Panteão dos Clássicos
O PAPEL DA RAÇA NOS GRUPOS SOCIAIS
Compreende-se agora por que uma nação não pode ser indiferente nem à qualidade, nem à quantidade dos elementos raciais que entram na sua composição. Trazendo para a formação do plasma racial os seus "tipos de constituição" mais freqüentes, estes elementos raciais determinam os tipos de temperamento e de inteligência que devem preponderar na massa social. Ora, para os destinos de uma qualquer sociedade ou grupo humano não é indiferente contar em seu seio uma quantidade maior ou menor de indivíduos de temperamento "ativo" ou de temperamento "fleugmático", de naturezas "sensíveis" ou de naturezas "frias", de índoles ciclotímicas ou de índoles esquizotímicas, como não será indiferente possuir uma quantidade maior ou menor de inteligências "imaginosas" ou de inteligências "positivas", de espíritos "calculistas" ou de espíritos "sonhadores", de mentalidades "práticas" ou de mentalidades "artísticas", de tipos "subjetivos" ou de tipos "objetivos", de "tenders" ou de "toughs", de James.
Um povo, cujas matrizes étnicas geram, digamos, 80% de indivíduos do temperamento "instável", de Ribot, não pode dar a mesma forma de civilização, nem ter o mesmo ritmo de progresso, nem revelar as mesmas expressões de cultura, nas artes, nas ciências, na política, nas atividades econômicas, que um outro povo, cujas matrizes étnicas produzem, em quantidade mais numerosa, temperamentos práticos, ativos ou resolutos.
Esta verdade prova-se por si mesma, prova-se com a nossa própria experiência pessoal; basta considerarmos uma pequena sociedade, um grupo, uma associação, um clube. Ninguém dirá que as atividades de um pequeno círculo de homens de ciência, uma academia ou um centro de estudos, em que preponderam inteligências de tipo concreto e positivo, sejam as mesmas de um outro, em que os tipos intelectuais preponderantes sejam inteligências imaginosas e artísticas. "Um pintor fornecerá uma obra de qualidade muito diferente diz Claparède conforme pertença ao tipo 'introverso' ou ao tipo 'dinâmico'; mas, num e noutro caso, estamos diante de aptidões para a pintura."2
Duas raças a Nórdica e Céltica, por exemplo podem exibir uma fecundidade exatamente igual em temperamentos artísticos; mas basta que uma seja mais fecunda em temperamentos artísticos e tipo introverso e outras mais fecunda em temperamentos artísticos de tipo extroverso; que uma dê maior proporção de inteligências do tipo "clássico", de Ostwald, e outra, maior proporção de inteligências de tipo "romântico",3 para que as formas das suas manifestações culturais, nume noutro grupo, apresentem um cunho próprio, exibam um colorido especial, que torna estes dois grupos nitidamente diferenciados um do outro.
Porteus se compraz em imaginar os reflexos sociais que se podem manifestar num grupo humano, quando nele prepondera este ou aquele tipo de temperamento. Por exemplo, um grupo em que sejam mais numerosos os indivíduos de temperamento irresoluto, fraca capacidade de ação, instabilidade nas deliberações e atitudes; neste grupo conclui ele a atividade econômica se revelará pouco eficiente, a pobreza se generalizará, o número dos indigentes não pode deixar de ser avultado. Ele supõe outro grupo, em que os tipos impulsivos e moralmente "descontrolados" sejam mais abundantes e conclui que este grupo há de apresentar forçosamente uma elevação maior no índice da sua criminalidade e na intensidade dos conflitos sociais o que se traduzirá, na vida administrativa do grupo, num maior número de instituições penais, prisões, penitenciárias, reformatórios, e numa maior atividade do organismo judiciário e policial.4
Os modos de expressão da vida social, sejam morais, sejam intelectuais, de um dado grupo, como se vê, estão dependentes dos tipos de temperamentos e dos tipos de inteligência nele preponderantes. Estes tipos de inteligência e de temperamento estão, por sua vez, dependentes dos "tipos de constituição". Ora, como estes, por sua vez, estão dependentes dos "tipos étnicos", isto é, daqueles tipos somatológicos a que chamamos "raças", a conclusão é que a raça é, em última análise, um fator determinante das atividades e dos destinos de um grupo.
Imaginando um grupo relativamente homogêneo, onde domine fortemente um determinado tipo étnico, o encadeamento causal, o sorites antropo-sociológico deve ser este: a "raça" (tipo étnico) determina a maior freqüência deste ou daquele "tipo de constituição"; este "tipo de constituição" determina a maior freqüência dos "tipos de temperamentos" e dos "tipos de inteligência"; estes tipos de inteligência e de temperamento mais freqüentes, portanto mais numerosos, vão condicionar as manifestações das atividades sociais e culturais do grupo.
Imaginemos, a título de exemplo, duas sociedades em nosso meio: uma, em que dominassem os mestiços do índio, e outra, em que dominassem os mestiços do negro; havendo para a formação destes mestiços, num e noutro grupo, um elemento comum, digamos: o branco peninsular. Dando que o branco seja mais fecundo no temperamento A, supondo que o índio seja mais fecundo no temperamento B e o negro mais fecundo no temperamento C, é claro que os dois grupos em hipótese não poderão apresentar, no ponto de vista da sua psicologia coletiva, a mesma fisionomia: no primeiro dominarão os temperamentos resultantes da combinação A x B e no segundo os temperamentos resultantes da combinação A x C. Nas atividades econômicas destes dois grupos, na vida familiar, nas relações da política, nas relações da arte, da ciência, etc., em tudo se descobrirá sempre o traço dessa composição diferencial.
Supondo que C represente um temperamento esquizóide e B um temperamento ciclóide, pode-se imaginar como serão diferentes os destinos de cada um desses grupos. Quando mesmo estes destinos sejam iguais em grandeza e em brilho, haverá sempre uma diferença qualquer, embora imprecisa e sutil, a assinalar as manifestações culturais de cada um deles: o tipo de temperamento preponderante dar-lhes-á uma tonalidade, um colorido específico e original.
1. Hankins. Introduction to the study of society. 1929, p. 96.
2. Claparède. Comment diagnostiquer les aptitudes chez les écoliers. 1925, p. 42.
3. Ostwald. Les grands hommes. 1920, cap. XI.
4. Porteus e Babcock, op. cit., capítulos IX, XVII e XVIII.