|
Apresentação
É com imensa satisfação
que apresentamos os artigos desta edição
especial da Revista Jurídica do Centro de Pesquisa
de Estudos da Subchefia para Assuntos Jurídicos
da Casa Civil da Presidência da República.
Eles são os primeiros frutos publicados do
Projeto Pensando o Direito, iniciativa lançada,
em 2007, pela Secretaria de Assuntos Legislativos
do Ministério da Justiça em parceria
com o Programa das Nações Unidas para
o Desenvolvimento - PNUD, cuja concepção
e execução inicial foram apoiadas, decisivamente,
pela Subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa
Civil da Presidência da República. Constituem
a síntese dos resultados obtidos em cada uma
das nove áreas temáticas da primeira
edição do Projeto: Direito Ambiental,
Direito do Consumidor, Direitos Humanos, Direito Urbanístico,
Federalismo, Observatório do Judiciário,
Penas Alternativas, Propriedade Intelectual, Reforma
Política e Direito Eleitoral.
Os dois principais objetivos do Projeto
Pensando o Direito são a qualificação
técnico-jurídica do trabalho desenvolvido
pela SAL na análise e elaboração
de propostas legislativas e a aproximação
e o fortalecimento do diálogo com a academia,
mediante o estabelecimento de canais perenes de comunicação
e colaboração mútua. Assim, além
da execução das propostas apresentadas
e selecionadas conforme seus respectivos editais,
o Projeto Pensando o Direito promove diálogos
constantes entre as instituições que
dele participam e os órgãos públicos
envolvidos nas áreas temáticas pesquisadas.
Trata-se, portanto, de mais um mecanismo de democratização
do processo de elaboração legislativa,
com o estreitamento dos laços entre os centros
produtores de conhecimento jurídico no âmbito
acadêmico e os órgãos responsáveis
pela elaboração de leis no âmbito
governamental, notadamente por intermédio da
Secretaria de Assuntos Legislativos.
De um lado, é preciso preservar
integralmente o caráter acadêmico desses
estudos, garantindo a correlata autonomia científica
dos pesquisadores e de seus produtos. Não há
e nem pode haver, nesse sentido, qualquer ingerência
dos órgãos governamentais sobre os resultados
dos trabalhos desenvolvidos, inclusive porque eles
não expressam qualquer posição
governamental ou do PNUD, refletindo exclusivamente
o entendimento dos pesquisadores sobre o tema em questão.
De outro lado, também não se pode perder
de vista o caráter aplicado de tais estudos,
já que se destinam a um fim específico,
que é o de subsidiar o trabalho da Secretaria
e demais órgãos governamentais no processo
de elaboração legislativa.
A experiência de êxito
durante o ano de 2007, com o recebimento de 80 propostas
ao todo, motivou o lançamento da segunda edição
do Projeto no início deste ano. Realizada em
duas etapas, teve como primeiro foco os eixos de Direito
Penal e Processual Penal e de Direito Constitucional
e Eleitoral, que se desdobraram em sete áreas
temáticas específicas. No eixo Penal
e Processual Penal, foram cinco áreas temáticas:
Tráfico de Drogas, Pena Mínima, Crime
Organizado, Responsabilidade Penal de Pessoas Jurídicas
e Medidas Assecuratórias. No eixo Constitucional
e Eleitoral, mais duas áreas temáticas:
Processo Eleitoral e Separação de Poderes
- Vício de Iniciativa. A segunda etapa inclui
mais oito áreas temáticas em diversos
campos do Direito: Conselho Tutelar, Vítimas
de Violência, Conflitos Coletivos sobre a Posse
e a Propriedade de Bens Imóveis, Sucessão
- Companheiros e Cônjuges, Grupos de Interesse
(lobby), Estatuto dos Povos Indígenas, Estado
Democrático de Direito e Terceiro Setor, Igualdade
de Direitos entre Mulheres e Homens.
O PNUD, parceiro nesta iniciativa,
vem atuando no Brasil desde a década de 60
como catalisador de assistência técnica
e tecnológica internacional, contribuindo para
a implementação de projetos de execução
nacional em áreas como educação,
gestão ambiental, saúde, agricultura
e telecomunicações. Ao longo de sua
atuação agregou a sua agenda a gestão
de projetos e na década de 90 evoluiu para
o conceito de cooperação para o desenvolvimento,
no qual os países da região são
responsáveis pelo financiamento e a execução
de seus projetos, agregando o PNUD independência
e imparcialidade; transparência na gestão
de projetos; acesso a soluções e experiências
de outros países.
A partir de 2000, o PNUD passou a
considerar a questão do enfrentamento à
violência e à impunidade como determinante
para o desenvolvimento do país. Nessa perspectiva,
adotou o conceito de Segurança Cidadã,
o qual propõe uma abordagem integral baseada
no fortalecimento das capacidades institucionais de
governabilidade da segurança e na consideração
de fatores tais como a pobreza, uso e abuso de álcool
e drogas, exclusão social, desestruturação
familiar, desemprego, entre outros. A iniciativa regional
na área engloba diferentes estratégias
tais como alianças com centros de excelência
e entidades que acumulam conhecimento especializado
e o desenvolvimento de instrumentos e metodologias
para ajudar na promoção do desenvolvimento
de capacidades e fortalecimento das instituições.
A atual parceria com a SAL está baseada nessas
mesmas estratégias.
O envolvimento do Ministério
da Justiça com o Projeto Pensando o Direito
merece destaque, justamente por não se esgotar
apenas na SAL: a Secretaria de Reforma do Judiciário
tem sido parceira fundamental em várias áreas
temáticas, assim como o Departamento de Policia
Federal, a Secretaria Nacional de Justiça,
a Fundação Nacional do Índio
(FUNAI), o Departamento de Proteção
e Defesa do Consumidor, no âmbito da Secretaria
de Direito Econômico, e o Departamento Penitenciário
Nacional.
A articulação com outros
órgãos governamentais, por sua vez,
foi crucial desde a gênese do Projeto. Além
da mencionada e imprescindível contribuição
da Subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa
Civil da Presidência da República, contamos
também com o auxílio do Ministério
do Meio Ambiente, Ministério das Cidades, Secretaria
Especial de Direitos Humanos, Secretaria Especial
de Políticas para as Mulheres, Controladoria-Geral
da União, Grupo Interministerial de Propriedade
Intelectual, dentre outros. O Projeto recebeu também
com valiosas contribuições de componentes
do Tribunal Superior Eleitoral, da Câmara dos
Deputados, do Senado Federal, do Supremo Tribunal
Federal e do Superior Tribunal de Justiça.
Nossa dívida de gratidão com os dedicados
interlocutores que encontramos em cada um desses foros
dificilmente se resume em poucas linhas.
Portanto, com a publicação
dessa edição especial da Revista Jurídica
da Presidência da República, graças
ao apoio da Subchefia para Assuntos Jurídicos
da Casa Civil da Presidência da República,
a Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério
da Justiça e o Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento oferecem à sociedade
os resultados da primeira edição do
Projeto Pensando o Direito, na esperança de
que eles possam representar os passos iniciais rumo
à ampliação do processo de democratização
da elaboração legislativa em nosso país.
Brasília, 06 de junho de 2008.
Secretaria
de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça
- SAL
Programa
das Nações Unidas para o Desenvolvimento
- PNUD
|