Destaque Seppir - Semana de 3 a 6 de Abril de 2006 -
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3 a 6 de Abril de 2006 nº 63 ano 2  
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Boletim informativo semanal da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
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Rápidas

Religiões afro-brasileiras/Bahia - O Ouvidor da Seppir, Luiz Fernando Martins da Silva, esteve recentemente na Assembléia Legislativa da Bahia participando de uma audiência pública para tratar dos direitos previdenciários e assistenciais dos sacerdotes de religiões de matriz africana. Essa iniciativa foi do presidente da comissão Especial de Trabalho Empregos e Rendas, deputado estadual Álvaro Gomes em parceria com a instituição Aquibantu - que representa as lideranças religiosas de Salvador. No encerramento da audiência, o Ouvidor da Seppir recebeu do diretor da Aquibantu, Tata Komannanjy, documentação enviada à ministra Matilde Ribeiro e ao ministro da Previdência social, solicitando providências do governo federal para a inclusão deste tema na agenda governamental.

 

Religiões afro-brasileiras/Rio de Janeiro - A Seppir se uniu ao CEAP (Centro de Articulação da População Marginalizada) e sociedade civil no estudo de medidas para combate à intolerância religiosa nas favelas do Rio de Janeiro. Foram solicitadas providências da Secretaria do Estado de Direitos Humanos sobre as denúncias recebidas de que traficantes de drogas estão expulsando lideranças religiosas do movimento negro, pais e mães de santo da umbanda e candomblé das comunidades.

 

Racismo no Futebol - O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, entregou hoje (3), ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma carta enviada pelo presidente da Fifa, Joseph Blatter. Na mensagem, Blatter agradece o apoio do governo brasileiro na campanha contra o racismo no futebol mundial. 
Segundo Teixeira, a Fifa analisou várias das medidas punitivas enviada a Blatter. Uma delas é a que trata de casos de reincidência em racismo, pela qual o jogador pode ser punido com exclusão da competição e suspensão do clube ou do país onde ocorrer a manifestação, informou Teixeira. Segundo o Ouvidoria da Seppir, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol também já foi acionado. Para a articulação de ações que combatam de fato esse tipo de  racismo, o trabalho  será acompanhado por  uma   Comissão Especial recentemente constituída.

 

Desaparecimento de militante - O desaparecimento do ativista negro professor Roberto Delanne mobilizou a Ouvidoria da Seppir, a qual solicitou providências formais da Secretaria de Segurança  Pública  do Rio de Janeiro e iniciou um processo de articulação com a sociedade civil para esclarecer esse  desaparecimento, registrado no último dia 17. Segundo testemunhas, Delanne saiu do bairro de Santa Lucia – Imbariê, distrito de Duque de Caxias, onde reside vestia bermuda e estava acompanhado por três senhores por volta das 19h. Embora residindo há sete meses no bairro, o professor é conhecido popularmente por suas atividades comunitária e social. A ocorrência foi registrada na 62º DP, em 19 de março. Qualquer informação sobre o paradeiro do profº Roberto Delanne pode ser repassada  pelos telefones (21) 3399-5235 ou 3399-5233, na 62º DP.

 

Sucesso na avenida - A Sociedade Rosas de Ouro recebe, nesta semana, o troféu como melhor samba-enredo do carnaval paulistano, concedido por jornal de São Paulo. A escola de samba levou para a avenida o tema "Diáspora Africana - Um crime contra a humanidade", contado por 22 alas que exibiram a saga africana e afro-brasileira no regime escravagista, a riqueza do continente africano, devastado pela escravização de homens, mulheres e crianças desde 1500. A agremiação apresentou a diversidade das nações e a riqueza das dinastias africanas, o conhecimento tecnológico e cultural - fundamental para o desenvolvimento do Brasil, a resistência presente nos quilombos e o processo e libertação, além da influência da cultura africana na vida nacional, inserção dos negros no mercado de trabalho, condições de vida da população negra e a luta pela igualdade racial. O tema foi inspirado no Ano Nacional de Promoção da Igualdade Racial, decretado ano passado pelo presidente Lula.

 

 
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"Eu cheguei

e fui escurecendo o rádio".

Pixinguinha

Matilde Ribeiro é homenageada com comenda da Câmara Municipal de Niterói

Ministra recebe medalha e certificado das mãos do vereador Vitor Jr.  

Ministra recebe medalha e certificado das mãos do vereador Vitor Jr.
Foto: Divulgação Seppir

 

A igualdade racial ganhou destaque, na última quinta-feira (30), quando a Seppir promoveu uma série de atividades alusivas ao Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, no dia 21 – data do seu terceiro ano de existência, em Niterói (RJ). A solenidade, realizada na Câmara Municipal, registrou as presenças de autoridades locais, lideranças do movimento negro, com notável participação da juventude e das sacerdotisas das religiões de matriz africana da Baixa Fluminense.

Em meio ao plenário repleto, a secretária especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, ministra Matilde Ribeiro, foi homenageada com a comenda José Cândido Pereira, oferecida pelo vereador Vitor Junior, como reconhecimento a sua trajetória política na atuação nos movimentos negro e feminista.

Três anos de conquista
Emocionada, Matilde Ribeiro lembrou vultos do movimento negro como Lélia Gonzáles e Abdias do Nascimento e elencou os trabalhos sob seu comando na Seppir (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), como na regulamentação dos direitos trabalhistas das trabalhadoras domésticas – anunciada pela ministra Nilcéa Freire durante agenda no início do mês na região; a prática da transversalidade entre os diferentes ministérios para garantia de políticas com recorte racial; as ações desenvolvidas nas comunidades quilombolas, que totalizam cerca de 2.250, além do pioneirismo internacional por ser um órgão federal com status de ministério destinado ao combate ao racismo.

Ministra recebe medalha e certificado das mãos do vereador Vitor Jr.  

Público confere as exposições e as resolução na área da igualdade racial
Foto: Divulgação Seppir

 

Ribeiro também comentou sobre o processo de construção do Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial, produto da 1ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, que traça diretrizes para desenvolvimento do país a partir da inclusão das populações negra, indígena e cigana. Aproveitou ainda para informar a platéia sobre a articulação internacional para a Conferência Regional das Américas sobre os Avanços do Plano de Ação contra Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerâncias Correlatas e da 2ª Conferência de Intelectuais da África e da Diáspora, ambas sediadas no Brasil e previstas para julho próximo.

“Dos 35 países americanos, 14 se espelham nas experiências brasileiras. Na Conferência Regional das Américas, cinco anos após a 3ª Conferência Mundial contra o Racismo, teremos a oportunidade de avaliar as políticas desenvolvidas na região. O Brasil foi o primeiro país a dar uma resposta efetiva ao que havia sido tratado na conferência de 2001. Já na Conferência dos Intelectuais, temos como parceiros a União Africana e será um momento em que a produção de conhecimento será valorizada. É fundamental que nos baseemos na experiência civilizatória ancestral africana”, declara ao citar a visita do presidente Lula a 17 nações africanas, nas quais esteve presente somando-se mais quatro em que viajou com comitiva própria. Matilde Ribeiro apontou como meta, até o final da gestão, a assinatura de termos de cooperação com países de língua portuguesa envolvendo Senegal e África do Sul.

Educação anti-racista
Durante a exposição, a ministra da Promoção da Igualdade Racial anunciou a formação à distância para 50 mil professores sobre história e cultura africana e afro-brasileira, segundo estabelecido na lei 10.639/03, que altera o artigo 26 A da Lei de Diretrizes e Bases, e o início do processo de recebimento de projetos para formação de professores em municípios que compõem o Fipir (Fórum Intergovernamental de Promoção da Igualdade Racial). Atualmente, as adesões registram 373 municípios e 23 estados participantes.

“Essa é uma atitude importante do Ministério da Educação. Então não dá pra dizer que essa lei não pegou, porque pegou e os resultados se tornam cada vez mais visíveis. A lei 10.639 está sendo levada adiante pelo governo federal e deve ter monitoramento seqüenciado pela sociedade brasileira. Dessa forma, criamos formas para que os descendentes de africanos conheçam e valorizem a sua origem”, enfatiza Matilde Ribeiro.

Para o secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do MEC (Ministério da Educação), Ricardo Henriques, são notórios a abertura e os avanços na estrutura do governo federal para a temática da promoção da igualdade racial, incorporada na agenda de trabalho do MEC. “O dia-a-dia ainda é fortemente conduzido por preferências discriminatórias e práticas com conteúdo racista. Num eixo organizador, percebemos que é possível construir uma educação anti-racista e anti-sexista nesse país. Isso é necessariamente tem que ser discutido desde a formação das licenciaturas das pedagogias até o exercício de praxe cotidiano em todo o Brasil”, afirma Ricardo Henriques.

Efeitos nas salas de aula
Os disparates da educação brasileira foram exemplificados no período de 22 anos que um jovem negro nordestino levaria para atingir a escolaridade média dos jovens brasileiros. “O sistema de ensino se estruturou na discriminação dos afrodescendentes e a geração de um apartheid. Nesse sentido, o MEC desenvolve uma série de políticas de ações afirmativas, como as cotas fundamentais o acesso e efetiva reversão desses indicadores”, justifica. Ricardo Henriques considerou as existências de uma banalização da discussão das políticas de cotas como se fossem uma produção da discriminação racial “o que é um absurdo do ponto-de-vista histórico desse país” e da incompreensão das políticas públicas do governo federal ao reduzir somente para a implementação de cotas.

“Temos o Prouni (Programa Universidade para Todos) que conseguiu reverter a fragilidade do sistema de ensino fazendo com que alunos da rede pública ingressem nas universidades através de bolsas de estudos. Das 150 mil vagas, cerca de 40% foram ocupadas por afrodescendentes”, ressalta Henriques. Dentre as políticas de ações afirmativas, também estão contempladas a formação de professores, elaboração de material didático, conteúdos curriculares voltados à população negra desde o ensino infantil. O titular da Secad comunicou os resultados do projeto de tutoria com mil jovens, do ensino médio, de educação em tempo integral em instituições da rede pública. “São jovens negros e negras participantes desse sistema de monitoramento e avaliação. A iniciativa é verificar o desempenho desses meninos e meninas em condições de educação adequada. Certamente, será maior”, antevê.

Porta-voz das sacerdotisas de matriz africana da Baixada Fluminense, Mãe Torodi D´Ogum  

Mãe Torodi D´Ogum representa sacerdotisas da Baixada Fluminense

 

Valorização do axé
Porta-voz das sacerdotisas de matriz africana da Baixada Fluminense, Mãe Torodi D´Ogum, saudou Olorum por ter designado uma mulher negra à frente da Seppir, ao resgatar o poder feminino nas culturas africanas. “O que queremos, porque nem sempre podemos falar, é resgatar tudo aquilo que foi apreendido no Rio de Janeiro e pertencia ao nosso povo e termos mantidas as cestas distribuídas nas nossas casas de axé”, ressalva a religiosa por tratar-se de um direito do povo de santo.

A ministra reafirmou, como compromissos os pleitos das religiosas de matriz africana, o resgate do acervo concentrado nos arquivos da Polícia Militar do Rio de Janeiro por considerá-lo patrimônio nacional, mais a continuidade e a ampliação das cestas básicas distribuídas para as comunidades de terreiro em todo o país.

Samba com todo respeito
  Vice-presidente do Centro Cultural Cartola, Nilcemar Nogueira, empolgou a platéia ao recuperar os objetivos do projeto Samba Patrimônio Cultural da Humanidade
 

Nilcemar Nogueira, neta de Cartola, exalta importância cultural do samba

Vice-presidente do Centro Cultural Cartola, Nilcemar Nogueira, empolgou a platéia ao recuperar os objetivos do projeto Samba Patrimônio Cultural da Humanidade, que se propõe ao registro das histórias orais e montagem de acervo fotográfico e de materiais das velhas guardas da Mangueira, Portela, Salgueiro, Vila Isabel, Estácio de Sá e Império Serrano. Neta de um dos ícones dessa manifestação cultural, Nilcemar classificou essa ser uma oportunidade de reflexão e conhecimento da influência africana no Brasil e de os afrodescentes serem porta-vozes de sua história. “Ao celebrarmos o samba, saudamos toda a ancestralidade negra e esperamos despertar em nossa gente o pertencimento étnico-racial. Garantir o desejo e a busca de transformação de sua realidade e preservação de seu patrimônio”, aposta.

 

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Município fluminense adere ao Fipir e cria órgão para tratar do tema

  Godofredo Pinto assina termo de adesão juntamente com Matilde Ribeiro

 

Prefeito Godofredo Pinto assina termo de adesão juntamente com Matilde Ribeiro
Foto: Divulgação Seppir

Um dos marcos do ato solene em Niterói, ocorrido no último dia 30 de março, foi a adesão do município ao Fipir (Fórum Intergovernamental de Promoção da Igualdade Racial). Além de assinar o termo de adesão e juntar-se aos 373 municípios participantes, o prefeito Godofredo Pinto anunciou a criação da Coordenadoria Especial de Promoção da Igualdade Racial, a cargo da militante Josilma Dutra.

A partir desse passo, Niterói passa a se responsabilizar pela mobilização e execução de políticas públicas de promoção da igualdade racial. Segundo o prefeito, Godofredo Pinto, "Niterói reiterou sua vocação democrática na luta pela igualdades racial. Essa coordenadoria trabalhará em conjunto com o governo na aplicação de recursos voltados para a promoção da igualdade racial no município", sentencia ele.

Considerada uma das principais cidades da região metropolitana do Rio de Janeiro, a localidade está inserida na lista dos 145 integrantes do Fipir a serem atendidos em cursos de formação presencial de professores da rede pública de ensino fundamental para utilização de material didático e conteúdo curricular sobre história e cultura africana e afro-brasileira, atendendo a determinação da lei 10.639/03.

Esse passo significativo, como discursou Matilde Ribeiro, consolida a trajetória do município nas ações contra o racismo. "Niterói, assim como o Rio de Janeiro, sempre foi uma caixa de ressonância do movimento negro em todo o país. A assinatura desse convênio possibilitará à cidade continuar implementando ações de políticas públicas na promoção da igualdade racial", destaca a ministra.

Na capital carioca
Em breve passagem pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro, no dia 30 de março, a ministra de Promoção da Igualdade Racial foi convidada pelo presidente da casa, Ivan Moreira, e pelo vereador Edson Santos a fazer um pronunciamento para os parlamentares. Matilde Ribeiro fez uma retrospectiva do valor histórico dos povos negro e indígena cuja reparação se dá pelas políticas públicas de igualdade racial, muitas delas articuladas pela Seppir nos seus três anos de trabalho, como na garantia de direitos e qualidade de vida nas comunidades quilombolas.

A ministra citou o quilombo urbano de Sacopã, localizado na lagoa Rodrigo de Freitas - área nobre da capital carioca, e inúmeros dispersos no interior do estado e reforçou: "Não há democracia com racismo nem nação ou civilização que não incorpore seus filhos. Por isso, temos de lembrar da inclusão dos negros, indígenas e dos ciganos". Após receber os cumprimentos dos parlamentares, Ribeiro reuniu-se com o vereador Edson Santos.

 

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Governo federal dialoga sobre violência nas favelas brasileiras e visita a Cidade de Deus

  Crianças brincam na quadra construída pela Cufa
Crianças brincam na quadra construída pela Cufa
Foto: Divulgação Seppir

O extermínio da juventude negra por ação do tráfico de drogas tornou-se a principal discussão nacional das duas últimas semanas de março, após a exibição do documentário “Falcão – Os Meninos do Tráfico”, veiculado no último dia 19. a comoção gerou agenda dos diretores do documentário, MV Bill e Celso Athayde, com o presidente Lula, ministros e assessores. Na quinta-feira passada (30), a ministra Matilde Ribeiro foi uma das debatedoras do “Encontros”, sessão promovida por um jornal carioca.

Depois da exibição do documentário com duração de uma hora e meia, cerca de 400 pessoas conferiram os posicionamentos do rapper MV Bill; de Marina Maggessi, inspetora da Polícia Civil; Siro Darlan, desembargador; Luiz Eduardo Soares, antropólogo; Beto Carreiro, empresário de entretenimento; e comentários de mediação do jornalista Mauro Ventura.

Matilde Ribeiro solidarizou-se às comunidades da periferia ao exaltar sua militância nos movimentos negro e feminista, o fato de ser cidadã vinda da base da pirâmide social e conhecedora da realidade da periferia, além de acreditar num projeto de transformação social. “Esse documentário nos faz pensar na urgência de mudança de rotas e a repensar nossas ações”, enfatiza a ministra da Igualdade Racial.

Já o desembargador Siro Darlan  falou sobre o processo de ridicularização da ação das ONGs (organizaçõesn não-governamentais) e dos defensores dos direitos humanos, da violência doméstica existente nos lares brasileiros e da hipocrisia de setores da sociedade que se manifestaram alheios à realidade apresentada no filme. “A responsabilidade é de cada um de nós. Na maioria das vezes, o tráfico o primeiro emprego dessas crianças”, evidenciou o desembargador indignado com as tentativas de redução da idade penal para 16 anos e o descumprimento dos direitos assegurados no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).

O rapper MV Bill criticou a distribuição de renda no país e a relação de distância entre a “sociedade” e as comunidades (periferias). “Depende da sociedade, se esse é realmente um momento histórico. Não pensar nesses jovens é não pensar em nossas vidas”, declara.

Reconhecida pela sua interlocução com a sociedade civil, a inspetora Marina Maggessi comoveu o público ao citar as péssimas condições de vida e estrutura de trabalho das polícias civil e militar e questionou: “a quem interessa quando os infratores conseguem colocar a polícia no bolso?”, desabafa a policial civil.

Durante o debate acalorado, o jovem sobrevivente Sérgio Teixeira, apelidado de Fortalece, foi aplaudido e conduzido ao palco, onde foi abraço e apadrinhado por Beto Carrero. No documentário, o jovem apresenta seu sonho em ser palhaço.

Na rodada, Matilde Ribeiro apontou a escravidão como a raiz da desigualdade, segundo a histórica no Brasil e a forma como a abolição foi feita. “Até 13 de maio de 1888, boa parte da população brasileira era escrava. No dia 14 era livre, porém sem casa, trabalho, acesso à escola, sem fazer parte efetiva do Brasil. Essa realidade de dois Brasis não é nova, faz parte da nossa história”.

Cidade de Deus
Finalizando sua estada no Rio de Janeiro, Ribeiro visitou, na sexta-feira (31), a Associação dos Moradores da Cidade de Deus e conheceu as instalações da Cufa (Central Única das Favelas), equipadas com sala de audiovisual, auditório, telecentro e espaços para entretenimento e prática de esportes.

Na reunião com Celso Athayde, um dos líderes da entidade, a ministra expressou a disposição em intensificar a parceria com a organização do chamamento do documentário para a união de esforços entre os diferentes setores da sociedade. “Temos pela frente uma disputa porque essa situação não é fim e sim meio para a mudança”, completa ela.

 

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Goiânia sedia etapa regional do Fipir e mobiliza gestores do Centro-Oeste

  Estratégia dos encontros regionais foi acertada, em fevereiro

 

Estratégia dos encontros regionais foi acertada, em fevereiro
Foto: Divulgação Seppir  
A primeira etapa dos encontros regionais do Fipir (Fórum Intergovernamental de Promoção da Igualdade Racial) acontece, de 4 a 6 de abril, em Goiânia, onde estarão reunidos estados e municípios participantes da região Centro-Oeste. Na terça-feira (4), às 19h, acontece a abertura na presença da ministra Matilde Ribeiro. A solenidade terá a participação de diversas autoridades estaduais e representantes dos movimentos sociais, no espaço Jesus Crucificado (rua 95, nº 84, Setor Sul). 

Durante o evento, serão apresentados diversos painéis sobre as ações realizadas, com análise de possíveis resultados da implementação da Política Nacional de Igualdade Racial no estado de Goiás através de um balanço das ações realizadas a partir das experiências do Centro-Oeste.

Na oportunidade, o Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), instrumento formado por órgãos do governo federal e sociedade civil com ativa atuação junto à Seppir, apresentará seu trabalho aos participantes. Entre painéis, debates e mesas redondas, serão realizadas também apresentações culturais.

O objetivo do encontro é informar gestores públicos sobre as políticas existentes nas áreas da educação, trabalho, saúde e gênero e as formas de acesso. Também será apresentado o Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial, a fim de estimular a integração dos municípios ao sistema nacional de promoção da igualdade racial.

Segundo a ministra de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, o papel principal do Fipir é promover ação continuada entre as três esferas de governo, atuando na articulação, capacitação, planejamento, execução e monitoramento das ações para a implementação da Política de Promoção da Igualdade Racial com efetiva participação dos gestores públicos.

Encontro Regional do Fipir na regional Centro-Oeste
Data: 4 a 6 de abril de 2006
Horário: das 9h às 17h
Local: Rua 95, nº 84, Setor Sul – Espaço Jesus Crucificado (em frente o Hospital Santa Helena) - Goiânia (GO)
Mais informações: (62) 3244-5076, na Superintendência de Promoção da Igualdade Racial

CALENDÁRIO DO FIPIR

Abril 2006

4, 5 e 6/4

Encontro Regional Centro-Oeste – Goiânia (GO)

 

17 a 19/4

Encontro Regional Sudeste – Itabira (MG)

 

26 a 28/4

Encontro Regional Sul – Itajaí (SC)

 

25 a 30/04

9ª Marcha de Prefeitos – Brasília

Maio 2006

4, 5 e 6/04

Encontro Regional Nordeste – Recife (PE)

 

19 a 20/5

Encontro Regional Norte – A definir

Junho 2006

5 a 7/6

Encontro Nacional do FIPIR - Brasília

 

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Brasil Quilombola forma 130 gestores públicos de Sergipe, Bahia e Alagoas durante seminário em Aracaju

Realidade como a vivida na comunidade baiana de Caonge será discutida no seminário  
Realidade como a vivida na comunidade baiana de Caonge será discutida no seminário
Foto: Kleber Araújo
 
Em sua segunda fase de articulação na região Nordeste, o programa Brasil Quilombola reúne representantes governamentais e lideranças quilombolas de Sergipe, Bahia e Alagoas, de 6 a 8 de abril, em Aracaju (SE). Durante o encontro, será assinado um convênio entre a Seppir e o Ministério das Cidades para a construção de 400 casas nos territórios quilombolas sergipanos de Santa Luzia, Indiaroba, Japaratuba, Poço do Redondo e Porto da Folha, concretizando uma importante conquista para o estado.

Em meio às ações do programa Brasil Quilombola, está prevista a capacitação de gestores estaduais e municipais através de seminários, já realizados nas regiões Norte, Sudeste e Centro-Oeste. Nesses encontros são trocadas experiências sobre a realidade vivenciada nos estados e municípios com comunidades quilombolas e expostos os resultados alcançados pelo trabalho do governo federal nessas localidades, como o projetos de eletrificação, obras de saneamento, melhorias e construção de escolas e residências, incentivo à geração de renda e desenvolvimento sustentável.

A programação prevê exposições de parte dos 21 órgãos federais envolvidos com o Brasil Quilombola, discussões sobre convênios e programas para acesso ao crédito solidário e atualização de informações sobre o processo de regularização fundiária. Participam cerca de 100 gestores públicos baianos e 25 do Sergipe e de Alagoas. Pela sociedade civil, são convidados dois quilombolas do Sergipe e de Alagoas mais seis da Bahia.

Somando-se ao debate sobre as políticas públicas em comunidades quilombolas, o Seminário de Capacitação de Gestores é um momento municípios aderem ao Fipir (Fórum Intergovenamental de Promoção da Igualdade Racial), tornando-se parceiros da política nacional de enfrentamento do racismo e superação das desigualdades raciais.

2ª Rodada do Seminário de Capacitação de Gestores na Região Nordeste
Data: 6 a 8 de abril de 2006
Horário: das 9h às 18h30
Local: Del Mar Hotel (Av. Santos Dumont, 1500 – Praia de Atalaia) - Aracaju (SE)

 

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O mosaico fotográfico que compõe o cabeçalho do boletim foi criado a partir de imagens da 1ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial.
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Expediente:

Assessoria de Comunicação Social da Seppir
Jornalista: Isabel Clavelin
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