NOVA POLÍTICA INDUSTRIAL
Desenvolvimento e Competitividade

Introdução

O crescimento econômico moderno resulta da conjugação de quatro ordens de fatores:
1) elevada taxa de poupança e investimento;
2) apropriada qualificação da mão-de-obra;
3) desenho institucional que favoreça a eficiente aplicação de recursos produtivos;
4) ambiente macroeconômico estável.

Nos últimos anos, o Brasil tem progredido nessa direção, particularmente nos dois últimos aspectos. Por um lado, o País implementou um grande número de reformas estruturais visando a fortalecer a influência dos mecanismos de mercado nas decisões de aplicação de recursos. Entre estas deve-se mencionar a liberalização do comércio exterior, a privatização, o fim dos controles de preços, e um comportamento mais liberal perante o investimento estrangeiro. Por outro, conseguiu-se, com a adoção do Plano Real em 1994, criar um ambiente macroeconômico mais estável, com baixos níveis de inflação, o que favorece os estímulos à poupança e ao investimento.

Esse conjunto de mudanças tem impulsionado um novo ciclo de investimentos e crescimento, o qual pode ser enunciado com alguns exemplos:

a) a economia brasileira integra-se progressivamente aos fluxos internacionais de bens, capitais e tecnologia;

b) as exportações têm um comportamento dinâmico, com a finalidade de suavizar a restrição externa ao crescimento da economia brasileira;

c) com o processo de privatização, cabe ao setor privado uma parcela crescente dos investimentos, mas o setor público ganha relevo em seu papel regulatório de defesa da concorrência interna e externa;

d) o gasto público orienta-se cada vez mais para a área social.

Neste novo ciclo, apesar de restar ao Estado um papel de menor expressão na execução direta do investimento, em relação ao que se observou no passado, sua contribuição - seja como regulador, seja como indutor por intermédio de suas diversas agências - não deve ser minimizada.

Pelo contrário, é nessas áreas que um Estado ágil e moderno tem condições de atuar mais eficientemente. Para tal, o Estado deverá ser reorganizado institucionalmente e dotado de maior capacitação técnica e gerencial. Essa capacitação refere-se à recuperação das atividades de formulação de políticas e de desenvolvimento de instrumentos de atuação condizentes com a nova configuração macroeconômica do País e com a necessidade de intervenção seletiva que deverá caracterizar a atuação governamental nos próximos anos.

A Nova Política Industrial, implementada pelo atual Governo, também conhecida como Política de Desenvolvimento e Competitividade, está definida no contexto de um novo paradigma de relacionamento Estado-Sociedade, em que a ação do agente público procura sobretudo criar um ambiente de negócios favorável ao investimento produtivo, cabendo ao agente privado identificar oportunidades e realizar investimentos.

A Nova Política Industrial vigente no Brasil apresenta diretrizes distintas das que orientaram a ação do Governo Federal durante as seis décadas de substituição de importações. A abertura e a estabilização econômica são elementos fundamentais das transformações em curso, que envolvem uma ampla restruturação industrial.

A ação do agente governamental não traz a marca do "voluntarismo desenvolvimentista", e orienta-se para estimular o setor privado a promover a restruturação industrial, que já se traduz em melhoria da produtividade e leva a economia brasileira a tornar-se mais competitiva.

O aumento de produtividade e a elevação da taxa de investimento manifestam de forma clara essa tendência positiva. A produtividade apresentou no triênio 1994-96 uma taxa média de crescimento de 9,8%. Para o período janeiro-novembro de 1997, a taxa de crescimento do índice de produtividade alcançou a casa de 11,7% em relação a igual período do ano anterior (quadros 1 e 2, e gráfico 1).

Além da pressão competitiva originada pela abertura econômica, a estabilização dos preços e as ações do Governo Federal direcionadas para a competitividade explicam a significativa evolução da produtividade na indústria brasileira. É importante notar também que a taxa de investimento de 18,0% do PIB, em 1997, foi a maior dos últimos 11 anos. A produtividade apresentou no triênio 1994-1996 uma taxa média de crescimento de 9,8%.A taxa de investimento de 18,0% do PIB, em 1997, foi a maior dos últimos 11 anos.

A estratégia voltada para a modernização produtiva, por meio da atração de investimentos e de ganhos de competitividade, apresentou sinais animadores também no plano externo.

Em 1997, o valor total das exportações apresentou um incremento de 11%, com destaque para as vendas externas de manufaturados, que cresceram 10,3%, o que representa uma expressiva melhoria em comparação com a média de 3,1% nos anos 1995/96 (quadros 3 a 5). Essa evolução favorável foi devida sobretudo ao bom desempenho do volume exportado, numa demonstração de que a reestruturação gerencial e produtiva da economia começa a colher os primeiros frutos.

No período anterior de substituição de importações, formou-se no Brasil um parque industrial complexo e diversificado. No entanto, as estruturas e condutas empresariais desse modelo revelaram-se ineficientes, pois foram estimuladas em ambiente de forte protecionismo. Relativo fechamento da economia brasileira prevaleceu durante esse período em que a indústria nacional foi beneficiada também com incentivos fiscais (setoriais ou regionais) e créditos favorecidos dos bancos oficiais. Como resultado desse modelo, no início da atual década, muitos setores relevantes do parque industrial brasileiro estavam defasados tecnologicamente, com reduzida competitividade, e muito dependentes de incentivos e câmbio favorável para poderem exportar.

Assim, a abertura comercial representou um grande desafio à indústria brasileira, que ficou mais exposta à competição com países de tradição industrial mais antiga e mesmo com aqueles de industrialização recente, voltados agressivamente para a conquista de mercados externos. Por esse motivo, as políticas, programas e ações que constituem a Nova Política Industrial foram concebidos de forma a apoiar fortemente a restruturação e o desempenho competitivo do setor.

A exposição à competição externa levou a indústria brasileira a promover um profundo ajuste nos seus sistemas empresariais, gerenciais e tecnológicos. À ação governamental coube, inicialmente, sinalizar de forma clara o novo modelo de crescimento da economia brasileira, com a sua integração à economia mundial, por meio da abertura comercial e do fortalecimento dos mecanismos de defesa comercial e da concorrência. O governo mobilizou também recursos para que o processo de ajuste fosse rápido e efetivo, buscando tanto fortalecer as vantagens competitivas do modelo anterior como apoiar novos empreendimentos que apresentassem bom potencial de competitividade.

A mobilização da sociedade é, sem dúvida, um dos elementos básicos da Nova Política Industrial. O Estado deixa o papel de empresário para se concentrar na função reguladora e arbitral, visando à superação de carências competitivas da economia e abrindo espaço para que produtores e consumidores possam exercer seus direitos. A postura de empresários e trabalhadores deve corresponder a este novo momento, com a adoção de práticas gerenciais e processos produtivos mais eficientes e com a promoção da inovação tecnológica.

A estratégia da Nova Política Industrial, voltada para a ampliação da capacidade competitiva da economia brasileira, envolve um conjunto de ministérios - Indústria, Comércio e Turismo (MICT), Ciência e Tecnologia (MCT), Relações Exteriores (MRE), Planejamento e Orçamento, Fazenda, Agricultura e Abastecimento, Trabalho, Comunicações, Transportes, Minas e Energia, Justiça e Educação -, além de instâncias de articulação da ação governamental, como a Câmara de Comércio Exterior da Presidência da República (CAMEX).

A Nova Política Industrial desdobra-se nas seguintes linhas mestras:

1. PROMOÇÃO DE COMPETITIVIDADE

2. MODERNIZAÇÃO EMPRESARIAL E PRODUTIVA

3. REDUÇÃO DO "CUSTO BRASIL"

4. CRIAÇÃO DE AMBIENTE INSTITUCIONAL FAVO- RÁVEL À MAIOR COMPETITIVIDADE

5. ESTÍMULO À EDUCAÇÃO E QUALIFICAÇÃO DO TRABALHADOR

Quadro 1
Índices Anuais de Produção Física Industrialpara a Indústria Geral

Brasil - 1985/97 - (Base:1985=100)

  1985 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997*
Indústria Geral 100,00 101,69 98,87 95,38 102,70 110,64 112,73 113,80 118,93
Crescimento %   1,69 -2,77 -3,53 7,67 7,73 1,89 0,95 4,51

Fonte: Indicadores IBGE -Pesquisa Industrial Mensal Produção Física -Brasil
* Dados de janeiro a novembro de 1997

Quadro 2
Índice de Produtividade

Brasil - 1985/97 - (Base: 1985=100)
Produção Física Indústria/Horas pagas na Produção

  1985 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997*
Indústria Geral 100,00 101,72 109,95 115,30 126,49 140,35 146,42 166,98 186,49
Crescimento %   1,72 8,09 4,87 9,7 10,96 4,32 14,04 11,7

Fonte: Indicadores IBGE - Pesquisa Industrial Mensal Produção Física - Brasil e Pesquisa Industrial Mensal
Emprego, Salário e Valor da Produção.
* Dados de janeiro a novembro de 1997

Gráfico 1
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Quadro 3
Saldo da Balança Comercial (US$ milhões)

Ano 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997
Exportação 31.620 35.793 38.555 43.545 46.506 47.747 52.986
Importação 21.041 20.554 25.256 33.079 49.972 53.301 61.358
Saldo 10.579 15.239 13.299 10.466 -3.466 -5.554 -8.372

Fonte: Banco Central

Quadro 4
Exportações (US$ milhões FOB)

Ano Básicos

Industrializados

TOTAL
    Total Semimanufaturados Manufaturados  
1993 9.357 29.198 5.440 23.758 38.555
1994 11.058 32.487 6.893 25.594 43.545
1995 10.969 35.537 9.146 26.391 46.506
1996 11.900 35.847 8.612 27.235 47.747
1997 14.474 38.512 8.477 30.035 52.986

Fonte: Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo/Secretaria de Comércio Exterior e Banco Central

Quadro 5
Importações por Categoria de Uso (US$ milhões FOB)

        Bens de Consumo    
Ano Matérias-primas e Produtos Intermediários Combustíveis e Lubrificantes Bens de Capital Total Não- duráveis Duráveis TOTAL
1993 12.863 4.094 5.089 3.210 1.449 1.761 25.256
1994 15.607 4.356 7.576 5.540 2.410 3.129 33.079
1995 22.382 5.217 11.446 10.927 4.832 6.095 49.972
1996 24.646 6.228 12.706 9.721 5.152 4.569 53.301
1997 27.603 5.835 16.678 11.242 5.543 5.699 61.358

Fonte: Ministério da Fazenda/Receita Federal e Banco Central

 

Publicações

Sumário

Promoção de competitividade