6 ANOS DO REAL
Crescimento e Desenvolvimento Social
III - SETOR EXTERNO |
Ao permitir a livre flutuação do Real, a mudança do regime de câmbio promoveu uma profunda alteração nas transações externas e aliviou as restrições sobre o balanço de pagamentos do País. O efeito mais imediato da desvalorização cambial ocorreu do lado das importações, que caíram 14,8% em 1999, em relação a 1998, enquanto as exportações, ao invés de aumentarem, chegaram a recuar 6%.
Com esse desempenho, a balança comercial começou a se recuperar dos déficits dos últimos anos, e passou de um saldo negativo de US$ 6,6 bilhões em 1998, para um saldo negativo menor, de US$ 1,2 bilhões, em 1999. Já no início de 2000, entretanto, o saldo comercial atingiu resultados positivos, confirmando mudança de trajetória no comércio com o exterior.
A lenta reação da balança comercial após a desvalorização deveu-se basicamente ao comportamento dos preços externos. Por um lado, houve queda de 15% nos preços de produtos primários agrícolas e minerais, responsáveis por mais de um terço das exportações brasileiras. Por outro, ocorreu forte elevação nos preços do petróleo, principal item das importações brasileiras.
VARIAÇÃO PERCENTUAL DAS EXPORTAÇÕES
10 trim/1997 e 10 trim/2000
Categorias
Índice
Valor
Preço
Quantidade
Exportações totais
13,10
-16,30
34,50
Básicos
-11,30
-28,40
23,30
Semimanufaturados
13,50
-13,60
30,20
Manufaturados
23,70
-12,00
39,60
Fonte: Funcex
Apesar desse ambiente adverso, a comparação entre as situações antes e depois das crises externas (1º trimestre de 1997 em relação ao 1º trimestre de 2000), percebe-se que houve aumento de 13% no valor das exportações totais, em razão de expansão de cerca de 34% em volume. Merece destaque o crescimento no setor de manufaturados, de quase 40% em volume e 24% em valor, apesar de uma redução de 12% no preço.
Após um declínio de 7% em 1999, as vendas externas de manufaturados cresceram 25% nos quatro primeiros meses de 2000, e aumentaram sua participação na pauta total. Assim, o crescimento das exportações vem ocorrendo em produtos com maior valor agregado. Tal fato, agregado à substituição de importações, contribui para a retomada da produção industrial e do emprego, que vem apresentando crescimento expressivo.
É importante ressaltar que o crescimento das exportações totais e de manufaturados, em particular, ocorre também em conseqüência da conquista de novos mercados, o que permite superar a retração dos países da América Latina, mercados tradicionais desses produtos para o Brasil. A participação dos Estados Unidos nas vendas externas brasileiras passou de 19% para 23% de 1998 para 1999, o que amenizou o recuo nas vendas para o Mercosul e para os países da Aladi.
A mudança cambial de janeiro de 1999 também produziu importantes reflexos sobre a balança de serviços, na qual o déficit diminuiu em US$ 3,6 bilhões, devido à elevação de US$ 2,7 bilhões no saldo da conta de viagens internacionais e de US$ 455 milhões em fretes. A diminuição dessas despesas foi suficiente para compensar a elevação dos dispêndios com juros, que aumentaram 27%.
Em 1999, o saldo em transações correntes teve déficit de US$ 24,4 bilhões, como efeito do déficit de US$ 1,2 bilhão na balança comercial; do déficit de US$ 25,2 bilhões em serviços; e do saldo positivo de US$ 2 bilhões em transferências unilaterais. Comparativamente ao ano anterior, esse déficit teve redução de 27%. Em relação ao PIB medido em dólares, o déficit ficou pouco acima do observado em 1998 (4,39% contra 4,33%), devido ao efeito estatístico do menor valor do PIB em dólares, após a desvalorização cambial. Contudo, no acumulado em 12 meses até abril de 2000, essa relação já apresenta declínio, para 4,06%.
Como resultado da retomada do crescimento e do sucesso da política econômica, os investimentos diretos estrangeiros continuam a afluir em volume expressivo para o setor privado, mesmo com a redução do número de privatizações. Em 1999, entraram no Brasil cerca de US$ 30 bilhões, o que correspondeu a 15 vezes o valor de 1994, quando ingressaram apenas US$ 2 bilhões. Em um período de 5 anos (1995-1999), entraram mais de US$ 80 bilhões, dos quais cerca de US$ 23 bilhões no âmbito do programa de privatização.
O fluxo de investimentos diretos tem sido importante fonte de financiamento para o déficit em transações correntes, o que torna o balanço de pagamentos menos dependente dos capitais de curto prazo. Em 1999, os investimentos diretos superaram em 20% o valor do déficit em transações correntes.
Comércio Brasil MERCOSUL
A N O
EXPORTAÇÃO (X) US$ milhões
PART.%
IMPORTAÇÃO (M) US$ milhões
PART.%
S A L D O
(X-M) US$ milhões1990
1.320,24
4,20
2.319,55
11,23
-999,30
1991
2.309,35
7,30
2.268,36
10,78
40,98
1992
4.097,49
11,45
2.228,56
10,84
1.868,90
1993
5.386,90
13,97
3.378,25
13,38
2.008,65
1994
5.921,47
13,60
4.583,27
13,86
1.338,20
1995
6.153,76
13,23
6.843,92
13,70
-690,15
1996
7.305,28
15,30
8.301,54
15,56
-996,26
1997
9.046,60
17,07
9.517,01
15,90
-470,40
1998
8.878,23
17,36
9.427,70
16,34
-549,46
1999
6.777,87
14,12
6.718,90
13,65
58,96
Fonte: MDIC/DECEX/GEREST
Criado em 1991, o MERCOSUL foi responsável por elevação substancial dos níveis de comércio entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Em sete anos, os fluxos comerciais foram multiplicados por quatro. Passaram de cerca de US$ 4 bilhões em 1991 para US$ 18 bilhões em 1998. Nesse último ano, os demais países do MERCOSUL absorveram 17% do total das exportações brasileiras, nível muito próximo dos EUA (19%) e significativamente superior aos 4,2% de 1990.
Em 1999, com a desvalorização do Real e a retração de 3% do PIB argentino, o comércio na região reduziu-se em 30%. Apesar disso, o MERCOSUL ainda absorve importantes 14% do total das exportações brasileiras
Além dos ganhos comerciais que gerou para o Brasil, o MERCOSUL aumenta nosso poder de barganha nas negociações para criação da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), nas relações com a Organização Mundial do Comércio (OMC) e no nosso relacionamento com a União Européia (UE).
Apesar das dificuldades comerciais enfrentadas nos dois últimos anos, o MERCOSUL já dá sinais concretos de retomada de seu dimanismo. Isto reflete a maturidade de um processo de integração que apresenta saldo de realizações positivo e indica futuro promissor para os quatro países membros e para os dois Estados associados, Bolívia e Chile.