Boletim informativo semanal da
Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
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A escravidão permanecerá por muito tempo
como a característica nacional do Brasil.
Ela espalhou por nossas vastas solidões uma grande suavidade;
seu contato foi a primeira forma que recebeu
a natureza virgem do país, e foi a que ele guardou;
ela povoou-o como se fosse uma religião natural e viva,
com os seus mitos, sua legendas, seus encantamentos;
insuflou-lhe sua alma infantil, suas tristezas sem pesar,
suas lágrimas sem amargor, seu silêncio sem concentração,
suas alegrias sem causa, sua felicidade sem dia seguinte...
É ela o supiro indefinível que exalam ao luar as nossas noites do norte.
Joaquim Nabuco (1849-1910) |
FALTAM
5
semanas para a
1ª Conferência Nacional de
Promoção da Igualdade Racial
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(Regimento - Texto-base)
Acompanhe toda a programação e tire suas dúvidas pela Central de Informações e Apoio
à 1ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial
telefone: 0800 642 15 25
e-mail: conferencia@fubra.unb.br
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Santa Catarina, Rondônia, Minas Gerais e Mato Grosso discutem igualdade
racial (Leia Mais)
Mulheres negras querem dignidade e igualdade (Leia Mais) |
OIT produz manual
em versão exclusiva para o Brasil
(Leia Mais)
CNPIR a todo vapor na reta final para encontro histórico
(Leia Mais)
A DESIGUALDADE EM NÚMEROS - (Leia Mais) |

| OIT
produz manual em versão exclusiva para o Brasil |
Preparar gestores do setor público e
outros atores sociais, como organizações não-governamentais, movimentos sociais,
sindicatos de empregados e patronais, para atuarem no combate à discriminação de raça
e gênero no Brasil e criar igualdade de oportunidades, independentemente da cor, sexo,
origem social, entre outros fatores. Este é o principal objetivo do Manual de
Capacitação e Informação sobre Gênero, Raça, Pobreza e Emprego do GRPE que será
lançado na próxima terça-feira (31), em Brasília.
Criado pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) e já implantado em nove países
da América Latina, a publicação ganha no Brasil um módulo especial voltado para a
questão de raça.
O manual está dividido em oito módulos: tendências, problemas e enfoques: um panorama
geral; a questão racial, pobreza e emprego no Brasil; acesso ao trabalho decente;
capacidade de organização e negociação; acesso aos recursos produtivos; recursos
financeiros para os pobres: o crédito; e investir nas pessoas: educação e formação
profissional e ampliar a proteção social.
"A inclusão da questão racial no manual colabora com todo o processo de
desenvolvimento de políticas públicas para a promoção da igualdade racial no
Brasil", afirma a secretária especial de Políticas de Promoção da Igualdade
Racial, ministra Matilde Ribeiro. Segundo ela, uma maior atenção para as questões de
gênero e raça é um avanço valioso no processo de inclusão social.
"O Manual é um instrumento fundamental, e a versão brasileira é uma experiência
inovadora neste trabalho", afirma Lais Abramo, diretora geral da OIT Brasil. Segundo
ela, o material é flexível e está em constante construção para contribuir, a partir
de textos conceituais e exemplos práticos, para a incorporação de gênero e raça nos
processos de concepção, implementação e avaliação de políticas e programas.
O GRPE (programa de Fortalecimento Institucional para a Igualdade de Gênero e Raça,
Erradicação da Pobreza e Geração de Emprego) foi desenvolvido pela OIT em parceria com
a Seppir (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial) da
Presidência da República, com o objetivo de fortalecer a dimensão de raça e gênero
das políticas públicas de combate à pobreza e de geração de emprego e trabalho
decente. A implementação do programa no Brasil tem um aspecto inovador, pois incorpora,
pela primeira vez, a dimensão racial de forma sistemática. No Brasil, a Seppir teve
papel protagonista na articulação e implementação do programa, cuja principal
estratégia é o fortalecimento da capacidade institucional dos gestores públicos
encarregados da formulação, implementação e monitoramento dessas políticas.
A parceria da OIT com o governo brasileiro foi iniciada em 2003, por meio de protocolo de
intenções, e foi ampliada e consolidada este ano. Além da Seppir, são também
parceiros: SPM (Secretaria Especial de Política para as Mulheres); SEDH (Secretaria
Especial de Direitos Humanos); MTE (Ministério do Trabalho e Emprego); MEC (Ministério
da Educação); MPS (Ministério da Previdência Social); MDA (Ministério do
Desenvolvimento Agrário); MDS (Ministério do Desenvolvimento Social); MS (Ministério da
Saúde) e Secretaria do Conselho do Desenvolvimento Econômico e Social.
Além da sensibilização, capacitação e formação, o programa busca oferecer
assistência técnica para a formulação e reformulação de políticas públicas
selecionadas, desenvolver experiências piloto, e fortalecer a capacidade institucional
dos participantes. Assim, propicia o fortalecimento dos espaços de diálogo, criação de
novos espaços e a concertação social em torno desses temas.
O trabalho foi desenvolvido pela OIT, e a coordenação-executiva do GRPE, composta pela
Seppir (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), SPM
(Secretária Especial de Políticas para as Mulheres), ambas da Presidência da República
e o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego).
O evento terá a participação da secretária especial de políticas de Promoção da
Igualdade Racial da Presidência da República, ministra Matilde Ribeiro, da secretária
especial de Políticas para as Mulheres, ministra Nilcéia Freire, do ministro do Trabalho
e Emprego, Ricardo Berzoini, da diretora do escritório da OIT no Brasil, Laís Abramo, do
representante-residente no Brasil do PNUD (Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento), Carlos Lopes, da diretora do programa regional para o Brasil e Cone Sul
do Unifem (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher), da presidenta da
Enap (Escola Nacional de Administração Pública) e da diretora do DFID (Departamento
para o Desenvolvimento Internacional) do Governo Britânico, Miranda Munro.
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Lançamento do Manual de Capacitação e Informação sobre Gênero, Raça, Pobreza e
Emprego do GRPE
Data: 31 de maio
Horário: 17h
Local: Enap (Escola Nacional de
Administração Pública), SAIS, Área 2-A, Brasília, DF |
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CNPIR a todo vapor na reta final para encontro histórico |
| Todos juntos, rumo à 1a
Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial. Esse é o clima para a terceira
reunião do CNPIR (Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial) este ano, a
última antes da Conferência, nos dias 30 de junho, 1o e 2 de julho. A
reunião, a sétima desde a criação do Conselho, em 2003, acontece entre quinta (2) e
sexta-feira (3), em Brasília.
Para a secretária especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, ministra
Matilde Ribeiro, a participação dos conselheiros tem sido decisiva para a preparação
da Conferência Nacional.
"A atuação dos conselheiros é de extrema importância para que a Conferência
consiga agregar todos os anseios e propostas dos grupos discriminados no Brasil e, dessa
forma, ser o mais propositiva possível", afirma a ministra.
Cinco conselheiros do CNPIR integram a Comissão Organizadora da 1a
Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial: Anita Schuartz, da Conib
(Confederação Israelita do Brasil), Azelene Kaingáng, da Warã (Instituto Indígena
Brasileiro), Cláudio Domingos Iovanovitchi, da Apreci (Associação de Preservação da
Cultura Cigana), Deise Benedito, do Fórum Nacional de Mulheres Negras, e Emir Saleh
Mourad, da Copal (Confederação Árabe Palestino Brasileira).
Além deles, diversos conselheiros integram as subcomissões organizadoras (Relatoria;
Comunicação; Infra-estrutura; Articulação e Mobilização; e Regimento e Regulamento).
Outros também se dedicam ao acompanhamento e coordenação das conferências estaduais,
consultas indígena e quilombola e audiência cigana, etapas preparatórias à
Conferência Nacional.
O coordenador-executivo da 1a Conferência Nacional de Promoção da Igualdade
Racial, Jorge Carneiro, apresentará na reunião um balanço das conferências estaduais
já realizadas.
"Essas conferências têm mostrado para nós um outro Brasil, muito particular em
cada Estado, de uma diversidade tamanha, graças às diferenças regionais na composição
étnica das populações", diz Carneiro. Ele acredita que a variedade de propostas
apresentadas até aqui enriquecerão em muito o debate durante a Conferência Nacional.
No encerramento dos trabalhos, será feita uma distribuição de tarefas, com a
definição do cronograma de trabalho para a 1a Conferência Nacional de
Promoção da Igualdade Racial. Para o engajamento de todos, tanto titulares como
suplentes foram convocados para esse encontro.
O CNPIR reúne 23 representantes da sociedade civil e 18 do Governo Federal. É um órgão
de caráter consultivo para a formulação e implementação de políticas públicas para
a igualdade racial. A sociedade civil é representada no Conselho pelas seguintes
entidades: APNs (Agentes de Pastorais Negros); ANPN (Associação Nacional de
Pesquisadores Negros); Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras;
Abong (Associação Brasileira de Organizações não-Governamentais); Abert (Associação
Brasileira de Rádio e Televisão); Apreci (Associação de Preservação da Cultura
Cigana); Anceabra (Associação Nacional dos Coletivos de Empresários e Empreendedores
Afro-Brasileiros); Conib (Confederação Israelita do Brasil); CNBB (Conferência Nacional
dos Bispos do Brasil); CNAB (Congresso Nacional Afro-Brasileiro); Conen (Coordenação
Nacional das Entidades Negras); Conaq (Coordenação Nacional de Quilombos); Copal
(Confederação Árabe Palestina do Brasil); Fenatrad (Federação Nacional dos
Trabalhadores Domésticos); Fórum Nacional de Mulheres Negras; Instituto Ethos de
Responsabilidade Social; Intecab (Instituto Nacional da Tradição e Cultura
Afro-brasileira); Inspir (Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade Racial) e
Unegro (União de Negros pela Igualdade); e Warã - Instituto Indígena Brasileiro, além
dos representantes com notório reconhecimento nas relações raciais: professor Kabengele
Munanga; a cantora Leci Brandão e o poeta Oliveira da Silveira. |
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Chega a vez de Santa Catarina, Rondônia, Minas
Gerais e Mato Grosso discutirem igualdade racial
por Isabel Clavelin |
Neste final de maio os Estados de Minas
Gerais, Santa Catarina, Mato Grosso e Rondônia realizam suas Conferências Estaduais de
Promoção da Igualdade Racial. Todo o processo preparatório nos Estados é acompanhado
pela secretária especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, ministra
Matilde Ribeiro, pela direção da Seppir e integrantes do CNPIR (Conselho Nacional de
Promoção da Igualdade Racial), que percorrem todo o território nacional, desde dezembro
de 2004, para garantir o envolvimento da sociedade civil e de gestores na principal
atividade deste Ano Nacional de Promoção da Igualdade Racial. Nesta semana, Santa
Catarina (29 e 30), Rondônia (30 e 31), Minas Gerais (30 e 31) e Mato Grosso (4 e 5 de
junho) fecham a jornada deste maio da igualdade racial. Ao longo do mês foram realizadas
conferências no Acre, Bahia, Brasília, Espírito Santo, Pará, Paraíba, Paraná,
Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Tocantins.
Santa Catarina
A preparação da 1ª Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial de Santa
Catarina envolveu três conferências municipais nos municípios Lages, Blumenau e
Florianópolis, além de uma regional. São esperadas 300 pessoas, das quais 32 sairão
como delegadas.
"A nossa expectativa é grande por conta dos avanços no Estado como realização do
Fórum de Educação e Diversidade Étnica-Racial com participação de quilombolas e
movimento negro para implementação da Lei 10.693", afirma Vera Firmiano, presidenta
do Conselho Estadual de Populações Afrodescendentes. A lei institui o ensino de
história e cultura africana e afro-brasileira nos currículos escolares das redes de
ensino fundamental e médio de todo o país.
"O Estado está empenhado em fazer a conferência e a participação predominante
deverá ser de negros e indígenas. A presença palestina também deve ser acentuada.
Espero que Conferência Nacional aconteça da melhor maneira possível, porque faz muito
tempo que a gente está construindo esse momento", considera ela.
Pela outra ponta, o elo está firmado. "Sabemos que temos muito a fazer e vamos ter
que lutar para que haja uma igualdade racial. Esperamos que a partir da conferência
estadual, as pessoas se interessem mais sobre o tema e que a sociedade possa trabalhar
junta", aposta a gestora Maria Eugênia Steyer, vinculada à Secretaria de
Desenvolvimento Social, Trabalho e Renda.
No domingo (29), a ministra Matilde Ribeiro assina o termo de cooperação técnica para o
Plano Estadual de Promoção da Igualdade Racial de Santa Catarina e o termo de adesão do
Estado ao Fipir (Fórum Intergovernamental de Promoção da Igualdade Racial) com o
governador José Henrique da Silveira, na cerimônia de abertura do evento.
Após a solenidade, acontece a palestra de José Jorge Carvalho, professor da UnB
(Universidade de Brasília). O trabalho segue por meio de discussões em grupos de
trabalho, culminando com a formação da delegação catarinense para a Conferência
Nacional.
Rondônia
A articulação em Rondônia rendeu cinco conferências regionais nos municípios de Porto
Velho, Rolim de Moura, Ariquines, Vilhena e Ji-Paraná, envolvendo cerca de 200 pessoas
por evento. O encontro estadual acontece nos dias 30 e 31 de maio.
Nos debates foram discutidos diversos temas, como saúde, educação, acesso e
distribuição de terras, trabalho e renda, empreendedorismo, intolerância religiosa e
juventude. Foram envolvidos negros, quilombolas, indígenas, libaneses e jovens,
especialmente meninos e meninas em situação de rua.
"Queremos que as contribuições das conferências regionais integrem o Plano
Estadual de Promoção da Igualdade Racial e que este se efetive", afirma Gerdalva
Vasconcelos, gerente de Programas Especiais da Fundação de Assistência Social do Estado
de Rondônia. Ela conta que às vezes as pessoas pensam que não é possível conviver com
as diferenças, mas que isso é viável. Segundo ela, Rondônia tem uma população negra
na faixa de 40% da população total.
Somando 24 anos de militância negra, João Carlos Fernandes Alves, mais conhecido como
Carlinhos Maracanã, está entusiasmado com a mobilização da população rondoniense,
especialmente das mulheres negras que se mostram bastante atuantes desde o princípio da
movimentação.
À frente do Cine-Clube Zumbi dos Palmares, que se dedica à produção de documentários
sobre a realidade negra local e exibição de filmes para desmistificar a figura dos
afrodescendentes, Maracanã avalia o processo de construção da conferência estadual de
Rondônia como importante para afirmar a liberdade de culto, sobretudo das religiões de
matriz africana, e o diálogo entre os diferentes grupos étnico-raciais.
"A capital Porto Velho foi formada por holandeses, árabes e barbarianos, entre
outros, que vieram como mão-de-obra especializada para a construção da ferrovia
Madeira-Mamoré", explica Maracanã. Ele conta que os negros barbarianos são
batistas e costumam casar-se entre si. "Esperamos que com a conferência possamos
trocar informações, fazer alianças políticas e criar o Conselho de Participação e
Desenvolvimento da Comunidade Negra", afirma.
"Os quilombolas de Santo Antônio do Guaporé viajam por três dias de barco para
chegar até a capital. Queremos fazer uma grande caravana para ir até Brasília, na
Conferência Nacional", avisa. Por Rondônia serão escolhidos 20 delegados, sendo
nove da sociedade civil, oito de municipais e três do Estado.
Minas Gerais
Minas Gerais contabiliza 70 encontros num universo de 854 municípios, o maior índice
entre os Estados até agora. A média de participantes nas conferências municipais e
regionais foi de 400 pessoas.
A articulação incluiu negros, quilombolas, indígenas, ciganos, árabe-palestinos,
judeus, imigrantes e refugiados africanos. A delegação mineira deve ser uma das maiores
na Conferência Nacional, com 59 delegados, sendo 48 da sociedade civil, oito indicados
por municípios e três pelo Governo do Estado.
De acordo com o superintendente de Direitos Humanos da Secretaria Estadual de
Desenvolvimento Social e Esporte e Subsecretaria de Direitos Humanos, Felipe Araújo, a
intenção era mobilizar mais pessoas se o tempo tivesse sido maior. O crédito para a
marca de 70 conferências municipais e regionais é dado ao trabalho da sociedade civil e
do Conselho Estadual de Participação e Integração da Comunidade Negra.
"Queremos pinçar políticas com recorte racial em curso e incorporá-las ao Plano
Estadual de Promoção da Igualdade Racial. Essa conferência, por ser a primeira no
Brasil com essa temática, é importante para darmos passos significativos nas esferas
municipal, estadual e nacional" afirma Araújo.
A 1ª Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial de Minas Gerais se inicia
com a assinatura do protocolo de cooperação técnica entre o Governo Federal e Governo
Estadual na presença da ministra Matilde Ribeiro, seguida pelo ciclo de debates fomentado
pelo assessor para Relações Raciais do Senado Federal, Edson Cardoso. Durante os dois
dias, sete grupos de trabalho vão aprofundar as temáticas: gestão não-racista de
políticas públicas nas áreas da saúde, assistência social, segurança pública,
proteção da criança e adolescente; educação e diversidade cultural; trabalho e
distribuição de renda; religiões de matriz africana; comunidades remanescentes de
quilombos e população indígena; mulheres negras e promoção da igualdade racial e
política internacional - refugiados e imigrantes.
Para o diretor-presidente do Centro de Defesa dos Direitos Humanos dos Refugiados,
Fernando Niguri, a participação de imigrantes e refugiados africanos na 1ª Conferência
Estadual de Promoção da Igualdade Racial de Minas Gerais é um momento único para
influenciar a agenda política.
"Tivemos uma participação importante em Belo Horizonte e Juiz de Fora. Conseguimos
eleger quatro delegados na conferência municipal de Belo Horizonte. Em termos de
desigualdades, os africanos que chegam ao Brasil são mais discriminados do que outros
grupos étnicos. Por isso, estamos nos mobilizando e queremos contribuir neste
processo", explica Niguri.
Segundo informações do Centro de Defesa dos Direitos Humanos dos Refugiados, entidade
nacional que articula direitos humanos e advocacia desde o ano 2000, a capital mineira
concentra 80 imigrantes moçambicanos, atraídos por convênio cultural entre Brasil e
Moçambique, e 45 refugiados africanos e latino-americanos, vindos de Angola,
Guiné-Bissau, Camarões, Libéria e Colômbia.
Mato Grosso
Mato Grosso realiza sua Conferência Estadual nos dias 4 e 5 de junho. A mobilização
garantiu a realização de 11 conferências regionais, sendo cada uma delas aglutinadora
de 10 a 15 municípios e 100 pessoas em média por encontro. Nesse processo, foram eleitos
110 delegados, dos quais 22 têm assento na etapa Nacional.
Conforme o presidente do Conselho Estadual dos Direitos do Negro, Francisco Assis de
Oliveira, a conferência de Barra das Garças registrou a presença de 80 indígenas e
representantes da etnia árabe-palestina. Entretanto, há participação de judeus e
ciganos ainda é pequena.
A expectativa para a 1ª Conferência Estadual da Promoção da Igualdade Racial de Mato
Grosso é reunir de 200 a 300 pessoas. Com uma população negra na faixa de 56% em todo o
Estado, Oliveira arrisca: "Com a benção dos orixás, teremos uma discussão
positiva".
Cristóvão Luiz Gonçalves da Silva, da ONG Movimento Inteligência Negra, lembra a
participação de adolescentes e jovens: "as discussões foram proveitosas na
conferência de Cuiabá e tiramos delegados representando a juventude negra. A
reivindicação juvenil é para a construção de políticas públicas na educação e
cultura. Queremos que nossos jovens vivam, estudem e cheguem à academia com a magia e a
essência afro-brasileira", reflete.
De olho nas conferências estaduais
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Santa Catarina
Data: 29 e 30 de maio
Horário: abertura às 13h30
Local: hotel Cambirela, avenida Max
Schiram, nº 2199, Estreito, Florianópolis, SC
Informações: (48) 229-3600 |
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Rondônia
Data: 30 e 31 de maio
Horário: abertura às 8h
Local: Rondon Palace hotel,
avenida Jorge Teixeira, nº 491, Nossa Senhora das Graças, Porto Velho, RO
Informações: (69) 3224-6383 |
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Minas Gerais
Data: 30 e 31 de maio
Horário: abertura às 8h30
Local: teatro do Sesc, rua Maria
Borboleta, s/nº, Nova Letícia, Belo Horizonte, MG
Informações: (31) 3292-2000 |
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Mato Grosso
Data: 4 e 5 de junho
Local: hotel Fazenda, avenida
São Gonçalo Beira Rio, s/nº, Copema, Cuiabá, MT
Informações: (65) 644-44654 |
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Mulheres negras querem dignidade e direitos iguais
por Isabel Clavelin |

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Engajada - Lúcia
Xavier, incansável na busca de melhoria de vida para as mulheres negras. Foto:
Adriana Medeiros |
É com determinação que o movimento de mulheres negras está escrevendo uma nova
história na política social brasileira. Articuladas lutam por melhores condições de
vida, para ter ascensão social e uma vida digna.
Num universo de 40 milhões de mulheres negras brasileiras, 22% está concentrada nas
áreas rurais e 27% na zona urbana. Estão à frente de seus lares, garantindo a
sobrevivência de suas famílias e sendo referência religiosa, cultural e política.
Segundo pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), as negras
têm 25% menos chance de chegar aos 75 anos do que as mulheres brancas. A desvantagem é
um dos resultados do racismo conjugado com o sexismo e limita a vida escolar, profissional
e a saúde física e mental das mulheres negras.
No mercado de trabalho, a disparidade entre mulheres negras e não-negras chega a 55% em
detrimento das negras. São as afrodescendentes que somam quase 60% de inserção no
trabalho doméstico e chefiam suas famílias com renda inferior a um salário mínimo.
Uma das expoentes do movimento de mulheres negras no Brasil é a assistente social Lúcia
Maria Xavier de Castro, formada pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro),
coordenadora do Criola - Organização de Mulheres Negras do Rio de Janeiro e
secretária-executiva da articulação de ONGs de Mulheres Negras Brasileiras, que foi
fundada em 2000 no processo preparatório da 3ª Conferência contra o Racismo, a
Xenofobia e Intolerância Correlata, realizada em Durban, África do Sul, em 2001.
Com fala tranqüila e sotaque genuinamente carioca, Lúcia Xavier é pura simpatia. Mesmo
em momentos em que se faz necessária uma intervenção mais acentuada, demarca posição
em defesa dos direitos da população negra, especialmente das mulheres negras. Há 13
anos na ONG Criola, Lúcia Xavier demonstra-se combativa desde os tempos em que esteve
envolvida em projetos socioeducativos com meninos e meninas em situação de rua.
Criada nos bairros Realengo e Tijuca, Lúcia Xavier, 46 anos, guarda na lembrança a vida
das famílias negras cariocas. Das recordações infantis, destaca a figura da avó que
fazia circular as novidades e exercia um papel de liderança.
Filha de empregada doméstica, teve pouco contato com o pai radialista, que morreu quando
ela tinha dois anos. Aos seis, era interna de um colégio por conta da impossibilidade de
atenção por parte de sua mãe, que se restringia a visitas de 15 em 15 dias por conta do
trabalho em casa de família.
Assim como a maioria das mulheres negras brasileiras, Lúcia Xavier teve nos ícones
femininos familiares um espelho para a vida. Influência que também deixou suas marcas na
religiosidade. Com avós católicas, mãe espírita-kardecista e umbadista, reconheceu-se
no candomblé, cuja prática iniciou em 1997 e segue até os dias de hoje, no qual
desempenha a função de equede.
Clique aqui e leia trechos da entrevista concedida ao Destaque Seppir, em que Lúcia Xavier fala de sua trajetória
política e o engajamento na construção de cidadania e dignidade para as mulheres negras
brasileiras e de sua perspectiva para a 1ª Conferência Nacional de Promoção da
Igualdade Racial, entre outras assuntos.
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A DESIGUALDADE EM NÚMEROS |
Orfanatos* do país têm maioria de negros |
| Das 80 mil crianças e jovens nos abrigos (7 a 15 anos de idade), 63% são
negros. Esse percentual aumenta para 68,2% quando os dados são desagregados segundo a
renda familiar per capita de até ¼ de salário mínimo. |
(*) Orfanatos, Fundações do Bem Estar do Menor
Fonte: Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e Conanda
(Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente) |
| Desemprego afeta mais os jovens negros |
| A taxa de desemprego dos homens jovens negros é de 15,4% e a dos jovens
brancos é de 13,6%. No caso das mulheres jovens negras, chega a 25% enquanto a das jovens
brancas é de 20% |
| Fonte: OIT (Organização Internacional do Trabalho) e
IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) |
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As paulistanas Airucy Bárbara Diogo Casimiro, de 18 anos, estudante de Direito (à
esquerda), e sua irmã, Amarílis Helena Diogo Casimiro, de 15 anos, estudante do ensino
médio, ilustram com seus sorrisos a foto ao lado da logomarca do Destaque Seppir.
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