destaque Seppir

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28 de maio a 3 de junho de 2005 – nº 039 - Ano 1

Boletim informativo semanal da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
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Aspas

 

A escravidão permanecerá por muito tempo
como a característica nacional do Brasil.
Ela espalhou por nossas vastas solidões uma grande suavidade;
seu contato foi a primeira forma que recebeu
a natureza virgem do país, e foi a que ele guardou;
ela povoou-o como se fosse uma religião natural e viva,
com os seus mitos, sua legendas, seus encantamentos;
insuflou-lhe sua alma infantil, suas tristezas sem pesar,
suas lágrimas sem amargor, seu silêncio sem concentração,
suas alegrias sem causa, sua felicidade sem dia seguinte...
É ela o supiro indefinível que exalam ao luar as nossas noites do norte.


Joaquim Nabuco (1849-1910)

                                                                                


FALTAM

5

semanas para a

1ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial

(Regimento - Texto-base)

Acompanhe toda a programação e tire suas dúvidas pela Central de Informações e Apoio à 1ª Conferência Nacional de  Promoção da Igualdade Racial

telefone
: 0800 642 15 25 
e-mail: conferencia@fubra.unb.br

  NESTA EDIÇÃO:

   

Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial

Santa Catarina, Rondônia, Minas Gerais e Mato Grosso discutem igualdade racial (Leia Mais)

Mulheres negras querem dignidade e igualdade (Leia Mais)

OIT produz manual em versão exclusiva para o Brasil
(Leia Mais)

CNPIR a todo vapor na reta final para encontro histórico

(Leia Mais)

A DESIGUALDADE EM NÚMEROS -
(Leia Mais)


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OIT produz manual em versão exclusiva para o Brasil

GRPE

Preparar gestores do setor público e outros atores sociais, como organizações não-governamentais, movimentos sociais, sindicatos de empregados e patronais, para atuarem no combate à discriminação de raça e gênero no Brasil e criar igualdade de oportunidades, independentemente da cor, sexo, origem social, entre outros fatores. Este é o principal objetivo do Manual de Capacitação e Informação sobre Gênero, Raça, Pobreza e Emprego do GRPE que será lançado na próxima terça-feira (31), em Brasília.

Criado pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) e já implantado em nove países da América Latina, a publicação ganha no Brasil um módulo especial voltado para a questão de raça.

O manual está dividido em oito módulos: tendências, problemas e enfoques: um panorama geral; a questão racial, pobreza e emprego no Brasil; acesso ao trabalho decente; capacidade de organização e negociação; acesso aos recursos produtivos; recursos financeiros para os pobres: o crédito; e investir nas pessoas: educação e formação profissional e ampliar a proteção social.

"A inclusão da questão racial no manual colabora com todo o processo de desenvolvimento de políticas públicas para a promoção da igualdade racial no Brasil", afirma a secretária especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, ministra Matilde Ribeiro. Segundo ela, uma maior atenção para as questões de gênero e raça é um avanço valioso no processo de inclusão social.

"O Manual é um instrumento fundamental, e a versão brasileira é uma experiência inovadora neste trabalho", afirma Lais Abramo, diretora geral da OIT Brasil. Segundo ela, o material é flexível e está em constante construção para contribuir, a partir de textos conceituais e exemplos práticos, para a incorporação de gênero e raça nos processos de concepção, implementação e avaliação de políticas e programas.

O GRPE (programa de Fortalecimento Institucional para a Igualdade de Gênero e Raça, Erradicação da Pobreza e Geração de Emprego) foi desenvolvido pela OIT em parceria com a Seppir (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial) da Presidência da República, com o objetivo de fortalecer a dimensão de raça e gênero das políticas públicas de combate à pobreza e de geração de emprego e trabalho decente. A implementação do programa no Brasil tem um aspecto inovador, pois incorpora, pela primeira vez, a dimensão racial de forma sistemática. No Brasil, a Seppir teve papel protagonista na articulação e implementação do programa, cuja principal estratégia é o fortalecimento da capacidade institucional dos gestores públicos encarregados da formulação, implementação e monitoramento dessas políticas.

A parceria da OIT com o governo brasileiro foi iniciada em 2003, por meio de protocolo de intenções, e foi ampliada e consolidada este ano. Além da Seppir, são também parceiros: SPM (Secretaria Especial de Política para as Mulheres); SEDH (Secretaria Especial de Direitos Humanos); MTE (Ministério do Trabalho e Emprego); MEC (Ministério da Educação); MPS (Ministério da Previdência Social); MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário); MDS (Ministério do Desenvolvimento Social); MS (Ministério da Saúde) e Secretaria do Conselho do Desenvolvimento Econômico e Social.

Além da sensibilização, capacitação e formação, o programa busca oferecer assistência técnica para a formulação e reformulação de políticas públicas selecionadas, desenvolver experiências piloto, e fortalecer a capacidade institucional dos participantes. Assim, propicia o fortalecimento dos espaços de diálogo, criação de novos espaços e a concertação social em torno desses temas.

O trabalho foi desenvolvido pela OIT, e a coordenação-executiva do GRPE, composta pela Seppir (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), SPM (Secretária Especial de Políticas para as Mulheres), ambas da Presidência da República e o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego).

O evento terá a participação da secretária especial de políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República, ministra Matilde Ribeiro, da secretária especial de Políticas para as Mulheres, ministra Nilcéia Freire, do ministro do Trabalho e Emprego, Ricardo Berzoini, da diretora do escritório da OIT no Brasil, Laís Abramo, do representante-residente no Brasil do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), Carlos Lopes, da diretora do programa regional para o Brasil e Cone Sul do Unifem (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher), da presidenta da Enap (Escola Nacional de Administração Pública) e da diretora do DFID (Departamento para o Desenvolvimento Internacional) do Governo Britânico, Miranda Munro.

   
Lançamento do Manual de Capacitação e Informação sobre Gênero, Raça, Pobreza e Emprego do GRPE

Data: 31 de maio
Horário: 17h
Local: 
Enap (Escola Nacional de Administração Pública), SAIS, Área 2-A, Brasília, DF

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CNPIR a todo vapor na reta final para encontro histórico
 

Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial

Todos juntos, rumo à 1a Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial. Esse é o clima para a terceira reunião do CNPIR (Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial) este ano, a última antes da Conferência, nos dias 30 de junho, 1o e 2 de julho. A reunião, a sétima desde a criação do Conselho, em 2003, acontece entre quinta (2) e sexta-feira (3), em Brasília.

Para a secretária especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, ministra Matilde Ribeiro, a participação dos conselheiros tem sido decisiva para a preparação da Conferência Nacional.

"A atuação dos conselheiros é de extrema importância para que a Conferência consiga agregar todos os anseios e propostas dos grupos discriminados no Brasil e, dessa forma, ser o mais propositiva possível", afirma a ministra.

Cinco conselheiros do CNPIR integram a Comissão Organizadora da 1a Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial: Anita Schuartz, da Conib (Confederação Israelita do Brasil), Azelene Kaingáng, da Warã (Instituto Indígena Brasileiro), Cláudio Domingos Iovanovitchi, da Apreci (Associação de Preservação da Cultura Cigana), Deise Benedito, do Fórum Nacional de Mulheres Negras, e Emir Saleh Mourad, da Copal (Confederação Árabe Palestino Brasileira).

Além deles, diversos conselheiros integram as subcomissões organizadoras (Relatoria; Comunicação; Infra-estrutura; Articulação e Mobilização; e Regimento e Regulamento). Outros também se dedicam ao acompanhamento e coordenação das conferências estaduais, consultas indígena e quilombola e audiência cigana, etapas preparatórias à Conferência Nacional.

O coordenador-executivo da 1a Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, Jorge Carneiro, apresentará na reunião um balanço das conferências estaduais já realizadas.

"Essas conferências têm mostrado para nós um outro Brasil, muito particular em cada Estado, de uma diversidade tamanha, graças às diferenças regionais na composição étnica das populações", diz Carneiro. Ele acredita que a variedade de propostas apresentadas até aqui enriquecerão em muito o debate durante a Conferência Nacional.

No encerramento dos trabalhos, será feita uma distribuição de tarefas, com a definição do cronograma de trabalho para a 1a Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial. Para o engajamento de todos, tanto titulares como suplentes foram convocados para esse encontro.

O CNPIR reúne 23 representantes da sociedade civil e 18 do Governo Federal. É um órgão de caráter consultivo para a formulação e implementação de políticas públicas para a igualdade racial. A sociedade civil é representada no Conselho pelas seguintes entidades: APNs (Agentes de Pastorais Negros); ANPN (Associação Nacional de Pesquisadores Negros); Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras; Abong (Associação Brasileira de Organizações não-Governamentais); Abert (Associação Brasileira de Rádio e Televisão); Apreci (Associação de Preservação da Cultura Cigana); Anceabra (Associação Nacional dos Coletivos de Empresários e Empreendedores Afro-Brasileiros); Conib (Confederação Israelita do Brasil); CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil); CNAB (Congresso Nacional Afro-Brasileiro); Conen (Coordenação Nacional das Entidades Negras); Conaq (Coordenação Nacional de Quilombos); Copal (Confederação Árabe Palestina do Brasil); Fenatrad (Federação Nacional dos Trabalhadores Domésticos); Fórum Nacional de Mulheres Negras; Instituto Ethos de Responsabilidade Social; Intecab (Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro-brasileira); Inspir (Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade Racial) e Unegro (União de Negros pela Igualdade); e Warã - Instituto Indígena Brasileiro, além dos representantes com notório reconhecimento nas relações raciais: professor Kabengele Munanga; a cantora Leci Brandão e o poeta Oliveira da Silveira.


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Chega a vez de Santa Catarina, Rondônia, Minas
Gerais e Mato Grosso discutirem igualdade racial


por Isabel Clavelin

Neste final de maio os Estados de Minas Gerais, Santa Catarina, Mato Grosso e Rondônia realizam suas Conferências Estaduais de Promoção da Igualdade Racial. Todo o processo preparatório nos Estados é acompanhado pela secretária especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, ministra Matilde Ribeiro, pela direção da Seppir e integrantes do CNPIR (Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial), que percorrem todo o território nacional, desde dezembro de 2004, para garantir o envolvimento da sociedade civil e de gestores na principal atividade deste Ano Nacional de Promoção da Igualdade Racial. Nesta semana, Santa Catarina (29 e 30), Rondônia (30 e 31), Minas Gerais (30 e 31) e Mato Grosso (4 e 5 de junho) fecham a jornada deste maio da igualdade racial. Ao longo do mês foram realizadas conferências no Acre, Bahia, Brasília, Espírito Santo, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Tocantins.

Santa Catarina
A preparação da 1ª Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial de Santa Catarina envolveu três conferências municipais nos municípios Lages, Blumenau e Florianópolis, além de uma regional. São esperadas 300 pessoas, das quais 32 sairão como delegadas.

"A nossa expectativa é grande por conta dos avanços no Estado como realização do Fórum de Educação e Diversidade Étnica-Racial com participação de quilombolas e movimento negro para implementação da Lei 10.693", afirma Vera Firmiano, presidenta do Conselho Estadual de Populações Afrodescendentes. A lei institui o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira nos currículos escolares das redes de ensino fundamental e médio de todo o país.

"O Estado está empenhado em fazer a conferência e a participação predominante deverá ser de negros e indígenas. A presença palestina também deve ser acentuada. Espero que Conferência Nacional aconteça da melhor maneira possível, porque faz muito tempo que a gente está construindo esse momento", considera ela.

Pela outra ponta, o elo está firmado. "Sabemos que temos muito a fazer e vamos ter que lutar para que haja uma igualdade racial. Esperamos que a partir da conferência estadual, as pessoas se interessem mais sobre o tema e que a sociedade possa trabalhar junta", aposta a gestora Maria Eugênia Steyer, vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Social, Trabalho e Renda.

No domingo (29), a ministra Matilde Ribeiro assina o termo de cooperação técnica para o Plano Estadual de Promoção da Igualdade Racial de Santa Catarina e o termo de adesão do Estado ao Fipir (Fórum Intergovernamental de Promoção da Igualdade Racial) com o governador José Henrique da Silveira, na cerimônia de abertura do evento.

Após a solenidade, acontece a palestra de José Jorge Carvalho, professor da UnB (Universidade de Brasília). O trabalho segue por meio de discussões em grupos de trabalho, culminando com a formação da delegação catarinense para a Conferência Nacional.

Rondônia
A articulação em Rondônia rendeu cinco conferências regionais nos municípios de Porto Velho, Rolim de Moura, Ariquines, Vilhena e Ji-Paraná, envolvendo cerca de 200 pessoas por evento. O encontro estadual acontece nos dias 30 e 31 de maio.

Nos debates foram discutidos diversos temas, como saúde, educação, acesso e distribuição de terras, trabalho e renda, empreendedorismo, intolerância religiosa e juventude. Foram envolvidos negros, quilombolas, indígenas, libaneses e jovens, especialmente meninos e meninas em situação de rua.

"Queremos que as contribuições das conferências regionais integrem o Plano Estadual de Promoção da Igualdade Racial e que este se efetive", afirma Gerdalva Vasconcelos, gerente de Programas Especiais da Fundação de Assistência Social do Estado de Rondônia. Ela conta que às vezes as pessoas pensam que não é possível conviver com as diferenças, mas que isso é viável. Segundo ela, Rondônia tem uma população negra na faixa de 40% da população total.

Somando 24 anos de militância negra, João Carlos Fernandes Alves, mais conhecido como Carlinhos Maracanã, está entusiasmado com a mobilização da população rondoniense, especialmente das mulheres negras que se mostram bastante atuantes desde o princípio da movimentação.

À frente do Cine-Clube Zumbi dos Palmares, que se dedica à produção de documentários sobre a realidade negra local e exibição de filmes para desmistificar a figura dos afrodescendentes, Maracanã avalia o processo de construção da conferência estadual de Rondônia como importante para afirmar a liberdade de culto, sobretudo das religiões de matriz africana, e o diálogo entre os diferentes grupos étnico-raciais.

"A capital Porto Velho foi formada por holandeses, árabes e barbarianos, entre outros, que vieram como mão-de-obra especializada para a construção da ferrovia Madeira-Mamoré", explica Maracanã. Ele conta que os negros barbarianos são batistas e costumam casar-se entre si. "Esperamos que com a conferência possamos trocar informações, fazer alianças políticas e criar o Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra", afirma.

"Os quilombolas de Santo Antônio do Guaporé viajam por três dias de barco para chegar até a capital. Queremos fazer uma grande caravana para ir até Brasília, na Conferência Nacional", avisa. Por Rondônia serão escolhidos 20 delegados, sendo nove da sociedade civil, oito de municipais e três do Estado.

Minas Gerais
Minas Gerais contabiliza 70 encontros num universo de 854 municípios, o maior índice entre os Estados até agora. A média de participantes nas conferências municipais e regionais foi de 400 pessoas.

A articulação incluiu negros, quilombolas, indígenas, ciganos, árabe-palestinos, judeus, imigrantes e refugiados africanos. A delegação mineira deve ser uma das maiores na Conferência Nacional, com 59 delegados, sendo 48 da sociedade civil, oito indicados por municípios e três pelo Governo do Estado.

De acordo com o superintendente de Direitos Humanos da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Esporte e Subsecretaria de Direitos Humanos, Felipe Araújo, a intenção era mobilizar mais pessoas se o tempo tivesse sido maior. O crédito para a marca de 70 conferências municipais e regionais é dado ao trabalho da sociedade civil e do Conselho Estadual de Participação e Integração da Comunidade Negra.

"Queremos pinçar políticas com recorte racial em curso e incorporá-las ao Plano Estadual de Promoção da Igualdade Racial. Essa conferência, por ser a primeira no Brasil com essa temática, é importante para darmos passos significativos nas esferas municipal, estadual e nacional" afirma Araújo.

A 1ª Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial de Minas Gerais se inicia com a assinatura do protocolo de cooperação técnica entre o Governo Federal e Governo Estadual na presença da ministra Matilde Ribeiro, seguida pelo ciclo de debates fomentado pelo assessor para Relações Raciais do Senado Federal, Edson Cardoso. Durante os dois dias, sete grupos de trabalho vão aprofundar as temáticas: gestão não-racista de políticas públicas nas áreas da saúde, assistência social, segurança pública, proteção da criança e adolescente; educação e diversidade cultural; trabalho e distribuição de renda; religiões de matriz africana; comunidades remanescentes de quilombos e população indígena; mulheres negras e promoção da igualdade racial e política internacional - refugiados e imigrantes.

Para o diretor-presidente do Centro de Defesa dos Direitos Humanos dos Refugiados, Fernando Niguri, a participação de imigrantes e refugiados africanos na 1ª Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial de Minas Gerais é um momento único para influenciar a agenda política.

"Tivemos uma participação importante em Belo Horizonte e Juiz de Fora. Conseguimos eleger quatro delegados na conferência municipal de Belo Horizonte. Em termos de desigualdades, os africanos que chegam ao Brasil são mais discriminados do que outros grupos étnicos. Por isso, estamos nos mobilizando e queremos contribuir neste processo", explica Niguri.

Segundo informações do Centro de Defesa dos Direitos Humanos dos Refugiados, entidade nacional que articula direitos humanos e advocacia desde o ano 2000, a capital mineira concentra 80 imigrantes moçambicanos, atraídos por convênio cultural entre Brasil e Moçambique, e 45 refugiados africanos e latino-americanos, vindos de Angola, Guiné-Bissau, Camarões, Libéria e Colômbia.


Mato Grosso
Mato Grosso realiza sua Conferência Estadual nos dias 4 e 5 de junho. A mobilização garantiu a realização de 11 conferências regionais, sendo cada uma delas aglutinadora de 10 a 15 municípios e 100 pessoas em média por encontro. Nesse processo, foram eleitos 110 delegados, dos quais 22 têm assento na etapa Nacional.

Conforme o presidente do Conselho Estadual dos Direitos do Negro, Francisco Assis de Oliveira, a conferência de Barra das Garças registrou a presença de 80 indígenas e representantes da etnia árabe-palestina. Entretanto, há participação de judeus e ciganos ainda é pequena.

A expectativa para a 1ª Conferência Estadual da Promoção da Igualdade Racial de Mato Grosso é reunir de 200 a 300 pessoas. Com uma população negra na faixa de 56% em todo o Estado, Oliveira arrisca: "Com a benção dos orixás, teremos uma discussão positiva".

Cristóvão Luiz Gonçalves da Silva, da ONG Movimento Inteligência Negra, lembra a participação de adolescentes e jovens: "as discussões foram proveitosas na conferência de Cuiabá e tiramos delegados representando a juventude negra. A reivindicação juvenil é para a construção de políticas públicas na educação e cultura. Queremos que nossos jovens vivam, estudem e cheguem à academia com a magia e a essência afro-brasileira", reflete.

De olho nas conferências estaduais


   
Santa Catarina

Data: 29 e 30 de maio
Horário: abertura às 13h30
L
ocal: hotel Cambirela, avenida Max Schiram, nº 2199, Estreito, Florianópolis, SC
Informações: (48) 229-3600
   
Rondônia

Data: 30 e 31 de maio
Horário: abertura às 8h
Local: 
Rondon Palace hotel, avenida Jorge Teixeira, nº 491, Nossa Senhora das Graças, Porto Velho, RO
Informações: (69) 3224-6383
   
Minas Gerais

Data: 30 e 31 de maio
Horário: abertura às 8h30
Local: 
teatro do Sesc, rua Maria Borboleta, s/nº, Nova Letícia, Belo Horizonte, MG
Informações: (31) 3292-2000
   
Mato Grosso

Data: 4 e 5 de junho
Local: 
hotel Fazenda, avenida São Gonçalo Beira Rio, s/nº, Copema, Cuiabá, MT
Informações: (65) 644-44654

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Mulheres negras querem dignidade e direitos iguais

por Isabel Clavelin


Lúcia Xavier

  Engajada - Lúcia Xavier, incansável na busca de melhoria de vida para as mulheres negras. Foto: Adriana Medeiros


É com determinação que o movimento de mulheres negras está escrevendo uma nova história na política social brasileira. Articuladas lutam por melhores condições de vida, para ter ascensão social e uma vida digna.

Num universo de 40 milhões de mulheres negras brasileiras, 22% está concentrada nas áreas rurais e 27% na zona urbana. Estão à frente de seus lares, garantindo a sobrevivência de suas famílias e sendo referência religiosa, cultural e política.

Segundo pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), as negras têm 25% menos chance de chegar aos 75 anos do que as mulheres brancas. A desvantagem é um dos resultados do racismo conjugado com o sexismo e limita a vida escolar, profissional e a saúde física e mental das mulheres negras.

No mercado de trabalho, a disparidade entre mulheres negras e não-negras chega a 55% em detrimento das negras. São as afrodescendentes que somam quase 60% de inserção no trabalho doméstico e chefiam suas famílias com renda inferior a um salário mínimo.

Uma das expoentes do movimento de mulheres negras no Brasil é a assistente social Lúcia Maria Xavier de Castro, formada pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), coordenadora do Criola - Organização de Mulheres Negras do Rio de Janeiro e secretária-executiva da articulação de ONGs de Mulheres Negras Brasileiras, que foi fundada em 2000 no processo preparatório da 3ª Conferência contra o Racismo, a Xenofobia e Intolerância Correlata, realizada em Durban, África do Sul, em 2001.

Com fala tranqüila e sotaque genuinamente carioca, Lúcia Xavier é pura simpatia. Mesmo em momentos em que se faz necessária uma intervenção mais acentuada, demarca posição em defesa dos direitos da população negra, especialmente das mulheres negras. Há 13 anos na ONG Criola, Lúcia Xavier demonstra-se combativa desde os tempos em que esteve envolvida em projetos socioeducativos com meninos e meninas em situação de rua.

Criada nos bairros Realengo e Tijuca, Lúcia Xavier, 46 anos, guarda na lembrança a vida das famílias negras cariocas. Das recordações infantis, destaca a figura da avó que fazia circular as novidades e exercia um papel de liderança.

Filha de empregada doméstica, teve pouco contato com o pai radialista, que morreu quando ela tinha dois anos. Aos seis, era interna de um colégio por conta da impossibilidade de atenção por parte de sua mãe, que se restringia a visitas de 15 em 15 dias por conta do trabalho em casa de família.

Assim como a maioria das mulheres negras brasileiras, Lúcia Xavier teve nos ícones femininos familiares um espelho para a vida. Influência que também deixou suas marcas na religiosidade. Com avós católicas, mãe espírita-kardecista e umbadista, reconheceu-se no candomblé, cuja prática iniciou em 1997 e segue até os dias de hoje, no qual desempenha a função de equede.

Clique aqui e leia trechos da entrevista concedida ao
Destaque Seppir, em que Lúcia Xavier fala de sua trajetória política e o engajamento na construção de cidadania e dignidade para as mulheres negras brasileiras e de sua perspectiva para a 1ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, entre outras assuntos.


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A DESIGUALDADE EM NÚMEROS

Orfanatos* do país têm maioria de negros

Das 80 mil crianças e jovens nos abrigos (7 a 15 anos de idade), 63% são negros. Esse percentual aumenta para 68,2% quando os dados são desagregados segundo a renda familiar per capita de até ¼ de salário mínimo.
(*) Orfanatos, Fundações do Bem Estar do Menor
Fonte: Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente)

Desemprego afeta mais os jovens negros

A taxa de desemprego dos homens jovens negros é de 15,4% e a dos jovens brancos é de 13,6%. No caso das mulheres jovens negras, chega a 25% enquanto a das jovens brancas é de 20%
Fonte: OIT (Organização Internacional do Trabalho) e IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)

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As paulistanas Airucy Bárbara Diogo Casimiro, de 18 anos, estudante de Direito (à esquerda), e sua irmã, Amarílis Helena Diogo Casimiro, de 15 anos, estudante do ensino médio, ilustram com seus sorrisos a foto ao lado da logomarca do Destaque Seppir.

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Assessoria de Comunicação Social da Seppir
Jornalista Responsável: Cláudio Eugênio
Assistente: Osmar Camelo
Colaboradora: Graça Ohana - Seppir
Telefone: (55 61) 411-4977
Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial


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