Boletim informativo semanal da
Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
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Nem mesmo o surpreendente número de brancos aprovados pela Universidade de São Paulo no
vestibular de 2005
(77% brancos e 2% de negros) parece mexer em um pensamento cristalizado de parte
significativa da
geração de artistas e intelectuais que teve a sua
criatividade alimentada pelas idéias de Gilberto Freire.
Joel Zito Araújo, cineasta e escritor, em artigo do jornal O Globo
em 29/05/2005 |
NESTA EDIÇÃO:
FALTAM
4
semanas para a
1ª Conferência Nacional de
Promoção da Igualdade Racial
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(Regimento - Texto-base)
Acompanhe toda a programação e tire suas dúvidas pela Central de Informações e Apoio
à 1ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial
telefone: 0800 642 15 25
e-mail: conferencia@fubra.unb.br
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A ponta-de-lança dos quilombolas do Piauí (Leia Mais)
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Ministra Matilde
Ribeiro participa da 35a Assembléia Geral
da Organização dos Estados Americanos
(Leia Mais)
Manual da OIT propõe relações de trabalho modernas
(Leia Mais)
A DESIGUALDADE EM NÚMEROS - (Leia Mais) |

Ministra
participa da 35a Assembléia Geral da OEA
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Expansão - A
ministra Matilde Ribeiro, com agenda cheia nos EUA nesta semana. |
A secretária especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, ministra Matilde
Ribeiro, falará, nesta segunda-feira (6), à Comissão Geral da 35a sessão da
Assembléia Geral da OEA (Organização dos Estados Americanos) sobre o projeto de
criação da Convenção Interamericana contra o Racismo e Toda Forma de Discriminação e
Intolerância. A ministra será recebida pela secretária de Estado norte-americana,
Condoleezza Rice, que preside a Assembléia. A exposição faz parte da agenda de
discussões da Assembléia Geral, que incluiu em sua pauta a prevenção do racismo e de
toda forma de discriminação e intolerância e considerações sobre a elaboração de um
projeto para a convenção. O secretário-adjunto da Seppir (Secretaria Especial de
Políticas de Promoção da Igualdade Racial) da Presidência da República, Douglas
Martins de Souza, acompanha.
Na quarta-feira passada (27/05), o embaixador Osmar Vladimir Chohfi tomou posse como novo
representante permanente do Brasil na OEA, e em seguida se dirigiu ao Conselho Permanente
da organização, destacando a adoção da convenção contra o racismo como tópico
prioritário para o País nos debates da OEA.
A Assembléia Geral se reúne em Fort Lauderdale, na Flórida (EUA), de domingo (5) a
terça-feira (7), e terá como foco de discussões o tema "Tornando realidade os
benefícios da democracia". Durante o encontro, as delegações dos 34 países
membros da OEA debatem uma ampla agenda, que abrange temas como medidas para o
desarmamento no continente, reforço dos mecanismos de direitos humanos nas instituições
multilaterais e o combate às drogas. A expectativa da Assembléia se concentra ainda em
fazer de 2006 o Ano da Luta Contra a Corrupção.
Na segunda-feira (6), a ministra Matilde Ribeiro se
reúne com representantes de organizações não-governamentais e delegações de outros
países. A partir das 14h, o encontro será com Clare Roberts, presidente da CIDH
(Comissão Interamericana de Direitos Humanos) da OEA e relator da recém-criada Relatoria
Especial de Afrodescendentes e contra a Discriminação Racial. A relatoria vai monitorar
e fomentar políticas de promoção da igualdade racial nos países da OEA e analisar
denúncias de racismo e discriminação.
Washington, D.C.
Em seguida à sua estada na Flórida, a ministra Matilde Ribeiro segue para Washington,
onde, na quarta-feira (8), se encontra com Paula Dobriansky, subsecretária de Assuntos
Globais do Departamento de Estado norte-americano, que coordena as relações
internacionais do país em direitos humanos, migrantes e refugiados, entre outros
assuntos. No encontro, será discutido o projeto para a convenção interamericana contra
o racismo.
No mesmo dia, ela participa de uma mesa-redonda no Inter-american Dialogue, um centro de
análises sobre política, economia, e outros temas relacionados à
"integração" do Continente Americano, que tem entre seus membros o escritor e
político peruano Mario Vargas Llosa e os ex-presidentes Raúl Alfonsín (Argentina),
Gonzalo Sánchez de Losada (Bolívia), Fernando Henrique Cardoso (Brasil), Jimmy Carter
(EUA) e Julio Maria Sanguinetti (Uruguai).
Na quinta-feira (9), pela manhã, haverá um encontro promovido pela Federação Americana
de Empregados dos Estados, Condados e Municípios e pela Global Rights, instituição de
advocacia civil que trabalha com temas sobre direitos humanos, em que a ministra Matilde
Ribeiro vai recomendar a cerca de 60 representantes de empresas transnacionais que mantêm
políticas afirmativas de trabalho em suas matrizes nos EUA que implementem as mesmas
políticas em suas filiais instaladas no Brasil.
À tarde, a ministra se encontra com ativistas dos direitos humanos na Global Rights e se
reúne com Gay McDougall, diretora-executiva da organização, para dar encaminhamentos a
acordos bilaterais. |
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Manual da OIT propõe relações de trabalho modernas |

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Números e conceitos -
O segundo módulo do manual do GRPE enfoca especificamente a questão de raça e sua
implicação nas desigualdades sociais. |
O Manual de Capacitação e Informação sobre Gênero, Raça, Pobreza e Emprego, lançado
na última terça-feira (31), em Brasília, é uma verdadeira compilação de dados
estatísticos, conceitos históricos e experiências relacionadas ao tema. O manual foi
produzido em conjunto pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) e pela
coordenação-executiva do GRPE (Programa de Fortalecimento Institucional sobre Gênero,
Raça, Pobreza e Emprego) no Governo Federal, composta pela Seppir (Secretaria Especial de
Políticas de Promoção da Igualdade Racial) e pela SPM (Secretaria Especial de
Políticas para as Mulheres), ambas da Presidência da República, e pelo MTE (Ministério
do Trabalho e Emprego).
Direcionado a gestores públicos e a entidades da sociedade civil, como organizações
não-governamentais, sindicatos trabalhistas e associações de empregadores, o manual é
composto de oito módulos e serão utilizados inicialmente nos projetos de capacitação
de gestores já em andamento, como os das prefeituras da região do Grande ABC paulista e
de São Paulo.
"O compromisso de capacitar e sensibilizar gestores e agentes sociais para operar
políticas de promoção da igualdade racial é uma das premissas da Política Nacional de
Promoção da Igualdade Racial, e nesse sentido, o manual atende plenamente ao propósito
de transversalização de ações com essa meta", afirmou a secretária especial de
Políticas de Promoção da Igualdade Racial, ministra Matilde Ribeiro.
As publicações são um manancial de informações sobre os vínculos entre pobreza,
exclusão social e discriminação de gênero e raça. A versão para o manual em
português, com as especificidades da realidade brasileira, soma-se às já existentes,
publicadas em inglês, espanhol, russo e árabe.
O GRPE começou a ser desenvolvido pela OIT desde 1996 e hoje atua em dezenas de países
na Ásia, África e América Latina e Europa, mas com enfoque específico na questão de
gênero. A inclusão do item "raça" nas diretrizes do programa foi instituída
na experiência brasileira devido ao acompanhamento da Seppir, que coordena suas ações
desde a parceria estabelecida entre OIT e Governo Federal, em 2003.
Em seu segundo módulo, o manual faz uma justificativa e um panorama abrangente sobre os
usos de termos como raça e cor, de como essas categorias passaram de mecanismos de
justificativa para o racismo no século 19 a instrumentos valiosos no mapeamento das
desigualdades sociais e na implementação de políticas inclusivas na atualidade.
Para Laís Abramo, diretora geral da OIT Brasil, o enfoque no quesito raça/cor não é
casual. Segundo ela, negros e mulheres somam 60 dos 88 milhões de brasileiros que
compõem a PEA (População Economicamente Ativa) do País.
"Não se trata de amenizar qualquer tipo de discriminação de minorias, mas, no
Brasil, a discriminação, em sua origem e mecanismos de perpetuação, afeta a maioria da
população", afirmou, durante o evento de lançamento.
Mais do que simplesmente empregar essa população, segundo ela, é preciso também manter
condições para o que a OIT convenciona chamar "trabalho decente", conceito que
envolve benefícios, direito de mobilização sindical, entre outros fatores. Para
justificar a afirmação, Abramo cita dados da Cepal (Comissão Econômica para América
Latina e Caribe) da ONU, que apontam que 60% dos pobres da América Latina mantêm algum
tipo de ocupação.
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A ponta-de-lança dos quilombolas do Piauí
por Isabel Clavelin |

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Resistência - Maria
Rosalina dos Santos leva no sangue a combatividade de seus antepassados quilombolas e
exige cidadania para seu povo. Foto: Isabel Clavelin |
Corpo franzino, olhar distante e passos lentos caracterizam Maria Rosalina dos Santos. Ela
é um dos expoentes na luta pela regularização fundiária e serviços básicos nas
áreas de saúde, educação, trabalho e renda das comunidades remanescentes de quilombos.
Faz parte do CNPIR (Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial) e da Conaq
(Coordenação Nacional de Quilombos).
Tataraneta de escravo, Maria Rosalina dos Santos vive na comunidade remanescente de
quilombo de Tapuio, cravada no semi-árido piauiense, próximo do município de Queimada
Nova, com 8.332 habitantes, a 522km da capital, Teresina. É no Centro-Sul do Piauí que
Maria Rosalina vive com seus pais, trabalhadores da roça, e cinco irmãs também
envolvidas no movimento quilombola.
Num bate-papo com o Destaque
Seppir, durante a Consulta
Quilombola (realizada no final de maio, em Brasília), Maria Rosalina dos Santos fala do
sonho de concluir o ensino médio, conquistar um diploma universitário de agrônoma e ver
a comunidade Tapuio com melhores condições de vida. Clique aqui
e leia trechos da entrevista.
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A DESIGUALDADE EM NÚMEROS |
Negros são maioria entre os pobres (*) |
Nos 27 Estados da Federação a proporção de negros pobres é superior à
de brancos pobres, comparando-se a proporção das populações com renda mensal de até
meio salário mínimo.
O Estado de Alagoas responde pela maior taxa - 67,8% da população negra é considerada
pobre - e o Rio de Janeiro, 24,8%. Outro aspecto que chama a atenção é que as maiores
desigualdades entre negros e brancos estão nas regiões Sul e Sudeste, que apresentam uma
proporção duas vezes maior de negros pobres que de brancos pobres - com destaque para
Santa Catarina, com proporção duas vezes e meia maior (26,4% contra 10,3% ) |
(*) população com renda mensal de até meio salário mínimo
Fonte: Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) - Radar Social
2005 |
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As paulistanas Airucy Bárbara Diogo Casimiro, de 18 anos, estudante de Direito (à
esquerda), e sua irmã, Amarílis Helena Diogo Casimiro, de 15 anos, estudante do ensino
médio, ilustram com seus sorrisos a foto ao lado da logomarca do Destaque Seppir.
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Seppir |
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Comunicação Social da Seppir
Jornalista Responsável: Cláudio Eugênio
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Colaboradora: Graça Ohana - Seppir
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