Decreto n. 3029 - de 9 de Janeiro de 1881.
Reforma a legislação eleitoral (A
Lei Saraiva)
Hei por bem Sanccionar e Mandar que se execute a seguinte Resolução
da Assembléia Geral:
Art. 1º As nomeações dos Senadores e Deputados para
a assembléia geral, membros das Assembléias Legislativas
Provinciaes, e quaesquer autoridades electivas, serão feitas por
eleições directas, nas quaes tomarão parte todos
os cidadãos alistados eleitores de conformidade com esta lei.
A eleição do Regente do Imperio continúa a ser feita
na fórma do Acto Addicional á Constituição
Politica pelos eleitores de que trata a presente lei.
Dos eleitores
Art. 2º E' eleitor todo cidadão brazileiro, nos termos dos
arts. 6º, 91 e 92 da Constituição do Imperio, que tiver
renda liquida annual não inferior a 200$ por bens de raiz, industria,
commercio ou emprego.
Nas excluões do referido art. 92 comprehendem-se as praças
de pret do exercito, da armada e dos corpos policiaes, e os serventes
das repartições e estabelecimentos publicos.
Art. 3º A prova da renda, de que trata o artigo antecedente, far-se-ha:
§ 1º Quanto á renda proveniente de immoveis:
I. Si o immovel se achar na demarcação do imposto predial
ou decima urbana - com certidão de repartição fiscal
de estar o immovel averbado com valor locativo não inferior a 200$
ou com recibo daquelle imposto passado pela mesma repartição.
II. Si o immovel não se achar na demarcação do imposto
predial ou decima urbana, ou não estiver sujeito a este imposto,
ou si consistir em terrenos de lavoura ou de criação, ou
em quaesquer outros estabelecimentos agricolas ou ruraes:
Quando o occupar o proprio dono - pela computação da renda
á razão de 6% sobre o valor do immovel, verificado por titulo
legitimo de propriedade ou posse, ou por sentença judicial que
as reconheça.
Quando não o occupar o proprio dono - pela computação
da renda feita do memo modo, ou pela exhibição de contrato
do arrendamento ou aluguel do immovel, lançado em livro de notas
com antecedencia de um anno, pelo menos, e expressa declaração
do preço do arrendamento ou aluguel.
§ 2º Quanto á renda proveniente de industria ou profissão:
I. Com certidão que mostre estar o cidadão inscripto, desde
um anno antes, no registro do commercio, como negociante, corretor, agente
de leilões, administrador de trapiche, capitão de navio,
piloto de carta, ou como guarda-livros ou 1º caixeiro de casa commercial,
ou administrador de fabrica industrial, uma vez que a casa commercial
ou a fabrica tenha o fundo capital de 6:800$ pelo menos.
II. Com certidão, passada pela respectiva repartição
fiscal, de possuir o cidadão fábrica, officina ou outro
estabelecimento industrial ou rural, cujo fundo capitalseja, pelo menos
de 3:400$, ou com certidão ou talão de pagamento de imposto
de industria ou profissão ou de qualquer outro imposto baseado
no valor locativo do immovel urbano ou rural em importancia annual não
inferior a 24$ no municipio da Côrte, a 12$ dentro das cidades e
a 6$ nos demais logares do Imperio.
III. Com certidão, passada pela respectiva repartição
fiscal de possuir o cidadão estabelecimento commercial, cujo fundo
capital seja de 3:400$, pelo menos, e pelo qual tambem pague o imposto
declarado no numero antecedente.
IV. Os impostos a que se referem os dous ultimos numeros só conferem
a capacidade eleitoral, havendo sido pagos pelo mennos um anno antes do
alistamento.
Não sevirão para prova da renda quaesquer outros impostos
não mecionados nesta lei.
§ 3º Quanto á renda proveniente do emprego publico:
I. Com certidão do Thesouro Nacional e das Thesourarias de Fazenda
geraes e provinciaes, que mostre perceber annualmente o cidadão
ordenado não inferior a 200$, por emprego que dê direito
á aposentação, não sendo, porém, esta
ultima condição applicavel aos empregados do Senado, Camara
dos Deputados e das Assembéas Legislativas Provinciaes, comtanto
que tenham nomeação effectiva.
II. Com igual certidão das Camaras Municipaes, quanto aos que
nellas exercerem empregos que dêm direito á aposentção.
III. A mesma prova servirá para os empregados aposentados ou jubilados
e para os officiaes reformados do exercito, da armada e dos corpos policiaes,
comprehendidos os officiaes honorarios que percebam soldo ou pensão.
IV. Os serventuários providos vitaliciamente em officios de justiça,
cuja lotação não for inferior a 200$ por anno, provarão
a respectiva renda com certidão da lotação dos mesmos
officios, passada pela repartição competente.
§ 4º Quanto á renda proveniente de titulos de divida
publica geral ou provincial - com certidão authentica de possuir
o cidadão no proprio nome ou, si for casado, no da mulher, desde
um anno antes do alistamento, titulos que produzam annualmente quantia
não inferior á renda exigida.
§ 5º Quanto á renda proveniente de acções
de bancos e companhias, legalmente autorizados, e de depositos em caixas
economicas do Governo - com certidão authentica de possuir o cidadão,
desde um anno antes do alistamento, no proprio nome ou, si fôr casado,
no da mulher, titulos que produzam quantia não inferior á
mencionada renda.
Art. 4º. São considerados como tendo a renda legal, independentemente
de prova:
I. Os Ministros e os Conselheiros de Estado, os Bispos, e os Presidentes
de provincia e seus secretarios.
II. Os Senadores, os Deputados á Assembléia Geral e os
membros das Assembléas Legislativas Provinciaes.
III. Os magistrados perpetuos ou temporarios, o secretario do Supremo
Tribunal de Justiça e os das Relações, os promotores
publicos, os curadores geraes de orphãos, os Chefes de Policia
e seus secretarios, os delegados e subdelegados de policia.
IV. Os clerigos de ordens sacras.
V. Os directores do Thesouro Nacional e das Thesourarias de Fazenda geraes
e provinciaes, os procuradores fiscaes e os dos Feitos da Fazenda, os
inspectores das Alfandegas e os chefes de outras repartições
de arrecadação.
VI. Os directores das Secretarias de Estado, o inspector das terras publicas
e colonisação, o diretor geral e vice-director dos Telegraphos,
os inspectores ou directores das Obras Publicas geraes ou provinciaes,
os directores das estradas de ferro pertencentes ao Estado, e os chefes
de quaesquer outras repartições ou estabelecimentos públicos.
VII. Os empregados do Corpo Diplomatico ou Consular.
VIII. Os officiaes do exercito, da armada e dos corpos policiaes.
IX. Os directores, lentes e professores das faculdades, academias e escolas
de instrucção superior, os inspectores geraes ou directores
da instrução publica na Côrte e privincias, os directores
ou reitores de institutos, collegios ou outros estabelecimentos publicos
de instrucção, e os respectivos professores, professores
publicos de instrucção primaria por titulo de nomeação
effectiva ou vitalicia.
X. Os habilitados com diplomas scientificos ou literarios de qualquer
faculdade, academia, escola ou instituto nacional ou estrangeiro, legalmente
reconhecidos.
Será titulo comprobatorio o proprio diploma ou documento authentico
que o suppra.
XI. Os que desde mais de um anno antes do alistamento dirigirem casas
de educação ou ensino, frequentadas por 20 ou mais alumnos,
ou leccionarem nas mesmas casas.
Servirá de prova - certidão passada pelo inspector ou director
da instrucção publica na Côrte ou nas provincias.
XII. Os juizes de paz e os vereadores effectivos do quatriennio de 1877
- 1881 e do seguinte, e os cidadãos qualificados jurados na revisão
feita no anno de 1879.
Art. 5º O cidadão que não puder provar a renda legal
por algum dos meios determinados nos artigos precedentes será admitido
a faze-lo:
I. Pelo valor locativo do predio em que houver residido desde um anno
antes, pelo menos, com economia propria, sendo o valor locativo annual,
por elle pago, de 400$ na cidade do Rio de Janeiro, de 300$ nas da Bahia,
Recife, S. Luiz do Maranhão, Belem do Pará, Nichteroy, S.
Paulo e Porto Alegre, de 200$ nas demais cidades, e de 100$ nas villas
e outras povoações.
II. Pelo valor locativo annual de 200$, pelo menos, de terrenos de lavoura
ou de criação, ou de quaesquer outros estabelecimentos agricolas
ou ruraes, que o cidadão haja tomado por arrendamento desde um
anno antes.
§ 1º A prova será dada em processo summario perante o
juiz de direito da comarca; e, nas que tiverem mais de um juiz de direito,
perante qualquer delles, e será a seguinte:
I. Quanto aos pedidos sujeitos ao imposto predial ou decima urbana - certidão
de repartição fiscal, de que conste estarem averbados com
o referido valor locativo annual.
II. Quanto aos predios não sujeitos ao dito imposto ou decima -
contrato de arrendamento ou aluguel, celebrado por escriptura publica
com a data de um anno antes, pelo menos, ou por escripto particular lançado
com igual antecedencia em livro de notas, havendo expressa declaração
do preço do arrendamento ou aluguel; e, em falta destes documentos
- o titulo legitimo ou sentença passada em julgadom que prove ter
o ultimo dono do predio adquirido a propriedade ou posse deste por valos
sobre o qual, á razão de 6%, se compute a renda annual,
na importancia declarada no n. I deste artigo.
III. Quanto aos terrenos de lavoura ou criação, ou outros
estabelecimentos agricolas ou ruraes - contrato de arrendamento por escriptura
puvlica com a data de um anno antes, pelo menos, havendo expressa declaração
do preço.
IV. A's provas que ficam designadas se addicionará sempre o recibo
do proprietario do predio, terreno ou estabelecimento, com data não
anterior a um mez, provando estar pago até então do preço
do arrendamento ou aluguel.
§ 2º O juiz de direito julgará, á vista das provas
estabelecidas no paragrapho antecedente, por sentença proferida
no prazo de 15 dias, ouvindo o promotor publico, que responderá
dentro do de cinco dias.
Nenhum processo comprehenderá mais de um cidadão, e nelle
não terá logar pagamento de sello, nem de custas, excepto
as dos escrivães, que serão cobradas pela metade.
§ 3º A sentença do juiz de direito será fundamentada
e della haverá recurso voluntario para a relação
do districto, interposto dentro do prazo de 10 dias pelo proprio interessado
ou por seu procurador especial, no caso de exclusão; e por qualquer
eleitor da parochia ou districto, no caso de admissão.
§ 4º As certidões e outros documentos exigidos para o
alistamento dos eleitores são isentos de sello e de quaesquer outros
direitos.
§ 5º Em caso de falta ou impedimento, o juiz de direito: 1º
pelo juiz municipal effectivo de séde da comarca; 2º pelos
juizes municipaes effectivos dos outros termos da mesma comarca, que forem
mais vizinhos.
Nas comarcas que tiverem mais de um juiz de direito: 1º pelos outros
juizes de direito, conforme a regra geral de sua substituição;
2º pelos juizes substitutos formados, de conformidade com a mesma
regra.
Si todos elles faltarem ou acharem-se empedidos, o processo será
feito perante o juiz de direito da comarca mais vizinha.
Do alistamento eleitoral
Art. 6º O alistamento dos eleitores será preparado, em cada
termo, pelo respectivo juiz municipal, e definitivamente organizado por
comarcas pelos juizes de direito destas.
§ 1º Na côrte o Ministro do Imperio, e nas provincias
os Presidentes, marcarão dia para começo dos trabalhos do
primeiro alistamento que se fizer em virtude desta lei.
§ 2º Nas comarcas que tiverem mais de um juiz de direito, tanto
o preparo como a organização definitiva do alistamento serão
feitos pelos juizes de direito, cada um no respectivo districto criminal,
competindo ao do 1º o registro do alistamento geral dos eleitores
de toda a comarca, pelo modo estabelecido nos §§ 8º a 11
deste artigo.
Para este fim ser-lhe-hão remettidos pelos outros juizes os alistamentos
parciaes que tiverem organizado.
§ 3º Em caso de falta ou impedimento, o juiz de direito será
substituido: 1º pelo juiz municipal effectivo da séde da comarca;
2º pelos juizes municipaes effectivos dos outros termos da mesma
comarca, que forem mais vizinhos.
Nas comarcas que tiverem mais de um juiz de direito: 1º pelos outros
juizes de direito, conforme a regra geral de sua substituição;
2º pelos juizes substitutos formados, de conformidade com a mesma
regra.
Si todos elles faltarem ou acharem-se impedidos, o alistamento dos eleitores
será organizado pelo juiz de direito da comarca mais vizinha.
§ 4º Nenhum cidadão srá incluido no alistamento
dos eleitores sem o ter requerido por escripto e com assignatura sua ou
de especial procurador, provando o seu direito com os documentos exigidos
nesta lei.
Em cada requerimento não poderá figurar mais que um cidadão.
O juiz de direito e os juizes municipaes serão, porém, incluidos
ex-officio no alistamento da parochia de seu domicílio.
§ 5º Só no alistamento da parochia em que tiver domicilio
poderá ser incluido o cidadão que fôr reconhecido
eleitor.
§ 6º Os requerimentos de que trata o § 4º serão
entregues aos juizes municipaes no prazo de 30 dias, contados da data
do edital em que estes deverão convidar para tar fim os cidadãos
dos seus municipios.
Desses requerimentos e dos documentos que os acompanharem, ou forem posteriormente
apresentados, darão recibo aos juizes municipaes.
§ 7º Estes mesmos juizes, no prazo de 10 dias, exigirão
por despachos lançados naquelles requerimentos, e que serão
publicados por edital, a apresentação dos documentos legaes
que não tiverem sido juntos, sendo concedido para essa apresentação
o prazo de 20 dias.
§ 8º Findo este ultimo prazo, os juizes municipaes enviarão
aos juizes de direito da comarca, dentro do de 20 dias, todos os requerimentos
recebidos e respectivos documentos, acompanhados de duas relações,
que organizarão por municipios, parochias e districtos de paz,
sendo collocados os nomes por ordem alphabetica em cada quarteirão.
Em uma destas relações se conterão os nomes dos cidadãos
que houverem exhibido todos os documentos legaes, em devida fórma,
e na outra se mencionarão os nomes daquelles cujos requerimentos
não se acharem completamente instruidos ou forem companhados de
documentos defeituosos, declarando-se as faltas ou defeitos. Em ambas
as relações farão os juizes municipaes as observações
que lher parecerem convenientes para esclarecimento dos juizes de direito.
§ 9º Os juizes de direito, dentro do prazo de 45 dias, contados
do em que tiverem recebido os requerimentos preparados pelos juizes municipaes
e as respectivas relações, julgarão provado ou não
o direito de cada cidadão de ser reconhecido eleitor, por despachos
fundamentados, proferidos nos proprios requerimentos; e, de conformidade
com estes despachos, organizarão o alistamento geral e definitivo
dos eleitores por comarcas, municipios, parochias, districtos de paz e
quarteirões, podendo para esse fim exigir de quaesquer autoridades
ou empregados publicos as informações de que necessitarem.
Nos dez primeiros dias do dito prazo será permitido aos cidadãos
apresentar aos juizes de direito, para serem juntos aos seus requerimentos,
os documentos exigidos pelos juizes municipaes, ou quaesquer outros que
melhor provem o seu direito, quando não tenham podido fazel-o perante
estes em tempo proprio, devendo ser informados pelos respectivos juizes
municipaes os requerimentos que acompanharem esses documentos.
§ 10. No prazo de 20 dias em seguimento do estabelecido no paragrapho
antecedente, os juizes de direito farão extrahir cópias
do alistamento geral da comarca, das quaes remetterão - uma ao
Ministro do Imperio na Côrte, ou nas provincias ao Presidente, e
outra ou outras ao tabellião ou tabelliães a quem competir
fazer o registro do mesmo allistamento. Além destas farão
tambem extrahir cópias parciaes do alistamento, contendo cada uma
o relativo a cada municipio da comarca, as quaes remetterão aos
respectivos juizes municipaes, que as publicarão por edital logo
que as receberem, e as farão registrar pelo tabellião ou
tabelliães do municipio, quando este não fôr da cabeça
da comarca.
Em falta absoluta de tabellião será feito este serviço
pelo escrivão ou escrivães de paz, que o juiz competente
disignar.
§ 11. Si houver mais de um tabellião na cabeça da comarca
ou no municipio, o juiz de direito ou o juiz municipal poderá mandar
fazer o registro por dous ou mais, quando julgar conveniente esta divisão
do trabalho á vista do numero das parochias ou dos districtos de
paz, designando quaes os municipios, parochias ou districtos de paz que
ficarão a cargo de cada um.
§ 12. O registro será feito em livro fornecido pela respectiva
Camara Municipal, aberto e encerrado pelo juiz de direito ou pelo juiz
municipal, os quaes tambem numerarão e rubricarão as folhas
do mesmo livro.
§ 13. O registro ficará concluido no prazo de 40 dias, contados
do em que o respectivo tabellião houver recebido a cópia
do alistamento. Esta cópia será devolvida ao juiz competente
com declaração da data do registro.
O trabalho do registro terá preferencia e qualquer outro.
§ 14. Os limites de eleitor, extrahidos de livros de talões
impressos, serão assignados pelos juizes de direito que tiverem
feito o alistamento.
Estes titulos conterão, além da indicação
da provincia, comarca, municipio, parochia, districto de paz e quarteirão,
o nome, idade, filiação, estado, profissão, domicilio
e renda do eleitor, salvas as excepções do art. 4º,
a circumstancia de saber ou não ler e escrever, e o numero e data
do alistamento.
Os titulos serão extrahidos e remettidos aos juizes municipaes
dentro do prazo de 30 dias, contados do em que se tiver concluido o alistamento
geral.
Quarenta e oito horas depois de terem recebido os titulos, os juizes municipaes
convidarão por edital os eleitores, comprehendidos nos alistamentos
dos respectivos municipios, para os irem receber, dentro de 40 dias, nos
logares que para este fim designarem, desde as 10 horas da manhã
até ás 4 da tarde.
Nas comarcas especiaes a entrega dos titulos será feita pelos juizes
de direito, que tiverem organizado o alistamento.
§ 15. Os titulos serão entregues aos proprios eleitores, ao
quaes os assignarão á margem perante o juiz municipal ou
juiz de direito; e em livro especial passarão recibo com sua assignatura,
sendo admittido a assignar pelo eleitor, que não souber ou não
puder escrever, outro por elle indicado.
§ 16. Os titulos dos eleitores, que os não tiverem procurado
dentro do prazo designado para sua entrega, serão remettidos pelo
juiz competente ao tabellião que houver feito o registro do respectivo
alistamento, o qual os conservará sob sua guarda, afim de entregal-os
quando forem solicitados pelos proprios eleitores, satisfeita por estes
a axigencia do paragrapho antecedente, sendo assignados o titulo e recibo
deste perante o mesmo tabellião.
§ 17. Quando o juiz municipal ou juiz de direito recusar ou demorar
por qualquer motivo a entrega do titulo, poderá o proprio eleitor,
por simples requerimento, recorrer do juiz municipal para o juiz de direito,
e deste para o Ministro do Imperio na Côrte, ou nas provincias para
os Presidentes destas.
Nestes casos o juiz de direito, ou o ministro do Imperio na Côrte
e os Presidentes nas provincias, mandarão por despacho, dentro
de 24 horas, que o juiz recorrido responda, o que este deverá fazer
dentro de igual prazo, contudo da hora em que houver recebido o requerimento,
e que será certificada pelo agente do Correio ou pelo official
de justiça encarregado da entrega.
O recurso será decidido dentro do prazo de 5 dias, contados do
recebimento da resposta do juiz recorrido; ou da data em que deveria ter
sido dada.
No caso de recusa ou demora na entrega do titulo pelo tabellião
que o tiver sob sua guarda, haverá recurso, pelo modo acima estabelecido,
para o juiz de direito, na cabeça da comarca, e fóra desta,
para o respectivo juiz municipal.
§ 18. No caso de perda de titulo poderá o eleitor requerer
ao competente juiz de direito novo titulo, á vista de justificação
daquella perda com citação do promotor publico, e de certidão
do seu alistamento.
O despacho será proferido no prazo de 48 horas; e, si fôr
negativo, haverá recurso para o Ministro do Imperio na Côrte,
ou nas provincias para os Presidentes destas.
No novo titulo e no respectivo talão se fará declaração
da circumstancia de ser segunda via e do motivo pelo qual foi passado.
Do mesmo modo se procederá quando se passar novo titulo, no caso
de verificar-se erro no primeiro.
Art. 7º Para o primeiro alistamento que se fizer, em virtude desta
lei, ficam reduzidos a 4 mezes os prazos de que se trata nos arts. 3º
§ 1º n. II, § 2º ns. I e IV, § 4º e §
5º; art. 4º n. XI; e art. 5º ns. I e II, e § 1º
ns. II e III relativamente ás provas de renda.
Art. 8º No primeiro dia util do mez de Setembro de 1882, e de então
em diante todos os annos em igual dia, se procederá á revisão
do alistamento geral dos eleitores, em todo o Imperio, sómente
para os seguintes fins:
I. De serem eliminados os eleitores que tiverem fallecido ou mudado de
domicilio para fóra da comarca, os fallidos não rehabilitados,
as que estiverem interdictos da administração de seus bens,
e os que, nos termos dos arts. 7º e 8º da Constituição,
houverem perdido os direitos de cidadão brazileiro ou não
estiverem no gozo de seus direitos politicos.
II. De serem incluidos no dito alistamento os cidadãos que requererem
e provarem ter adquirido as qualidades de eleitor de conformidade com
esta lei, e souberem ler e escrever.
§ 1º A prova de haver o cidadão attingido a idade legal
será feita por meio da competente certidão; e a de saber
ler e escrever pela lettra e assibnatura do cidadão que requerer
a sua inclusão no alistamento, uma vez que a lettra e firma estejam
reconhecidas por tabellião no requerimento que para este fim dirigir.
§ 2º Para que se considere o cidadão domiciliado na parochia,
exige-se que nella resida um anno antes da revisão do alistamento
geral dos eleitores, salva a disposição do § 4º.
§ 3º O eleitor eliminado do alistamento de uma comarca, por
ter mudado para outra seu domicilio, será incluido no alistamento
desta, bastando para este fim que perante o juiz de direito da ultima
comarca prove o novo domicillio e exhiba seu titulo de eleitor com a declaração
da mudança, nelle posta pelo juiz de direito respectivo, ou, em
falta deste titulo, certidão da sua eliminação, por
aquelle motivo, do alistamento em que se achava o seu nome.
§ 4º Si a mudança de domicillio fôr para parochia,
districto de paz ou secção comprehendidos na mesma comarca,
o juiz desta, requerendo o eleitor, fará no alistamento as necessarias
declarações.
§ 5º A eliminação do eleitor terá logar
sómente nos seguintes casos: -- de morte, á vista da certidão
de obito; -- de mudança do domicillio para fóra da comarca,
em virtude do requerimento do proprio eleitor ou de informações
da competente autoridade, precedendo annuncio por edital affixado com
andecedencia de 30 dias em logar publico da séde da comarca e na
parochia, districto de paz ou secção de sua residencia,
ou de certidão authentica de estar o eleitor alistado em outra
parochia de comarca diversa, onde tenha estabelecido novo domicilio, sendo
apresentada esta certidão por meio de requerimento assignado por
pessoa competente nos termos do § 7º; -- e no de perda dos direitos
de cidadão brazileiro ou suspensão do exercicio dos direitos
políticos, de fallencia ou interdicção da gerencia
de seus bens, á vista das provas exigidas no § 22 do art.
1º do Decreto Legislativo n. 2675 de 20 de Outubro de 1875.
§ 6º Nos trabalhos das revisões dos alistamentos serão
observadas as disposições desta lei relativas ao processo
estabelecido para o primeiro alistamento geral, reduzidos porém
a 10 dias os prazos dos §§ 7º e 8º, a 30 o do §
9º, a 10 o do § 10, e a 30 os dos §§ 13 e 14, todos
do art. 6º.
§ 7º A eliminação do eleitor, em qualquer dos
casos do n. I deste artigo, será requerida pelo promotor publicoou
pelo seu adjunto, ou por tres eleitores da respectiva parochia, por meio
de petição documentada nos termos do § 3º.
Os documentos serão fornecidos gratuitamente pela repartiçaõ
ou pelo funccionario publico competente.
§ 8º As eliminações, inclusões e alterações
que se fizerem nos alistamentos, quando se proceder a sua com a declaração
dos motivos, por editaes affixados nas portas das matrizes e capellas,
ou em outros logares publicos.
§ 9º Concluidos os trabalhos das revisões e extrahidas
as necessarias cópias, o juiz de direito passará os titulos
de eleitor que competirem aos novos alistados seguindo-se para sua expedição
e entrega as disposições dos §§ 14 a 16 do art.
6º desta lei.
§ 10. No caso de dissolução da Camara dos Deputados,
servirá para a eleição o alistamento ultimamente
revisto não se procedendo á nova revisão entre a
dissolução e a eleição que se fizer em consequencia
della.
Art. 9º As decisões dos juizes de direito sobre a inclusão
dos cidadãos no alistamento dos eleitores, ou a sua exclusão
deste, serão definitivas.
Dellas, porém, terão recurso para a Relação
do districto, sem effeito suspensivo: 1º os cidadãos não
incluidos e os excluidos, requerendo cada um de per si; 2º qualquer
eleitor da comarca, no caso de inclusão endevida de outro, referindo-se
cada recurso a um só individuo.
Estes recursos serão interpostos no prazo de 30 dias, quanto ás
inclusões ou não inclusões, e em todo tempo, quanto
ás exclusões.
§ 1º Interpondo estes recursos, os recorrentes allegarão
as razões e juntarão os documentos que entenderem ser a
bem de seu direito.
No prazo de 10 dias, contados do recebimento dos recursos, os juizes de
direito reformarão ou confirmarão as suas decisões;
e, no ultimo caso, o recorrente fará seguir p processo para a Relação,
sem acrescentar razões nem juntar novos documentos.
§ 2º Os recursos interpostos para a Relação de
decisões proferidas sobre alistamento de eleitores serão
julgados, no prazo de 30 dias, por todos os seus membros presentes.
§ 3º Não é admissivel suspeição
de juizes no julgamento dos recursos, salvos sómente os casos do
art. 61 do Codigo do Processo Criminal; nem se enterromperão os
prazos por motivo de férias judiciaes.
§ 4º Serão observadas as disposições do
Decreto Legislativo n. 2675 de 20 de Outubro de 1875 e das respectivas
Instrucções de 12 de Janeiro de 1876, sobre os recursos,
na parte não alterada por esta lei.
Dos elegiveis
Art. 10. E' elegivel para os cargos de Senador, Deputado á Assembleia
Geral, membro de Assembléia Legislativa Provincial, vereador e
juiz de paz todo cidadão que fôr eleitor nos termos do art.
2º desta lei, não se achando pronunciado em processo criminal,
e salvas as disposições especiaes que se seguem:
§ 1º Requer-se:
Para Senador: -- a idade de 40 annos para cima e a renda annual de 1:600$
por bens de raiz, industria, commercio ou emprego;
Para Deputado á Assembléia Geral: -- a renda annual de 800$
por bens de raiz, industria, commercio ou emprego;
Para membro de Assembléia Legislativa Provencial: -- o domicilio
na provincia por mais de dous annis;
Para vereador e juiz de paz: -- o domicilio no municipio e districto por
mais de dous annos.
§ 2º Os cidadãos naturalizados não são,
porém, elegiveis para o cargo de Deputado á Assembléa
Geral sem terem seis annos de residencia no Imperio, depois da naturalização.
Da incompatibilidades
Art.11 Não podem ser votados para Senador, Deputado á Assembléia
Geral ou membro de Assembléa Legislativa Provincial:
I. Em todo o Imperio:
Os directores geraes do Thesouro Nacional e os directores das Secretarias
de Estado.
II. Na Côrte e nas provincias em que exerceram autoridade ou jurisdicção:
Os Presidentes de provincia;
Os Bispos em suas dioceses;
Os commandantes de armas;
Os generaes em chefe de terra e mar;
Os chefes de estações navaes;
Os capitães de porto;
Os inspectores ou directores de Arsenaes;
Os inspectores de corpos do exercito;
Os commandantes de corpos militares e de policia;
Os secretarios de Governo Provincial e os secretarios de Polícia
da Côrte e Provincias;
Os inspectores Thesourarias de Fazenda geraes ou provinciaes, e os chefes
de outras repartições de arrecadação;
Os inspectores ou directores de instrucção publica, e os
lentes e derectores de faculdade ou outros estabelecimentos de instrucção
superior;
Os inspectores das Alfandegas;
Os desembargadores;
Os juizes de direito;
Os juizes municipaes, de orphãos e os juizes substitutos;
Os chefes de Policia;
Os promotores publicos;
Os curadores geraes de orphãos;
Os desembargadores de relações ecclesiasticas;
Os vigarios capitulares;
Os governadores de bispado;
Os vigarios geraes, provisores e vigarios foraneos;
Os procuradores fiscaes, e os dos Feitos da Fazenda e seus ajudantes.
III. Nos districtos em que exercerem autoridade ou jurisdicção:
Os delegados e subdelegados de Polícia.
§ 1º A incompatibilidade eleitoral prevalece:
I. Para os referidos funccionarios e seus substitutos legaes, que tiverem
estado no exercicio dos respectivos empregos dentro de seis mezes anteriores
á eleição.
II. Para os substitutos que exercerem os empregos dentro dos seis mezes,
bem como para os que precederem na ordem da substituição
e deviam ou podiam assumir o exercicio.
III. Para os funccionarios effectivos, para os substitutos dos juizes
de direito, nas comarcas especiaes, e para os supplentes dos juizes municipaes,
desde a data da aceitação do emprego ou funcção
publica até seis mezes depois de o terem deixado, em virtude de
remoção, accesso, renuncia ou demissão.
§ 2º Tambem não poderão ser votados para Senador,
Deputado á Assembléa Geral ou membro da Assembléa
Legislativa Provincial: -- os directores de estradas de ferro pertencentes
ao Estado, os directores e engenheiros chefes de obras publicas, emprezarios,
contratadores e seus propostos, arrematantes ou interessados em arrematação
de taxas ou rendimentos de qualquer natureza, obras ou fornecimentos publicos,
ou em companhias que recebam subvenção, garantia ou fiança
de juros ou qualquer auxilio, do qual possam auferir lucro pecuniario
da Fazenda geral, provincial ou das Municipalidades, naquellas provincias
onde exercerem os ditos cargos, ou os respectivos contratos e arrematações
tenham execução e durante o tempo delles.
A palavra "interessados" não comprehende os accionistas.
Art. 12. O funccionario publico de qualquer classe que perceber pelos
cofres geraes, provinciaes ou municipaes, vencimentos ou porcentagens
ou tiver direito a custas por acctos de officios de justiça, si
aceitar o logar de Deputado á Assembléia Geral ou de membro
de Assembléia Legislativa Provincial, não poderá,
durante todo o período da legislatura, exercer o emprego ou cargo
publico remunerado que tiver, nem perceber vencimentos ou outras vantagens,
que delle provenham, nem contar antiguidade para aposentação
ou jubilação, nem obter remoção ou accesso
em sua carreira, salvo o que lhe competir por antiguidade.
§ 1º. Os juizes de direito ficarão avulsos durante o
periodo da lagislatura, e finda esta voltarão para as comarcas
em que se achavam, si estiverem vagas, ou irão servir em comarcas
equivalentes que o Governo lhes designará.
§ 2º. A aceitação do logar de Deputado ou de
membro de Assembléa Legislativa Provincial importará para
os juizes substitutos nas comarcas especiaes, e para os juizes municipaes
e de orphãos a renuncia destes cargos.
§ 3º. O funccionario publico comprehendido na disposição
deste artigo, que aceitar o logar de Senador, será aposentado ou
jubilado com o vencimento correspondente ao tempo de exercicio que tiver
na fórma da lei.
§ 4º. Das disposições deste artigo axceptuam-se:
I. Os Ministros e Secretarios de Estado;
II. Os Conselheiros de Estado;
III. Os Bispos;
IV. Os embaixadores e os enviados extraordinarios em missão especial;
V. Os Presidentes de provincia;
VI. Os officiaes militares de terra ou mar, quanto á antiguidade,
e, nos intervallos das sessões, quanto ao soldo.
Atr. 13. Os Ministros e Secretarios de Estado não poderão
ser votados para Senador enquanto exercerem o cargo e até seis
mezes depois, salvo na provincia de seu nascimento ou domicilio.
Art. 14. Não poderão os Senadores e, durante a legislatura
e seis mezes depois, os Deputados á Assembléia Geral, salva
a disposição do art. 34 da Constituição, nem
os membros das Assembléas Legislativas Provinciaes, aceitar do
Governo geral ou provincial commissões ou empregos remuerados,
excepto os de Conselheiro de Estado, Presidente de provincia, embaixador
ou enviado extraordinario em missão especial, Bispo e commandante
de forças de terra ou mar.
Não se Comprehendem nesta disposição as nomeações
por accesso de antiguidade para emprego civil ou post militar de terra
ou mar.
Não poderão tambem os Senadores, os Deputados á Assembléa
Geral e os membros das Assembléas Legislativas Provinciaes obter
a concessão, acquisição ou gozo de privilegios, contratos,
arrematações de rendas, obras e fornecimentos publicos,
embora a titulo de simplices interessados.
Esta disposição não comprehende os privilegios de
invenção.
Da eleição em geral
Art. 15. As eleições de Senadores, Deputados á Assembléa
Geral, membros das Assembléas Legislativas Provinciaes, vereadores
e juizes de paz continuarão a fazer-se nos dias e pelo modo determinados
na legislação vigente, com as alterações seguintes:
§ 1º. A eleição começará e terminará
no mesmo dia.
§ 2º. São dispensadas as ceremonias religiosas e a leitura
das leis e regulamentos, que deviam preceder aos trabalhos eleitoraes.
§ 3º. Fica prohibida a presença ou intervenção
de força publica durante o processo eleitoral.
§ 4º. O logar, onde dever funccionar a mesa da assembléa
eleitoral, será separado, por uma divisão, do recinto destinado
á reunião da mesma assembléa, de modo que não
se impossibilite aos eleitores a inspecção e fiscalisação
dos trabalhos.
Dentro daquelle espaço só poderão entrar os eleitores
á medida que forem chamdos para votar.
§ 5º. Compete ao presidente da mesa regular a policia da assembléa
eleitoral, chamando á ordem os que della se desviarem, fazendo
sahir os que não forem eleitores ou injuriarem os mebros da mesa
ou a qualquer eleitor, mandando lavrar neste caso auto de desobediencia
e remettendo-o á autoridade competente.
No caso, porém, de offensa physica contra qualquer dos mesarios
ou eleitores, o presidente poderá prender o offensor, remettendo-o
ao juiz competente para ulterior procedimento.
§ 6º. As eleições se farão por parochias,
ou, nas que contiverem numero de eleitores superior a 250, por districtos
de paz, ou, finalmente, por secções de parochia ou de districto,
quando a parochia, formando um só districto de paz ou o districto,
contiver numero de eleitores excedente ao designado. Cada secção
deverá conter 100 eleitores, pelo menos.
O Governo, na Côrte, e os Presidentes, nas provincias, designarão
com a precisa antecedencia os edificios em que deverão fazer-se
as eleições. Só em falta absoluta de outros edificios
poderão ser designados para esse fim os templos religiosos.
§ 7º. Em cada parochia, districto de paz ou secção,
se organizará uma mesa para o recebimento, apuração
dos votos e mais trabalhos da eleição.
Esta mesa se comporá:
I. Nas parochias ou districtos de paz: do juiz de paz mais votado da
séde da parochia ou districto de paz, como presidente os termos
dos arts. 2º. E 3º. Da lei n. 387 de 19 de Agosto de 1846, e
de quatro membros, que serão: os dous juizes de paz que áquelle
se seguirem em votos, e os dous cidadãos immediatos em votos so
4º. juiz de paz.
Em caso de ausencia, falta ou impossibilidade do juiz de paz mais votado,
exercerá as funcções de presidente da mesa o que
se lhe seguir em votos até o 4º.
Quando por ausencia, falta ou impossibilidade não comparecer o
2º., ou 3º. juiz de paz, que devem ser membros da mesa, será
convidado o 4º.; e si destes tres juizes de paz só comparecer
um ou nenhum se apresentar, o presidente da mesa convidará, para
supprir as faltas, um ou dous eleitores d'entre os presentes.
Si deixarem de comparecer os dous cidadãos immediatos em votos
aos juizes de paz, que devem tambem compor a mesa, ou algum delles, serão
convocados um ou dous que áquelles se seguirem em votos, até
o 4º., sendo a falta destes ultimos preenchida por eleitores d'entre
os presentes, designados, no caso de faltarem ambos, pelo presidente,
e no caso de comparecer um, pelo immediato que tiver comparecido.
Esta mesa será constituida na vespera do dia designado para a
eleição, dia que tambem se reunirá a de que trata
o numero seguinte, lavrando o escrivão de paz, em acto continuo,
no livro que tier de servir para a eleição, a acta especial
de sua formação ou installação, a qual será
assignada pelo presidente e demais membros da mesa constituida.
II. Nas secções da parochia que contiver um só districto
de paz ou nas dos districtos de paz: -- de um presidente e de quatro membros,
os quaes serão nomeados: o presidente e dous destes membros pelos
juizes de paz da séde da parochia ou do districto; e os outros
dous pelos immediatos dos mesmos juizes de paz.
Estas nomeações serão feitas d'entre os eleitores
da secção respectiva tres dias antes do marcado para a eleição,
no edificio designado para a da parochia ou districto, havendo convocações
dos referidos juizes e de seus quatro imediatos com a antecedencia de
15 dias.
Basta o comparecimento de um dos juizes de paz e de um dos immediatos
convocados para se proceder á mesma nomeação.
Concluindo este acto, o escrivão de paz lavrará, no livro
que tiver de servir para a eleição na respectiva secção,
a acta especial da nomeação da mesa.
Esta acta será assignada pelos juizes de paz e seus immediatos,
que houverem comparecido.
§ 8º. Quanto, no caso do § 6º., se dividir em secções
alguma parochia ou districto, a mesa da secção onde estiver
a séde da parochia será organizada pelo modo estabelecido
no § 7º n. I.
Quando o districto dividido não fôr o da séde da parochia,
será tambem organizada do mesmo modo a mesa naquellas das secções
do districto que contiver maior numero de eleitores.
Será applicavel sómente ás demais secções
a regra estabelecida no n. II do § 7º.
§ 9º. Os juizes de paz deverão concorrer para formar
as mesas eleitoraes, quer estejam ou não em exercicio, estejam
embora suspensos por acto do Governo, ou por pronuncia em crime de responsabilidade.
Esta disposição é extensiva aos quatro immediatos
aos mesmos juizes, na parte que lhes fôr applicavel.
§ 10º. Os presidentes e mais membros, que têm de compor
as mesas eleitoraes, são obrigados a participar por escripto, até
2 horas da tarde da vespera do dia da eleição, o impedimento
que tiverem, sob a pena do art. 29 § 14.
Só poderão ser substituidos depois de recebida esta participação,
ou depois das 2 horas da tarde, no caso de não ser ella feita.
§ 11. O presidente ou membros das mesas eleitorais, em caso de falta
ou impedimento durante os trabalhos da eleição, serão
substituidos pelo modo seguinte:
Nas mesas eleitorais de parochia, districto ou secção organizadas
pela fórma estabelecida no n. I do § 7º. : -- 1º
o presidente, pelo juiz de paz que se lhe seguir em votos, ainda que seja
membro da mesa e, no caso de não haver juiz de paz desimpedido,
pelo eleitor que os membros presentes nomearem, decidindo a sorte em caso
de empate; 2º os membros da mesa pelo modo determinado na 2ª
e na 3ª parte do n. I citado.
Nas mesas das secções de que trata a parte final do §
8º : -- 1º o presidente, pelo eleitor que os membros presentes
nomearem, decidindo a sorte em caso de empate; 2º qualquer dos dous
membros que os juizes de paz houverem nomeado, pelo eleitor ou eleitores
que o presidente convidar; 3º qualquer dos dous membros que os immediatos
dos juizes de paz tiverem nomeado, pelo eleitor que o outro membro presente
designar, e, faltando ambos os ditos membros, pelos eleitores que o presidente
convidar.
§ 12. Não será válida qualquer eleição
feita peranto mesa que não fôr organizada pela fórma
estabelecida nos paragraphos anteriores.
§ 13. Quando na vespera, ou, não sendo possivel, no dia da
eleição até á hora marcada para o começo
dos trabalhos, não se puder installar a mesa eleitoral, não
haverá eleição na parochia, districto ou secção.
§ 14. Deixará tambem de haver eleição na parochia,
districto ou secção onde por qualquer outro motivo não
puder ser feita no dia proprio.
§ 15. No dia e no edificio designados para eleição
começarão os trabalhos desta ás 9 horas da manhã.
Reunida a mesa, que deve ser installada na vespera, se procederá
ao recebimento das cedulas dos eleitores pelo modo estabelecido para a
eleição primaria na legislação vigente.
§ 16. Cada candidato á eleição de que se tratar,
até o numero de tres, poderá apresentar um eleitor para
o fim de fiscalisar os trabalhos em casa uma das assembléas eleitoraes
do districto. Na ausencia do candidato, a apresentação poderá
ser feita por qualquer eleitor.
Havendo, porém, mais de tres candidatos, terão preferencia
os fiscaes daquelles que apresentarem maior numero de assignaturas de
eleitores, declarando que adoptam a sua candidatura.
A apresentação destes fiscaes será feita por escripto
aos presidentes das mesas eleitoraes, quando estas se installarem.
Os fiscaes terão assento nas mesas eleitoraes e assignarão
as actas com os respectivos membros, mas não terão voto
deliberativo nas questões que se suscitarem acerca do processo
da eleição.
O não compareceimento dos fiscaes ou a sua recusa de assignatura
nas actas não trará nterrupção dos trabalhos,
nem os annullará.
§ 17. Haverá uma só chamada dos eleitores.
Si depois de findar esta chamada, mas antes da abertura da urna que contiver
as cedulas, algum eleitor que, não tendo acudido á mesma
chamada, requerer ser admitido a votar, será recebida a sua cedula.
§ 18. Nenhum eleitor será admitido a votar sem apresentar
o seu titulo, nem poderá ser recusado o voto do que exhibir o dito
titulo, não competindo á mesa entrar no conhecimento da
identidade de pessoa do eleitor em qualquer destes casos.
Si, porém, a mesa reconhecer que é falso o titulo apresentado
ou que pertence a eleitor, cuja ausencia ou fallecimento seja notorio,
ou si houver reclamação de outro eleitor que declare pertencer-lhe
o titulo, apresentando certidão de seu alistamento passada pelo
competente tabelião, a mesa tomará em separado o voto do
portador do titulo, e assim tambem o do reclamante, si exhibir novo titulo
expedido nos termos do art. 6º § 18 desta lei, afim de ser examinada
a questão em Juizo competente, á vista do titulo impugnado
ou sobre que haja duvida, titulo que ficará em poder da mesa para
ser remettido ao mesmo Juizo para os devidos effeitos, com quaesquer outros
documentos que forem apresentados.
§ 19. O voto será escripto em papel branco ou anilado, não
devendo ser transparente, nem ter marca, signal ou numeração.
A cedula será fechada de todos os lados, tendo rotulo conforme
a eleição a que se proceder.´
As cedulas que contiverem signaes exteriores ou interiores, ou forem escriptas
em papel de outras côres ou transparente, serão apuradas
e separado e remettidas ao poder verificador competente com as respectivas
actas.
Depois de lançar na urna sua cedula, o eleitor assignará
o seu nome em um livro para esse fim destinado e fornecido pela Camara
Municipal, o qual será aberto e encerrado pelo respectivo presidente
ou pelo vereador por elle designado, que tambem numerará e rubricará
todas as folhas do memso livro.
Quando o eleitor não souber ou não puder assignar o seu
nome, assignará em seu logar outro por elle indicado, e convidado
para este fim pelo presidente da mesa.
Finda a votação e em seguida á assignatura do ultimo
eleitor, a mesa lavrará e assignará um termo, no qual se
declare o numero dos eleitores inscriptos no dito livro.
O mesmo livro será remettido á camara municipal com os demais
livros concernentes á eleição.
§ 20. Concluida a apuração dos votos, que se fará
pelo modo estabelecido na legislação vigente, será
lavrada e assignada pela mesa, e pelos eleitores que quizerem, a acta
da eleição, na qual serão mencionados os nomes dos
eleitores que não tiverem comparecido, os quaes por essa falta
não incorrerão na pena de multa.
A mesma acta será transcripta no livro de notas do tabellião
ou escrivão de paz, e assignada pela mesa e pelos eleitores que
quizerem.
§ 21. E' permitido a qualquer eleitor da parochia, districto ou secção
apresentar por escripto e com sua assignatura protesto relativo a actos
do processo eleitoral, devendo este protesto, rubricado pela mesa e com
o contra-protesto desta, si julgar conveniente fazel-o, ser appensado
á cópia da acta que, segundo a disposição
do paragrapho seguinte, fôr remettida ao Presidente do Senado, da
Camara dos Deputados, da Assembléa Legislativa Provincial, ou á
Camara Municipal.
Na acta se mencionará simplesmente a apresentação
do protesto.
§ 22. A mesa fará extrahir tres cópias da referida
acta e das assignaturas dos eleitores no livro de que trata o § 19,
sendo as ditas cópias assignadas por ella e concertadas por tabellião
ou escrivão de paz.
Destas cópias serão enviadas - uma ao Ministerio do Imperio
na Côrte, ou ao Presidente nas provincias; outra ao presidente do
Senado, da Camara dos Deputados ou Assembléa Legislativa Provincial,
conforme a eleição a que se proeder; e a terceira ao juiz
de direito de que trata o art. 18, si a eleição fôr
de Deputado á Assembléa Geral ou de membro de Assembléa
Legislativa Provincial.
Na eleição de vereadores, a ultima das ditas cópias
será enviada á Camara Municipal respectiva.
Quando a eleição fôr para Senador, será esta
ultima cópia enviada á Camara Municipal da Côrte,
si a eleição a ella pertencer e á Provincia do Rio
de Janeiro, e ás Camaras das capitaes das outras provincias, si
a eleição a estas pertencer.
Acompanharão as referidas cópias as das actas da formação
das respectivas mesas eleitoraes.
Da eleição de Senadores
Art.16. A eleição de Senador continúa a ser feita
por provincia, mas sempre em lista triplice, ainda quando tenham de ser
preenchidos dous ou mais logares: nesta hypothese proceder-se-ha á
segunda eleição logo depois da escolha de Senador em virtude
da primeira, e assim por diante.
I. O Governo, na Côrte e Provincia do Rio de Janeiro, e os Presidentes
nas outras provincias designarão dia para a eleição
devendo proceder-se a esta dentro do prazo de tres mezes.
Este prazo será contado:
No caso de morte do Senador, do dia em que na Côrte o Governo, e
nas provincias o Presidente, tiverem conhecimento certo da vaga, ou em
que receberem communicação desta, feita ao Governo pelo
Presidente do Senado, ou ao Presidente da rsepectiva provincia pelo Governo
ou pelo Presidente do Senado. Estas communicações serão
dirigidas pelo Correio sob registro.
No caso de augmento do numero de Senadores, do dia da publicação
da respectiva lei na Côrte ou na província a que se referir.
II. Cada eleitor votará em tres nomes, constituindo a lista triplice
os tres cidadãos que maior numero de votos obtiverem.
§ 1º A apuração geral das authenticas das assembléas
eleitoraes e a formação da lista triplice serão feitas
pela Camara Municipal da Côrte, quanto ás eleições
desta e da Provincia do Rio de Janeiro, e pelas Camaras das capitaes das
outras provincias, quanto ás eleições destas.
A estes actos se procederá dentro do prazo de 60 dias, contados
do em que se houver feito a eleição.
I. Devem intervir nos referidos actos ainda os vereadores que se não
acharem em exercicio ou estiverem suspensos por acto do Governo, ou por
pronuncia em crime de responsabilidade.
II. Na apuração a Camara Municipal se limitará a
sommar os votos mencionados nas differentes authenticas, attendendo sómente
ás das eleições feitas perante mesas organizadas
pela fórma determinada nos §§ 7º a 11 do art.15.
III. Finda a dita apuração, se lavrará uma acta,
na qual se mencionarão os nomes dos cidadãos e o numero
de votos que obtiveram para o Senador, desde o maximo até o mínimo;
as accurencias que se derem durante os trabalhos da apuração;
e as representações que, por escripto e assignadas por qualquer
cidadão elegível, sejam presentes á Camara Municipal,
relativas á mesma apuaração.
IV. Desta acta, depois de devidamente assignada, a Camara Municipal remetterá
- uma cópia authentica ao ministro e Secretario de Estado dos Negocios
do Imperio, acompanhando a lista triplice, assignada pela mesma Camara,
para ser presente ao Poder Moderador; -- outra cópia da mesma acta
ao Presidente do Senado; -- e outra ao Presidente da respectiva provincia.
§ 2º. Na verificação dos poderes a que proceder
o Senado, nos termos do art. 21 da Constituição, si resultar
a exclusão da lista triplice do Senador nomeado, far-se-há
nova eleição em toda a provincia: no caso da exclusão
recahir em qualquer dos outros dous cidadãos contemplados na lilsta
triplice, será organizada pelo Senado nova lista e sujeita ao Poder
Moderador.
I. Si o Senado reconhecer que algum ou alguns dos tres cidadãos
incluidos na lista triplice se acham comprehendidos em qualquer das incompatibilidades
especificadas no art.11, serão declarados nullos os votos que lhes
tiverem sido dados: e o cidadão ou cidadãos que se seguirem
completarão a lista triplice.
II. Proceder-se-há tambem á nova eleição em
toda a provincia, quando antes da escolha do Senador, fallecer algum dos
três cidadãos que compuzerem a lista triplice.
O mesmo se observará no caso de morte do Senador nomeado, cujos
poderes não tenham sido ainda verificados ou quando algum dos cidadãos
incluidos na lista triplice careça de qualquer das condições
de elegibilidade exigidas nos ns. I, II e IV do art. 45 da Constituição.
Da eleição de Deputados á Assembléa Geral
e membros das Assembléas Legislativas Provinciaes.
Art. 17. As provincias serão divididas em tantos districtos eleitoraes
quantos forem os seus Deputados á Assembléa Geral, attendendo-se
quanto possivel á igualdade de população entre os
districtos de cada provincia e respeitando-se a contiguidade do territorio
e a integridade do municipio.
§ 1º. O Governo organizará e submetterá á
approvação do Poder Legislativo e divisão dos ditos
districtos sobre as seguintes dases:
I. O municipio da Côrte compreenderá tres districtos eleitoraes
e os das capitaes da Bahia e Pernambuco dous districtos, cada um.
II. Os districtos eleitoraes de cada provincia serão designados
por numeros ordinaes, computada a população segundo a base
do art. 2º do Decreto Legislativo n. 2675 de 20 de utubro de 1875.
III. Para cabeça de cada districto eleitoral será designado
o logar mais central e importante delle.
IV. Na divisão dos districtos eleitoraes só serão
contempladas as parochias e municipios creados até 31 de Dezembro
de 1879.
Para todos os effeitos eleitoraes até ao novo arrolamento da população
geral do Imperio subsistirão inalteraveis as circumscripções
parochiaes e municipaes contempladas na divisão dos districtos
eleitoraes feita em virtude desta lei, não obstante qualquer alteração
resultante de creação, extincção ou subdivisão
de parochias e municipios.
§ 2º. A divisão dos districtos eleitoraes, feita de conformidade
com o paragrapho precedente, será posta provisóriamente
em execução até a definitiva approvação
do Poder Legislativo, não podendo o Governo alteral-a depois de
sua publicação.
§ 3º. Cada districto elegerá um Deputado á Assembléa
Geral e o numero de membros da Assembléa Legislativa Provincial
marcado no art. 1º § 16 do Decreto Legislativo n. 842 de 19
de Setembro de 1855.
Quanto ás Provincias de Santa Catharina, Paraná, Espirito
Santo e Amazonas, que têm de ser divididas em dous districtos, elegerá
cada uma dellas 22 membros, cabendo 11 por districto.
Art. 18. O juiz de direito que exercer jurisdição na cidade
ou villa designada pelo Governo para cabeça do districto eleitoral,
ou, em caso de falta, o seu substituto formado em direito, ou finalmente,
na falta deste ultimo, o juiz de direito da comarca mais vizinha comporá
com os presidentes da mesas eleitoraes uma junta por elle presidida, a
qual fará a apuração geral dos votos das diversas
eleições do mesmo districto para Deputado á Assembléa
Geral ou membros das Assembléas Legislativas Provinciaes.
A esta apuração se procederá pelas authenticas das
actas daquellas eleições, dentro do prazo de 20 dias, contados
do em que ellas se tiverem feito, precedendo annuncio, por editaes e aviso
aos ditos presidentes com declaração do dia, hora e logar
da reunião.
Para que a junta apuradora possa funccionar é necessaria a presença,
pelo menos, de quatro presidentes de assembléas eleitoraes. Na
falta destes, serão chamados pela ordem de sua votação
os juizes de paz da parochia ou do districto, onde funccionar a junta.
Si ainda não comparecerem, recorrer-se-há aos juizes de
paz da parochia ou do districto mais vizinho.
Na apuração a junta se limitará a sommar os votos
mencionados nas differentes authenticas, attendendo sómente ás
das eleições feitas perante mesas organizadas pela fórma
determinada nos §§ 7º a 11 do art. 15, procedendo no mais
como dispõe a legislação vigente. Os eleitores presentes,
que quizerem, assignarão a acta da apuração.
§ 1º. Na cidade, onde houver mais de um juiz de direito, será
presidente da junta apuradora o mais antigo, tendo preferencia o de mais
idade quando fôr igual a antiguidade; e, segundo a mesma regra,
serão substituidos uns pelos outros no caso de falta ou impedimento.
No municipio em que, nos termos do § 1º n. I do artigo antecedente,
houver dous ou mais districtos eleitoraes, seguir-se-ha para a presidencia
de cada junta apuradora a regra acima estabelecida, correspondendo a antiguidade
do juiz de direito ao numero dos districtos eleitoraes, de modo que o
mais antigo sirva no 1º, o immediato no 2º e assim por diante.
§ 2º Não se considerará eleito Deputado á
Assembléa Geral o cidadão que não reunir a maioria
dos votos dos eleitores, que concorrerem á eleição.
Neste caso o presidente da junta expedirá os necessarios avisos
para se proceder á nova eleição vinte dias depois
da apuração geral.
Na segunda eleição, para a qual servirão nas assembléas
eleitoraes as mesmas mesas da primeira, só poderão ser votados
os dous cidadãos que nesta tiverem obtido maior numero de votos,
sendo sufficiente para eleger o Deputado a maioria dos votos, que forem
apurados.
§ 3º Na eleição dos mesmos das Assembléas
Legislativas Provinciaes cada eleitor votará em um só nome.
Serão considerados eleitos os cidadãos que reunirem votação
igual, pelo menos, ao quociente eleitoral, calculado sobre o numero total
dos eleitores que concorrerem á eleição. Si algum
ou alguns dos cidadãos não reunirem aquella votação,
proceder-se-ha, quanto aos logares não preenchidos, á nova
eleição pela fórma disposta no paragrapho antecedente,
observando-se tambem, quanto ao numero dos nomes sobre os quaes deva recahir
a nova votação, a regra estabelecida no mesmo paragrapho.
Art. 19. Concluida definitivamente a eleição e transcripta
no livro de notas de um dos talliães do logar a acta da apuração
geral dos votos, a junta apuradora expedirá diploma aos eleitos
- Deputados à Assembléa Geral ou membros da Assembléa
Legislativa Provincial, remettendo as cópias authenticadas da acta
da apuração dos votos ao Ministro do Imperio, na Côrte,
ao Presidente, nas provincias, e á Camara dos Deputados ou á
Assembléa Legislativa Provincial, conforme fôr a eleição,
ficando revogado o art.90 da Lei . 387 de 19 de Agosto de 1846.
Art. 20. No caso de reconhecer a Camara dos Deputados ou a Assembléa
Legislativa Provincial que um ou mais dos eleitos estão comprehendidos
em qualquer das incompatibilidaes especificadas no art. 11. serão
declarados nullos os votos que lhes tiverem sido dados, e proceder-se-ha
á nova eleição, na qual não poderão
ser votados o cidadão ou cidadãos, cuja eleição
tiver sido por esse motivo annulada.
Proceder-se-ha tambem á nova eleição, si da annulação
de votos pela Camara ou Assembléa resultar a exclusão de
alguns dos que tiverem obtido o respectivo diploma.
Art. 21. No caso de vaga de Deputado á Assembléa Geral ou
de membro de Assembléa Legislativa Provincial, que ocorrer durante
a legislatura, proceder-se-ha á nova eleição para
o preenchimento do logar, dentro do prazo de tres mezes, contados do dia
em que, na Côrte o Governo e nas provincias o Presidente, tiverem
conhecimento certo da vaga, ou em que receberem communicação
desta, feita pelo Presidente da Camara dos Deputados, no primeiro caso,
ou pelo Presidente da Assembléa Legislativa Provincial, no segundo.
Estas communicações serão dirigidas pelo Correio
sob registro.
Da eleição de vereadores e juizes de paz
Art. 22. Na eleição de vereadores cada eleitor votará
em um só nome.
As Camaras Municipaes continuarão a fazer a apuração
geral dos votos do município, reunirem votação igual,
pelo menos, ao quociente eleitoral, calculado sobre o numero total dos
eleitores que concorrerem á eleição. Si algum ou
alguns dos cidadãos não reunirem aquella votação,
proceder-se-ha á nova eleição pelo modo determinado
no § 3º do art. 18.
No processo desta eleição e em todos os seus termos serão
observadas as disposições da legislação vigente,
com as alterações feitas nesta lei.
§ 1º Quando se tiver deixado de proceder á eleição
em parochias, districtos de paz ou secções, cujo numero
de eleitores exceder á metade dos de todo o municipio, ou quando
nas eleições annulladas houver concorrido maior numero de
eleitores do que nas julgadas váldas, ficarão sem effeito
as das outras parochias, districtos de paz e secções, e
se procederá á nova eleição geral geral no
municipio.
Em nenhum outro caso se fará nova eleição geral.
§ 2º Na Côrte, nas capitaes das provincias e nas demais
cidades os vereadores só poderão ser reeleitos quatro annos
depois de findar o quatriennio em que servirem.
§ 3º No caso de morte, escusa ou mudança de domicillio
de algum vereador proceder-se-ha á eleição para preenchimento
da vaga.
§ 4º Quando, em razão de vagas ou de faltas de comparecimento,
não puderem reunir-se vereadores em numero necessario para celebrarem-se
as sessões, serão chamados para perfazerem a maioria dos
membros da Camara os precisos immediatos em votos aos vereadores. Si,
no caso da ultima parte do § 3º do art. 18, se houver procedido
a duas eleições para vereadores, aquelles immediatos serão
os da primeira eleição.
Só poderão ser chamados, em taes casos, os immediatos em
votos aos vereadores igual ao dos vereadores de que a Camara se compuzer.
§ 5º As Camaras Municipaes continuarão a compor-se do
mesmo numero de vereadores marcado na legislação vigente,
com excepção das seguintes que terão: a do municipio
da Côrte 21 membros; as das capitaes das Provincias da Bahia e Pernambuco
17; as capitaes das do Pará, Maranhão, Ceará, Rio
de Janeiro, Minas Geraes, S. Paulo e S. Pedro do Rio Grande do Sul 13;
e as capitaes das demais provincias 11.
Cada uma das mesmas Camaras terá um presidente e um vice-presidente,
os quaes serão eleitos annualmente, na 1ª sessão, pelos
vereadores d'entre si.
§ 6º As Camaras não poderão junccionar sem a presença
da maioria de seus membros.
Ao vereador que faltar á sessão, sem motivo justificado,
será imposta a multa de 10$ nas cidades e de 5$ nas villas.
Art. 23. A eleição dos juizes de paz continuará a
fazer-se pelo modo determinado na legislação vigente, com
as alterações feitas nesta lei.
A apuração dos votos será feita pela Camara Municipal
respectiva, quando a parochia ou o districto de paz estiver dividido em
secções.
Art. 24. As funcções de vereador e de juiz de paz são
incompativeis com as de empregos publicos retribuidos; e não podem
ser accumuladas com as de Senador, Deputado á Assembléa
Geral e membro de Assembléa Legislativa Provincial, durante as
respectivas sessões.
Art. 25. Feita a primeira eleição de Deputados á
Assembléa Geral pelo modo estabelecido nesta lei, proceder-se-ha
tambem á eleição das Camaras Municipaes e dos juizes
de paz em todo o Imperio no primeiro dia util do mez de Julho, que se
seguir, começando a correr o quatriennio no dia 7 de Janeiro subsequente.
Art. 26. Quando alguma villa fôr elevada á categoria de cidade,
a respectiva Camara Municipal continuará a funccionar com o numero
de vereadores, que tiver; até á posse dos que forem nomeados
ne eleição geral para o quatriennio seguinte.
Art. 27. A disposição da ultima parte no n. IV do §
1º do art. 17 não impede a eleição de Camaras
e juizes de paz nos municipios, parochias e districtos de paz, que forem
novamento creados, comtanto que o sejam dentro dos limites marcados para
os districtos eleitoraes.
Art. 28. O juiz de direito da comarca continuará a ser o funccionario
competente para conhecer da validade ou nullidade, não só
da eleição de vereadores e juizes de paz, mas tambem da
apuração dos votos, decidindo todas as questões concernentes
a estes assimptos, pela fórma que dispõe a legislação
vigente.
§ 1º Nas comarcas que tiverem mais de um juiz de direito do
1º districto criminal, e, na sua falta, aos que deverem substituil-º
§ 2º Das decisões de juiz de direito sobre as eleições
de vereadores e juizes de paz, em conformidade deste artigo, haverá
recurso para a Relação do districto. O recurso será
julgado, no prazo de 30 dias, por todos os seus membros presentes.
Parte penal
Art.29. Além dos crimes contra o liver gozo e exercicio dos direitos
politicos do cidadão, mencionados nos arts. 100, 101 e 102 do Codigo
Criminal, serão tambem considerados crimes os definidos nos paragraphos
seguintes e punidos com as penas nelle estabelecidas:
§1º Apresentar-se algum individuo com titulo eleitoral de outrem,
votando ou pretendendo votar:
Penas: prisão de um a nove mezes e multa de 100$ a 300$000.
Nas mesmas penas incorrerá o eleitor que concorrer para esta fraude,
fornecendo o seu titulo.
§ 2º Votar o eleitor por mais de uma vez na mesma eleição,
aproveitando-se de alistamento multiplo:
Penas: privação do direito do voto activo e passivo por
quatro a oito annos e multa de 100$ a 300$000.
§ 3º Deixar a autoridade competente de incluir no alistamento
dos eleitores cidadão que, nos termos desta lei, tenha provado
estar nas condições de eleitor, incluir o que não
estiver em taes condições ou excluir o que não se
achar comprehendido em alguns dos casos do § 5º do art. 8º;
Demorar a extracção, expedição e entrega
dos titulos ou documentos, de modo que o eleitor não possa votar
ou instruir o recurso por elle interposto:
Penas: suspensão do emprego por seis a dezoito mezes e multa de
200$ a 600$000.
§ 4º Deixar a autoridade competente de preparar e enviar ao
juiz de direito, nos termos do § 8º do art. 6º, os requerimentos
dos cidadãos que pretenderem ser alistados e as relações
que os devem acompanhar:
Penas: suspensão do emprego por um a tres annos e multa de 300$
a 1:000$000.
Nas mesmas penas incorrerá o empregado que occultar ou extraviar
titulos de eleitor e documentos, que lhe forem entregues, relativos ao
alistamento.
§ 5º Passar certidão, attestado ou documento falsos,
que induza a inclusão no alistamento ou a exclusão:
Penas: as do art. 129 § 8º do Codigo Ciminal.
Ao que se servir da certidão, attestado ou documentos falsos para
se fazer alistar:
Penas: as do art. 167 do Codigo Criminal.
§ 6º Impedir ou obstar de qualquer maneira a reunião
da mesa eleitoral ou da junta apuradora no logar designado:
Penas: prisão por um a tres annos e multa de 500$ a 1:500$000.
§ 7º Apresentar-se alquem munido de armas de qualquer natureza:
Penas: prisão por seis mezes a um anno e multa de 100$ a 300$000.
Si as armar estiverem occultas:
Penas dobradas.
§ 8º Violar de qualquer maneira o escrutinio, rasgar ou inutilizar
livros e papeis relativos ao processo da eleição:
Penas: prisão com trabalho por um a tres annos e multa de 1:000$
a 3:000$, além das penas em que incorrer por outros crimes.
§ 9º Occultar, extraviar ou subtrahir alguem o titulo do eleitor:
Penas: prisão por um a seis mezes e multa de 100$ a 300$000.
§ 10. Deixar a mesa eleitoral de receber o voto do eleitor que se
apresentar com o respectivo titulo:
Penas: privação do voto activo e passivo por dous a quatro
annos e multa de 400$ a 1:200$000.
§ 11. Reunir-se a mesa eleitoral ou a junta apuradora fóra
do logar designado para a eleição ou apuração:
Penas: prisão por seis a dezoito mezes e multa de 500$ a 1:500$000.
§ 12. Aterarem o presidente e os membros da mesa eleitoral ou junta
apuradora o dia e a hora da eleição, ou induzirem, por outro
qualquer meio, os eleitores em erro a este respeito:
Penas: privação do direito do voto activo ou passivo por
quatro a oito annos e multa de 500$ a 1:500$000.
§ 13. Fazer parte ou concorrer para formação de mesa
eleitoral ou de junta apuradora illegitimas:
Penas: privação do voto activo e passivo por quatro a oito
annos e multa de 300$ a 1:000$000.
§ 14. Deixar de comparecer, sem cauda participada, para formação
da mesa eleitoral, conforme determina o § 10 do art.15:
Penas: privação do voto activo e passivo por dous a quatro
annos e multa de 200$ a 600$000.
Si por esta falta não se puder formar a mesa:
Penas: privação do voto activo e passivo por quatro a oito
annos e multa de 400$ a 1:200$000.
§ 15. O presidente da provincia que, por demora na expedição
das ordens, der causa a se não concluirem em tempo as eleições:
Penas: suspensão do emprego por seis mezes a um anno.
§ 16. A omissão ou negligencia dos promotores publicos no
cumprimento das obrigações, que lher são impostas
por esta lei, será punida com suspensão do emprego por um
a tres annos de multa de 300$ a 1:000$000.
§ 17. As disposições dos arts. 56 e 57 do Codigo Criminalsão
applicaveis aos multados que não tiverem meios ou não quizerem
satisfazer as multas.
Art. 30. No processo e julgamento dos crimes previstos no artigo antecedente,
ainda quando commettidos por pessoas que não são empregados
públicos, se observarão as disposições do
art. 25 §§ 1º e 5º da Lei n.261 de 3 de Dezembro de
1841 e respectivos regulamentos.
§ 1º Nestes processos observar-se-ha o disposto nos arts. 98
e 100 da Lei de 3 de Dezembro de 1841, quanto ao pagamento de custas e
sellos, e não serão retardados pela superveniencia de férias.
As primeiras certidões serão passadas gratuitamente.
§ 2º Aos promotores publicos das respectivas comarcas serão
intimadas todas as decisões proferidas pelas autoridades competentes
afim de promoverem a responsabilidade dos funccionarios que nella houverem
incorrido ou requererem o que fôr de direito.
Art. 31. Serão multados admistrativamente quando deixarem de cumprir
quaesquer das obrigações que lhes são impostas:
§ 1º Pelo Ministro do Império na Côrte e pelo
Presidente nas provincias:
I. Os juizes de direito e as Comarcas Municipaes, funccionando como
apuradores de actas de assembléas eleitoraes: na quantia de 100
$ a 300$ os primeiros, e de 50$ a 200$ cada vereador.
II. Os funccionarios e empregados publicos que deixarem de prestar
as informações exigidas para o alistamento dos eleitores:
na quantia de 50$ a 200$000.
§ 2º Pelos juizes de direito:
I. As mesas eleitoraes: na quantia de 250$ a 500$, repartidamente pelos
seus membros.
II. Os presidentes das mesas eleitoraes ou seus substitutos, chamados
para apuração de actas de assembléas eleitoraes,
que não comparecerem sem motivo justificado: na quantia de 50$
a 200$ cada um.
III. Os tabeliães incumbidos da transcripção de
acta de apuração dos votos: na quantia de 50$ a 100$000.
§ 3º pelas mesas eleitoraes:
I. Os membros destas que não comparecerem, ausentarem-se ou
deixarem de assignar a acta sem motivo justificado: na quantia de 50$
a 100$000.
II. Os cidadãos convocados para a formação das
mesmas mesas que não comparecerem ou que, tendo comparecido,
não assignarem a acta: na quantia de 50$ a 100$000.
III. Os escrvães de paz ou de subdelegacia de Policia, chamados
para qualquer serviço em virtude desta lei: na quantia de 50$
a 100$000.
§ 4º Da imposição das multas administrativas
cabe recurso na Côrte para o Governo, e nas provincias para o Presidente.
Art. 32. As multas estabelecidas nesta lei farão parte da renda
municipal do termo em que residir a pessoa multada, e serão cobradas
executivamente.
Disposições Geraes
Art. 33. No caso de empate nas apurações ultimas de votos
em qualquer eleição, será preferido o cidadão
que fôr mais velho em idade.
Art. 34. As Camaras Municipaes fornecerão os livros necessários
para os trabalhos do alistamento dos eleitores e os de talões,
devendo estes conter impressos os titulos de eleitor, bem como fornecerão
os livros, urnas e mais objectos necessarios para a eleição.
A importancia desses livros e demais objectos será paga pelo Governo,
quando as Camaras não puderem, por falta de meios, satisfazer a
despeza.
No caso de não serem fornecidos pelas Camaras Municipaes os mencionados
livros, supprir-se-ha a falta por outros, que serão numerados e
rubricados, com termo de abertura e encerramento, pelos juizes de direito
ou juizes municipaes e pelos presidentes das mesas eleitoraes ou juntas
apuradoras.
Art. 35. Enquanto não estiver concluido definitivamente o primeiro
alistamento geral dos eleitores, conforme se determina nesta lei, não
haverá eleição para Deputados á Assembléa
Geral, salvo o caso previsto no art. 29 da Constituição,
para Senadores, membros das Assembléas Legislativas Provinciaes,
vereadores e juizes de paz.
O Governo poderá espaçar até o ultimo dia util do
mez de Dezembro de 1881 a eleição geral dos Deputados para
a proxima legislatura.
Art. 36. Em acto distincto ou não das instrucções,
que serão expedidas para a execução desta lei, o
Governo colligirá todas as disposições das leis vigentes
e dos diversos actos do Poder Executivo, relativos a eleições,
que estejam em harmonia com a mesma lei e convenha conservar.
Este trabalho será sujeito á approvação do
Poder Legislativo no começo da primeira sessão da proxima
legislatura; e, depois de approvado, considerarse-hão revogadas
as leis e disposições anteriores relativas a eleições,
cessando desde que fôr publicado esse trabalho a attribuição
concedida ao Governo no art. 120 da Lei n. 387 de 19 de Agosto de 1846.
Art.37. Ficam revogadas as disposições em contrario.
O Barão Homem de Mello, do Meu Conselho, Ministro e Secretário
de Estado dos Negocios do Imperio, assim o tenha entendido e faça
executar. Palacio do Rio de Janeiro em 9 de Janeiro de 1881, 60º
da Independencia do Imperio.
Com a rubrica de Sua Magestade o Imperador.
Barão Homem de Mello.
Chancelaria-mór do Imperio.- Manoel Pinto de Souza Dantas.
Transitou em 10 de Janeiro de 1881.- José Bento da Cunha Figueiredo
Junior.-Registrado.
Publicado na Secretaria de Estado dos Negocios do Imperio em 10 de Janeiro
de 1881.-O Director da 1ª Directoria, Manoel Jesuino Ferreira.
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Fonte: BRASIL. Leis, etc. Collecção das
leis do Imperio do Brazil de 1881. Rio de Janeiro:
Typographia Nacional, 1882. v. i, p. 1-28.
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