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Ciganos - Amanhã (8), comemora-se o Dia Internacional dos Ciganos, data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1971, através de ampla campanha de conscientização da cultura cigana. No Brasil, o primeiro cigano identificado foi o português João Torres, que chegou em 1574 na condição de degredado.
Saúde da População Negra - A Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo instituiu, no último dia 30 de março, o Grupo de Trabalho da População Negra DST/HIV/Aids do Comitê Técnico Estadual de Saúde da População Negra. O trabalho do comitê abrange as áreas: mortalidade materna, anemia falciforme, populações remanescentes de quilombos e Dst/Hiv/Aids.
Combate à discriminação no DF - O Ministério Público do Distrito Federal criou por um Núcleo de Enfrentamento à Discriminação (NED). Em correspondência à ministra Matilde Ribeiro, assinada pelos promotores Libânio Rodrigues Alves e Alessandra Queiroga, a iniciativa responde uma necessidade antiga na área de direitos humanos com recortes específicos para grupos sociais e raciais. Os promotores reconheceram a discriminação racial como uma das formas mais brutais de violência social e manifestaram o interesse de intensificar ações conjuntas com a Seppir para o combate à discriminação racial.
Religiões afro-brasileiras - A Seppir, juntamente com sociedade civil, estão apontando ações de combate à discriminação religiosa às casas de terreiro no Rio de Janeiro. O trabalho está sendo realizado com a SEDH (Secretaria Nacional de Direitos Humanos) para levantamento denúncias de traficantes de drogas na coibição da manifestação de religiosa de umbanda e candomblé.
Psique e Negritude - O Instituto Amma Psique e Negritude promove, deste mês até julho, o "Ciclo Formativo: Família, Educação e Auto-estima", em São Paulo (SP), com psicanalistas, psicólogos e intelectuais, como o integrante do CNPIR, professor doutor Kabengele Munanga. Na programação, sempre das 19h às 22h30, palestras sobre os sentimentos provocados pelo racismo, o papel da família na formação da auto-estima da criança negra, corpo e expressão, relações inter-raciais, o trabalho de educadores para despertar o pertencimento racial e influência da cultura na formação da identidade e auto-estima afro-brasileira. O primeiro painel "A noção de família como elemento recente na formação da população afrodescendente" está marcado para o dia 17 de abril e será apresentado pela psicanalista Isildinha Nogueira. Informações e inscrições pelo fone (11) 3675-6029 ou ammapsi@uol.com.br
Bolsas de pós-graduação - Até o dia 22 de maio, interessados em apresentar projetos de mestrado e doutorado, no Brasil e exterior, podem encaminhar suas candidaturas para o programa Internacional de Bolsas de Pós-graduação da Fundação Ford. São oferecidas bolsas, com duração de três anos, para homens e mulheres com potencial de liderança em seus campos de atuação. A iniciativa pretende aprimorar os conhecimentos científicos de lideranças comprometidas com a justiça econômica e social. São favorecidos candidatos pertencentes a grupos com acesso restrito ao ensino superior, como negros, indígenas e residentes nas regiões Norte e Nordeste. Os projetos devem estar alinhados aos 12 campos de atuação da Fundação Ford. A seleção, sob responsabilidade da Fundação Carlos Chagas, concederá 40 bolsas. Mais informações no site www.programabolsa.org.br, pelo e-mail programabolsa@fcc.org.br ou pelo fone (11) 3722-4404.
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S.R. de Souza, in Ciganos rom - um povo sem fronteira
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Ação foca no respeito e garantia dos direitos humanos dos imigrantes
Foto: Divulgação CEDAPS |
A situação de refugiados e imigrantes negros na Baixada Santista é tema de agenda da secretária especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, ministra Matilde Ribeiro, neste final de semana, em Santos (SP). Hoje (7), pela manhã, a ministra e o secretário-adjunto da Seppir, Douglas Martins, reuniram-se com a coordenação geral do projeto Imigrantes em Santos e na Baixada Santista. À tarde, em audiência com o prefeito João Paulo Tavares Papa trataram da potencialização do projeto desenvolvido na região, onde chegam 80% dos imigrantes provenientes de países africanos.
O lançamento do projeto acontece na Universidade Católica de Santos, às 19h, e conta com a participação reitora da Universidade de Santos, Maria Helena Lambert; presidente da Cáritas Diocesana de Santos, Rosana Lima; presidente do Conselho Nacional para Refugiados, Luiz Paulo Barreto; representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Luiz Varese; e demais autoridades locais.
A iniciativa pretende fazer um diagnóstico da situação do imigrante regular ou em iminência de regularização, garantindo uma assistência humanitária por considerar a busca de melhores condições de vida e oportunidade do indivíduo.
A programação segue até amanhã (8) em seminário, quando serão apresentadas palestras enfocando temas como “Refugiados e migrantes: conceitos, legislações e atores envolvidos”; “Projeto Imigrantes Negros em Santos e Região”; “Políticas de Promoção da Igualdade Racial e Étnica em Santos” e “Projeto Assistência Humanitária ao Imigrante Africano”
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| Comunidade passa a ser atendida pelo programa Brasil Quilombola, que estimula desenvolvimento sustentável
Foto: Divulgação Seppir |
Depois de Mucambo e Porto da Folha, chegou a vez de Mussuca, em Sergipe, receber a certificação de auto-reconhecimento como comunidade remanescente de quilombo pela Fundação Cultural Palmares. O comunicado oficial foi feito na terça-feira (4) durante visita do governo federal na localidade.
Localizada no município de Laranjeiras, Mussuca fica a 20 quilômetros do centro e possui, aproximadamente, mil famílias, totalizando uma população de 2.400 pessoas. Com a certificação, Mussuca é automaticamente incluída no programa Brasil Quilombola, que prevê uma série de projetos como regularização fundiária, infra-estrutura e serviços, desenvolvimento econômico e social e controle e participação social.
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Geraldo Carneiro (de azul) em reunião na Seppir
Foto: Divulgação Seppir |
A forma como homens e mulheres negras são representados na mídia e a reprodução de estereótipos foi o principal assunto da reunião da subsecretária e diretor de Políticas de Ações Afirmativas, Maria Inês Barbosa e Jorge Carneiro, com o escritor Geraldo Carneiro, colaborador da minissérie JK, que retratou a vida do presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira. Durante o encontro, ocorrido na terça-feira (4), foram apresentadas as considerações encaminhadas por abaixo-assinado pelo movimento de mulheres negras e movimento negro, como estigmatização da imagem negra e violência contra as mulheres negras.
Geraldo Carneiro considerou a necessidade de denunciar a violência como instrumento pedagógico e estímulo ao debate público para melhor compreensão de fatos verídicos na história do Brasil. Segundo o escritor colaborador da minissérie, situações de violência, como as expostas na história, devem ser expostas para que não aconteçam novamente.
A subsecretária Maria Inês Barbosa lembrou que as mulheres negras foram vitimadas, ao longo da história, a uma série de violências. No entanto, argumentou a inexistência de referenciais de reação ao longo da trama. "A ausência de outros personagens reforça a percepção do espectador. Estamos num momento de desconstrução dos estereótipos e não podemos esquecer que a arte recria a realidade. Consideramos a necessidade de um patamar de dignidade e luta que sempre estiveram presentes na história do povo negro", afirma.
Na conversa foram lembradas obras como o filme Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, o qual explicita uma violência descontextualizada de sua origem. Diferente do livro de Paulo Lins, fonte de inspiração do longa-metragem, que encontra no racismo a causa dos problemas sociais vividos pelos moradores do bairro e cria um personagem defensor dos direitos da população negra. Também foram apontadas as estratégias de branqueamento na dramaturgia ao não conceder uma história real aos personagens negros com família, relações afetivas entre os pares e escassos papéis de destaque com consciência política e racial.
O diretor Jorge Carneiro lembrou ainda da marcante presença negra no estado de Minas Gerais com inserção política nos anos 1930 e 1940, não revelada na minissérie, e a concentração de comunidades de terreiro na região. Também abordou as contribuições feitas pelas lideranças ciganas, encaminhadas ao grupo de escritores, sobre a descendência cigana do presidente JK.
O escritor Geraldo Carneiro se mostrou reflexivo e ponderou que esse processo de discussão fornece elementos para novas histórias dramatúrgicas, justamente por se referirem ao comportamento social.
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Brasília sediará a primeira escola de futebol com metodologias especiais voltadas à inclusão social de jovens de países africanos de língua portuguesa. A proposta é resultado de convênio de cooperação técnica entre Ministério dos Esportes, UnB (Universidade Federal de Brasília) e Anceabra (Associação Nacional dos Coletivos Empresariais e empreendedores Afro-Brasileiros), integrante do CNPIR (Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial).
A escola funcionará em instalações cedidas pela UnB, que ficará responsável pela formatação do curso como com conteúdos que contemplem a educação formal dos jovens, promovendo a interação da língua e da cultura, além da preparação técnica de futuros atletas e profissionais dessa categoria de esporte. Na primeira etapa, que acontecerá ainda neste semestre, serão capacitadas 60 profissionais selecionados pelas federações de futebol de Angola, Moçambique, São Thomé e Príncipe, Portugal e Brasil, para trabalharem com os jovens que permanecerão no Brasil por seis meses.
A idéia surgiu durante a realização da 1ª Copa de Futebol Juvenil de Países de Língua Portuguesa, promovida pela UNEB e Anceabra com apoio do Ministério dos Esportes. O torneio contou mais de 200 participantes, em 2005.
Essa integração com os países africanos é também resultado de compromissos assumidos pelo presidente Lula em visita a esses países, reconhecendo a importância dos esportes no desenvolvimento social e econômico de uma nação. Como resultado de parcerias com o Brasil, Angola já conta com uma fábrica de bolas de futebol contribuindo na geração de emprego e renda, possibilitando também construções e acesso a atividades lúdicas como inclusão social para a juventude.
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Grupo assegurou interesses de jovens rurais e urbanos
Foto: Paulo Pereira |
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A garantia de autonomia das escolas quilombolas e indígenas, com preservação das suas línguas, e o intercâmbio juvenil foram as principais propostas encaminhadas pelas jovens lideranças desses grupos étnico-raciais para o Plano Nacional de Juventude durante seminário, organizado pela Câmara de Deputados, no final de março.
No encontro, foram analisadas 106 propostas, listadas por jovens de todo o Brasil, das quais elegeu-se 20 como prioritárias. O plenário, constituído por 21 delegados e 30 observadores, assegurou uma melhor operacionalização das políticas públicas e programas de financiamento, os direitos da juventude negra, quilombola, indígena, camponesa, ribeirinha, rural, urbana e demais comunidades tradicionais uanto à educação e a preservação de sua cultura sem a imposição de uma sobre a outra.
O acesso e permanência de jovens negros e indígenas na educação, desde o ensino fundamental até a universidade (graduação e pós-graduação), e ao serviço público e privado com adoção de programas de ações afirmativas são temas sob análise e articulação. Outros pontos de discussão se referem à luta contra a intolerância religiosa, com valorização das religiões de matriz africana e crenças, ritos, mitos e cultos indígenas, e alinhamento das políticas públicas sugeridas pela juventude no Estatuto da Igualdade Racial.
As jovens lideranças também apontaram como consenso a inclusão de conteúdos de gênero, raça/etnia, tendo como referências bibliográficas obras produzidas pelas militâncias negra, e uma agenda de desconstrução dos estereótipos e preconceitos associados às juventudes afrodescendente e indígenas veiculados na mídia.
Os delegados negros elencaram como proposta específica a criação de um fundo orçamentário para garantir a implementação da lei 10639/03, a fim de qualificar profissionais da educação em todos os níveis, disponibilizar material didático de qualidade, bem como oferecer acompanhamento psico-pedagógigo, clínico e institucional realizado por profissionais com experiência nas temáticas étnico-racial, movimentos sociais e populares.
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