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Três anos de Real

Construindo um País melhor

 

9 - Saúde

O Plano Real provocou repercussões muito positivas na área da saúde. Além de ampliar e diversificar o consumo de alimentos, contribuindo para a melhoria das condições de vida da população, propiciou um efetivo aumento dos recursos do Governo Federal destinados ao Ministério da Saúde.

Em 1994, esses recursos aumentaram em cerca de 16% em relação a 1993. No biênio 1995/96, os gastos médios significaram um incremento de 65% em relação ao início da década. Em 1997, estima-se que somente o Governo Federal deverá gastar cerca de R$ 19 bilhões com serviços de saúde, aumentando o gasto per capita para R$119,00/ano, quase o dobro do verificado em 1993.

Um problema crônico decorrente do processo inflacionário e que repercutia negativamente na assistência ambulatorial e hospitalar, era o atraso no pagamento aos prestadores de serviços. Eles recebiam com 60 dias de atraso e com a inflação, o dinheiro chegava desvalorizado, com prejuízos para quem pagava e consequências negativas no antendimento A estabilização econômica decorrente do Plano Real permitiu atualizar o pagamento dessa assistência, acabando com os atrasos e com as constantes mudanças de valores na tabela de custo dos procedimentos médicos.

Em 1994, 56% dos recursos do SUS eram destinados a internações e 44% para assistência ambulatorial. No primeiro semestre de 1996, a relação já se inverteu: 49% para hospitalizações e 51% para atenção ambulatorial.

O maior aporte de recursos financeiros permitiu a ampliação dos gastos em serviços essenciais para a melhoria das condições de saúde das populações vulneráveis, sobretudo a partir de 1995, quando se estabeleceu com prioridade o Programa de Redução da Mortalidade na Infância - PRMI. Este Programa possibilitou a integração de diversas ações relativas à assistência materno-infantil, à alimentação e nutrição, à imunização e ao sanemaneto, além daquelas inerentes ao trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde e à educação sanitária.

Dos 913 municípios cobertos pelo Programa de Redução da Mortalidade Infantil, 77% já estão incluídos no Programa de Suplementação Alimentar - "Leite é Saúde", que atende a 3 milhões de mães e filhos, sendo que 39% desses municípios foram beneficiados com abastecimento de água, serviço de esgotos e melhorias sanitárias domiciliares, favorecendo 1,2 milhão de pessoas diretamente e 3,8 milhões indiretamente. A média nacional de imunização de rotina, 75%, foi superada nas áreas cobertas pelo PRMI, onde a vacinação destinada a crianças no primeiro ano de vida atingiu 97%.

O Programa de Equipes de Saúde da Família, iniciado em 1994, e o Programa de Agentes Comunitários da Saúde, fazem parte de uma proposta de mudança no modo de atender a população. Ela incorpora a atenção médica tradicional e um conjunto de medidas para melhorar as condições de vida das pessoas. O programa se tornou a porta de entrada no SUS, com o objetivo de resolver nesse nível de atendimento o maior número possível de problemas.

Durante os 3 anos do Plano Real, o contingente de Agentes Comunitários de Saúde e de Equipes de Saúde da Família cresceu muito. Os Agentes, que somavam 29.000 em janeiro de 1995, já superavam mais de 44.000 em 1996, atendendo cerca de 26 milhões de pessoas. E as atuais 847 Equipes, que atendem a 850 mil famílias, serão 3.500 ao final de 1998, atendendo 3,5 milhões de famílias.

Entre 1994 e 1996, o Sistema de Informação do Programa Agentes Comunitários de Saúde - PACS permitiu identificar um conjunto de indicadores para as áreas onde o Programa encontra-se em funcionamento.

A tabela abaixo registra as taxas de Mortalidade, para as áreas cobertas pelo PACS. A queda do índice é expressiva: de 82,6 óbitos a cada 1.000 nascidos vivos em 1994, caiu para 51,5/1.000 em 1996. Esta representou uma redução de 37,7% na taxa de mortalidade infantil no período, estimando-se em 6.500 o número de óbitos evitados.

Mortalidade Infantil Redução Óbitos Evitados
(por 1.000 nascidos vivos) (%) (menores de 1 ano)

1994

1996

Maranhão 71,2 48,6 37,7 491
Piauí 67,3 43,0 36,1 445
Ceará 80,0 45,7 42,9 2.967
Paraíba 90,5 53,8 40,6 637
Pernambuco 101,4 54,9 45,9 1.335
Sergipe 93,6 63,9 31,7 156
Bahia 110,9 53,0 52,2 458
Nordeste 82,6 51,5 37,7 6.489*

(Fonte: Sistema de Informações do PACS - COSAC/SAS/MS)

É importante lembrar que as áreas prioritárias para a implantação do PACS eram municípios de risco para a Mortalidade Infantil. Nesses municípios, foram priorizadas as áreas onde esta situação era mais grave - zona rural e periferias dos centros urbanos.

A queda da mortalidade infantil também é captada pela Pastoral da Criança, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Segundo os dados, a mortalidade que era de 41 para cada grupo de mil crianças nascidas vivas, em 1992, caiu para 31,4, em 1994, atingindo 17,6, em 1996. Somente neste último ano, evitou-se a morte de 5.000 crianças em 2.563 municípios, não significando, porém, que este índice possa ser estendido à população total dos respectivos municípios.Essa queda da Mortalidade Infantil é altamente significativa porque a Pastoral da Criança trabalha exclusivamente com famílias carentes.

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10- Educação