (Secretaria Especial de Direitos Humanos), Unesco, MEC (Ministério da Educação), MJ (Ministério da Justiça) e com o apoio do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e Radiobrás. Estão disponíveis 600 vagas e as inscrições são gratuitas. O objetivo desse congresso é debater o papel da educação em direitos humanos na contemporaneidade, identificar os compromissos internacionais na implementação do plano global e planos nacionais de educação em direitos humanos, promover uma reflexão e análise de experiências significativas de Educação em Direitos Humanos desenvolvidas por diferentes atores sociais, nacionais e internacionais de Estados e sociedade civil. Diversos painéis serão desenvolvidos com a presença do Ministro da Educação, Fernando Haddad, do ministro da SEDH (Secretaria Especial dos Direitos Humanos), Paulo de Tarso Vanucchi e diversos atores sociais  que  atuam no  campo da  educação e  dos  direitos  humanos, identificando proporções  e prioridades  com  vistas  ao  fortalecimento  de políticas de educação em  direitos  humanos. Entre os diversos painéis, será feito o lançamento  do livro “ Mídia  e Direitos Humanos: Uma  Análise da Cobertura da Imprensa”, abrindo um debate com  diversos  profissionais de imprensa.

Jongo em vídeo - Uma interessante pesquisa sobre a dança Jongo se transformou em um vídeocumentário, produto do trabalho de conclusão de curso do jornalista Tiago Gonçalves. O trabalho “Ritual e Magia no Quilombo São José” registra as manifestações culturais praticadas por afrodescendentes da comunidade quilombola de São José,  no interior  do  Rio de Janeiro. O documentário pode  ser  acessado no endereço http://www.puccamp.br/especial.aspxid=20

Cidadania e solidariedade - O PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e o Movimento Nacional pela Cidadania e Solidariedade estão organizando o Seminário "O desafio dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio Brasil: um convite à reflexão das práticas premiadas", que se realizará em três momentos: Salvador (BA) em 11 de agosto, Brasília (DF) no dia 14 de agosto e em Porto Alegre (RS) no dia 16 de agosto. O Prêmio ODM Brasil foi instituído para valorizar e fortalecer as ações e iniciativas bem sucedidas, que vêm sendo implementadas pela sociedade e pelo poder público visando alcançar, até 2015, os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) estabelecidos em 2000 pelas Nações Unidas (ONU) em conjunto com 191 países, inclusive o Brasil. Esses eventos integram as atividades da 3ª Semana Nacional pela Cidadania e Solidariedade. Para participar, é necessário se inscrever para a Semana. As inscrições podem ser realizadas pela página
http://www.pnud.org.br/semana2006

Maçonaria defende cotas - A defesa de Ações Afirmativas começa a sensibilizar amplos setores da sociedade brasileira. A Grande Loja Maçônica do Rio de Janeiro anunciou esta semana apoio ao PL 73/99 e ao Estatuto da Igualdade Racial, ambos tramitando no Congresso, que instituem cotas para negros e indígenas.
Ao longo da história os maçons tiveram participação ativa em amplos movimentos, incluindo a Independência, a Abolição da escravidão e o movimento pela instalação da República. Entre as personalidades negras que fizeram parte da maçonaria estão o diplomata Barão do Rio Branco e o músico Pixiguinha. (Fonte: Afropress)

Brasil Afroatitude - Chegou a hora de você mostrar sua experiência no campo da Aids e Racismo e de Ações Afirmativas para a inclusão racial. Inscreva seu trabalho na I Mostra do Programa Brasil Afroatitude que acontecerá em novembro durante o VI Congresso Brasileiro de Prevenção às DST e AIDS em Belo Horizonte/MG.
Esta é a primeira vez que experiências diversas sobre o Programa Brasil Afroatitude estarão em um único espaço, proporcionando a avaliação do que já foi feito, a elaboração de novas estratégias e a troca de experiências entre os alunos, professores e as universidades. As inscrições encerram-se em 15 de agosto. Para inscrição, acesse o site www.aids.gov.br/congressoprev2006

 

 
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Embora ninguém possa voltar atrás
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e fazer um novo começo,

qualquer um pode começar

  agora e fazer um novo fim...
Chico Xavier
Seppir contribui com recorte racial em sistema socioeducativo para crianças e adolescentes

 
Brasília - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, recebe das mãos do presidente do Conanda, José Fernando da Silva, o texto final do Sinase
Foto: AGBN
 
O Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente) entregou nesta quarta-feira (9), ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, um documento com as diretrizes básicas do Sinase (Sistema Nacional de Atendimento de Medidas Socioeducativas).

A solenidade de entrega do documento, elaborado por um grupo de trabalho formado por especialistas representantes de conselhos estaduais, municipais e conselhos tutelares, aconteceu no Palácio do Planalto e foi um dos marcos do VIII Encontro de Articulação do Conanda, que se encerra hoje (11), em Brasília.

A formulação do Sinase contou com a participação da Subsecretaria de Políticas de Ações Afirmativas da Seppir através da assistente social Cristina de Fátima Guimarães, conselheira titular da Secretaria no Conanda. A contribuição se deu na elaboração de um conjunto de normas, orientações e medidas para atendimento ao jovem autor de ato infracional com atenção ao recorte étnico-racial.

Especificidades
Segundo Cristina Guimarães, o que se propõe é estabelecer ações de cunho educativo com o recorte racial como ficou assegurada na proposta de capacitação dos atores do Sinase, garantindo também o fortalecimento da PNPIR (Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial) que impacta diretamente nos direitos das crianças e adolescentes negras, especialmente quilombolas.

“Ao reconhecer a necessidade de parâmetros para a formação continuada desses atores, com certeza se assegura a inclusão das questões étnicos-raciais, além de outros eixos imprescindíveis para o reconhecimento das diferenças e da diversidade”, concluiu a assessora técnica.

Intervenção
A assessora técnica enfatiza que para a superação das desigualdades raciais no Brasil, é necessário empreender ações coordenadas e articuladas que levem em consideração os esforços de todas as instâncias do governo e da sociedade civil. É com o papel de articulação que a Seppir integra o Conanda e fará parte de uma comissão intergovernamental, iniciando um diálogo com os atores do sistema de garantia de direitos, inserindo a política nacional de promoção da igualdade racial nessas instâncias, definindo ainda, estratégias de ações para crianças e adolescentes negras e quilombolas que se encontram em situação de desvantagem socioeconômica e com seus direitos violados.

Nesse sentido, Cristina Guimarães cita como principais intervenções da Seppir no Conanda a inserção da questão racial no Sinase, como fornecimento de dados e proposições para a implementação desse sistema, levando a compreensão das diferenças a todos os agentes comprometidos no trabalho educativo, e a definição de um eixo temático na VI Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, realizada em 2004, assegurando um espaço de reflexão e discussão sobre a promoção da igualdade e valorização da diversidade de gênero, raça, etnia, orientação sexual e cuidados físicos, como os necessários para os portadores de deficiência.

 

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A Caixa e a inclusão social com enfoque na questão da igualdade racial

 

Seminário promovido pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil sobre as Metas do Milênio, em Brasília
Foto: Elza Fiuza/ABr

 
A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil estabeleceram uma parceria de peso para atender os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) até 2015. Com o tema “8 Jeitos  de Mudar  o  Mundo, Nós  Podemos”, os bancos identificaram oito eixos de atuação para erradicar a pobreza e a fome, atingir o ensino básico universal, promover a igualdade de gênero e a autonomia das mulheres,  reduzir a mortalidade infantil, melhorar a saúde materna, combater o HIV/AIDs, a malária  e outras doenças,  garantir a sustentabilidade ambiental e estabelecer parceria mundial para o  desenvolvimento.

O anúncio foi feito em 9/08/06, durante a 3ª Semana Nacional pela Cidadania e Solidariedade, em Brasília. O evento, realizado anualmente, tem o objetivo de informar, conscientizar e mobilizar a população para o exercício da cidadania por meio da prática da solidariedade.

Na solenidade, a secretária-adjunta da Seppir, Maria do Carmo Ferreira da Silva, ressaltou as principais ações afirmativas propostas, articuladas e coordenadas pela Secretaria. Um dos pontos destacados foi o envolvimento da Caixa Econômica Federal no cumprimento de compromissos assumidos com comunidades remanescentes de quilombos, indígenas e ciganos para a inclusão social.

Essa parceria possibilita investimentos em saneamento, saúde, educação, habitação e segurança alimentar, além da regularização fundiária e projetos de geração de ocupação e renda.  Leia na íntegra o pronunciamento da secretária-adjunta.

A Caixa, o BB e a inclusão social com enfoque na questão da igualdade racial

 

 

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Quilombolas: tradição e cultura da resistência

Um novo registro da cultura afro-brasileira circula no mercado editorial. Na terça-feira passada (8), a editora Denise Carvalho lançou a publicação Quilombos: Tradição e Cultura da Resistência, que documenta a pesquisa do professor da UnB (Universidade de Brasília) Rafael Sanazio Araújo dos Anjos realizada em dez comunidades quilombolas situadas em pontos do país. O livro foi apresentado em meio à exposição fotográfica montada na sede da Caixa Econômica Federal, em Brasília.

Através de fotografias, relatos de moradores, observações e mapas, o professor Rafael Sanazio Araújo dos Anjos recupera a história e a cultura de um povo que soube guardar saberes de tempos perenes adaptando-se aos tempos persistindo e resistindo. Nesses recortes fotográficos estão materializadas o modo de viver, a memória ancestral na expressão dos rostos negros, na força da matriz africana, no labor diário das roças e das técnicas agrícolas, na incorporação dos elementos da natureza, nas mãos que fazem artesanato, preparam alimentos e rezam os doentes. Segundo o professor, poucos países no mundo possuem tanta diversidade de raízes culturais em sua formação como o Brasil.

De acordo com a secretária-adjunta da Seppir, Maria do Carmo Ferreira da Silva, a publicação, patrocinada pela Petrobrás com apoio da Secretaria, inventaria algumas comunidades quilombolas e contribui para a ampliação e a continuidade das discussões para que as questões raciais no Brasil sejam tratadas com seriedade e com o compromisso de revitalizar o patrimônio cultural dessas comunidades.

Em sua exposição, a secretária-adjunta emocionou a platéia ao convocar todos a conceder atenção especial à obra: “É preciso ver com o olhar da alma para captar com sentimento o que está registrado. Ter sensibilidade para entender o que está ali colocado, sentir através das danças e das cantigas, perceber através do falar genuíno, de olhares e sorrisos. Enfim, estar atento aos contornos e reconhecer os territórios”, enumera ao lembrar que esses são componentes da diversidade e que devem ser preservados.

Afirmando que o momento não justifica a desunião dos povos, Maria do Carmo Ferreira da Silva lembrou a pobreza material e a riqueza cultural da sua região natal, o Vale do Jequitinhonha (MG). Pediu a benção dos protetores espirituais daquela região para os presentes e para aquele trabalho de resgate cultural.

 

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Jovens se mobilizam através de redes de articulação

Enfatizar a importância da luta contra o genocídio das juventudes afrodescendentes e indígenas é uma das metas da Renajun (Rede da Juventude Negra). Na Conferência Regional das Américas, ocorrida no final de julho, os jovens emocionaram os participantes ao apresentar suas impressões em relação ao tema.

“O século XXI é o século da reparação, por isso não devemos e nem podemos continuar somente produzindo documentos, participando de conferências, seminários e congressos, e sim enfatizar os acordos adotados entre as sociedades civis, os estados das Américas e os organismos de cooperação internacional, para promover a verdadeira igualdade racial”, salientou Thatiane Silva, delegada da sociedade civil do Brasil.

Apontamentos referentes à violência racial e a implementação de ações afirmativas foram alguns dos pontos mais evidenciados na apresentação dos jovens, que fizeram intervenções e manifestações sobre o assunto, como observou a coordenadora da Renajun em Salvador (BA), Maíra Azevedo.

“É preciso desenvolver práticas de relacionamento entre os processos organizacionais e diferentes dinâmicas que possibilitem realizar uma frente comum de trabalho para as violações aos diretos humanos, possibilitando uma melhor participação de todas as pessoas incluídas negativamente na sociedade, como os afrodescendentes, indígenas, migrantes, ciganos, pessoas com deficiência, portadores de HIV/AIDS, lésbicas, gays e pessoas transexuais nos mais variados espaços de decisão”, explica Martin Negrete, delegado jovem do Paraguai.

Contando com o apoio da SubAA (Subsecretaria de Políticas de Ações Afirmativas), a Renajun contabiliza 400 jovens negros mobilizados que atuam como formadores de multiplicadores de informações para garantir o acesso ao conhecimento dos direitos já assegurados por lei. O grupo, acompanhado pela consultora da SubAA Eloa Kátia Coelho, pretende estimular ações que possam gerar mudanças  comportamentais  da  sociedade para a redução dos índices de mortalidade juvenil na população  negra  e indígenas.

Novos passos
Representando uma das lideranças desse movimento jovem, Maíra Azevedo ressalta a importância do apoio da Seppir para a identidade e credibilidade desse trabalho que  está  sendo organizado em  cada  estado. A Campanha do Laço Laranja, que objetiva potencializar o debate sobre o genocídio destas juventudes e as ações afirmativas, principalmente no que diz respeito às cotas raciais nas universidades brasileiras foi entregue ao Relator da ONU, Doudou Diène, que prometeu incluir  esse  tema em  seu relatório final.
 
Diversidade
O movimento GBLTT (gays, bissexuais, lésbicas, travestis e transgêneros) também tem representantes na Renajun. Na Conferência Regional das Américas, o grupo expôs suas argumentações em plenária, reivindicou a visibilidade dos transexuais e transgêneros, além da implementação de medidas legais que combatam a homofobia. Segundo Maíra Azevedo, os estados da Bahia, São Paulo e Rio Grande do Sul, já possuem grupos organizados e colaboram em trabalhos de capacitação para transformar cada membro em potencial multiplicador da defesa dos direitos humanos e a garantia dos direitos sexuais e reprodutivos destas pessoas.

 

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O mosaico fotográfico que compõe o cabeçalho do boletim foi criado a partir de imagens da 1ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial.
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