REAL: QUATRO ANOS
QUE MUDARAM O BRASIL
APRESENTAÇÃO
A cada aniversário do Real, a Secretaria de Comunicação Social tem publicado uma avaliação do impacto da estabilidade monetária sobre a economia e o campo social.
Desta feita, em vez de uma avaliação abrangente, o presente trabalho se limita a coligir um conjunto de tabelas, gráficos, fatos e números sobre a economia e a área social. Deixa deliberadamente de tratar do Programa Brasil em Ação e da Comunidade Solidária porque foram objeto de textos recentes.
Os números falam por si mesmos. O que se depreende das páginas a seguir, em primeiro lugar, é a profunda transformação da economia brasileira, marcada por maior eficiência do setor produtivo, maior competitividade externa, substancial elevação do nível de investimentos e expressivo ingresso de capitais do exterior.
Estas mudanças positivas explicam o fato de o Brasil estar no sexto ano consecutivo de crescimento, com uma taxa média de 4% desde o advento do Real, a segunda maior da América Latina no período. Este resultado se compara com uma virtual estagnação nos quatro anos anteriores ao Plano Real, caracterizado por dois anos de crescimento e dois de recessão.
O desempenho da economia após o Plano Real resultou em significativa elevação de renda, sobretudo das classes trabalhadoras. No período de 86 a 93, o rendimento médio real da população caiu. As perdas foram mais acentuadas nos segmentos mais pobres do que nos mais ricos. De 93 a 96, ao contrário, todos os estratos da sociedade aumentaram suas rendas. O rendimento dos mais pobres cresceu mais do que o dos mais ricos.
A maior parte dos indicadores sociais corrobora o expressivo aumento da qualidade de vida da população.
É interessante notar que, diferentemente do que ocorreu em décadas passadas, quando choques externos do petróleo e de juros abortaram uma trajetória de crescimento, nos anos recentes a economia soube defender-se de dois abalos igualmente poderosos, primeiro a crise mexicana e depois a asiática. Foi preciso em cada um dos casos frear temporariamente o crescimento, para em seguida retomar a atividade econômica.
O aumento das taxas de desemprego e a elevação do déficit fiscal são a seqüela mais visível e preocupante da crise de novembro, e constituem indicadores dos ajustamentos que restam realizar na economia e que já começam a ser feitos.
Mas a estabilidade macroeconômica, a redução progressiva da taxa de juros, os investimentos crescentes e a diminuição do custo de produzir sinalizam que o País está-se preparando para um novo salto de desenvolvimento, que contribuirá decisivamente para ampliar o emprego e aprofundar as políticas públicas dirigidas de modo prioritário, talvez pela primeira vez, para as camadas de renda mais baixa da população.
SERGIO SILVA DO AMARAL
Secretário de Comunicação Social
Presidência da República